10 de junho de 2026

STF solicita novas informações sobre operação nos Complexos do Alemão e da Penha

Ministro Alexandre de Moraes pede detalhamento de dados e preservação de provas referentes à “Operação Contenção”, realizada no Rio de Janeiro
Alexandre de Moraes, presidente do TSE. Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

▸ Ministro do STF exige informações sobre “Operação Contenção” no Rio de Janeiro, incluindo preservação de provas e lista de agentes envolvidos.

▸ Alexandre de Moraes solicita dados sobre prisões, laudos e procedimentos após ação policial, além de suspender inquérito sobre familiares de vítimas.

▸ Decisão visa esclarecer cumprimento de mandados, acesso a perícias e investigações, destacando independência do MPF na ADPF 635.

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que autoridades do Rio de Janeiro enviem novas informações sobre a “Operação Contenção”, realizada em 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha.

Entre as medidas, o ministro ordenou que o governo estadual preserve as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais e encaminhe a relação completa dos agentes que usaram o equipamento. Também devem ser enviadas ao STF cópias dos laudos necroscópicos, com registros fotográficos e dados sobre projéteis recolhidos durante a operação.

A decisão foi tomada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, após a apresentação de documentos e relatórios por órgãos públicos e entidades da sociedade civil.

Determinações

O ministro solicitou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) a lista das pessoas presas durante a operação, discriminando quem possuía mandado de prisão e quem foi detido sem ordem judicial, além dos resultados das audiências de custódia realizadas.

Ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Moraes pediu relatórios periciais independentes, cópias dos laudos técnicos e do procedimento investigatório aberto após a ação policial. Já a Defensoria Pública estadual deve informar se está sendo assegurado acesso às provas e acompanhamento das famílias das vítimas.

Na mesma decisão, o ministro suspendeu o inquérito policial aberto pela 22ª Delegacia da Penha, que investigava familiares de vítimas por terem retirado corpos do local do confronto.

Pontos a esclarecer

Moraes também destacou a necessidade de esclarecer quantos mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos pela 42ª Vara Criminal da Capital e quantos foram efetivamente cumpridos, além de identificar quem foi preso ou morreu durante a operação.

O ministro considerou relatos apresentados por representantes de órgãos públicos e entidades civis, que mencionaram dificuldades das famílias para acessar perícias, deficiências nos serviços periciais, e questionamentos sobre a integridade das provas. Também foi relatada abertura de inquérito contra familiares de vítimas e obstáculos enfrentados pelas defensorias públicas no exercício de suas funções.

Alexandre de Moraes determinou a suspensão de uma reclamação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que teria interrompido pedidos do Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso. O CNMP deverá enviar informações ao STF.

O ministro ressaltou que a atuação do MPF decorre de atribuições fixadas pelo Supremo na ADPF 635, sendo independente do controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público estadual.

Leia a decisão na íntegra:

Reuniões

Moraes se reúne ainda com o procurador-geral da Republica (PGR), Paulo Gonet, e os procuradores-gerais de Justiça nesta segunda-feira (10).

Responsável pela ADPF 635 até a nomeação do ministro que substituirá Luís Roberto Barroso, o magistrado também se encontrará com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para conversar sobre o Marco do Crime Organizado (Projeto de Lei 5582/2025).

*Com informações do STF.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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