Com novas provas, MP denuncia seis pessoas no caso Riocentro
Após dois anos de investigação, procuradores da República obtêm uma confissão sobre a ação dos responsáveis pelo atentado de 1981, incluindo três generais reformados; objetivo é reabrir caso
Por Chico Otavio e Juliana Castro
De O Globo
RIO – A mais completa investigação sobre o atentado que mudou a História recente do país pode levar cinco militares, três deles generais, e um delegado ao banco dos réus. Após quase dois anos de trabalho, os procuradores da República do grupo Justiça de Transição, que apura os crimes políticos do regime militar, denunciaram seis envolvidos na explosão de uma bomba no estacionamento do Riocentro, na noite de 30 de abril de 1981, quando um show em homenagem ao Dia do Trabalho reuniu no local cerca de 20 mil pessoas, a maioria jovens.
O atentado não apenas provocou a morte instantânea do sargento Guilherme Pereira do Rosário, do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército (DOI-1), que carregava a bomba, como abortou a tentativa que os bolsões radicais faziam para deter o processo de abertura política durante o governo do presidente João Figueiredo (1979-1985).
Para denunciar o então capitão Wilson Luiz Chaves Machado, parceiro do sargento na ação e dono do carro onde a bomba explodiu, e outros cinco acusados de envolvimento no atentado, os procuradores produziram 38 volumes de documentos e 36 horas de gravações de depoimentos em áudio e vídeo.
Dos seis nomes, quatro nunca haviam aparecido como suspeitos. Um deles é o general reformado Edson Sá Rocha, chefe da Seção de Operações do DOI em 1981. Ele é acusado de ter defendido, um ano antes, um plano de explosão de bombas em outra edição do show do Riocentro.
A denúncia também responsabiliza os generais reformados Newton Cruz — na época, chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e indiciado no inquérito que reabriu o caso em 1999 — e Nilton Cerqueira (então comandante da Polícia Militar fluminense), o major reformado Divany Barros (agente do DOI-I) e o ex-delegado capixaba Cláudio Guerra. Além dos denunciados, o grupo identificou mais nove autores, todos já falecidos.
Depoimentos inéditos sobre o caso
Pelo menos dois novos depoimentos reescrevem a história do atentado. O major reformado Divany Carvalho Barros, de codinome Doutor Áureo, da Seção de Operações do DOI em 1981, admite pela primeira vez, em mais de três décadas, que foi ao estacionamento do Riocentro, onde estava o carro destruído pela explosão, com a missão delegada pelo comando de apagar provas que pudessem incriminar os militares como autores do atentado.
A viúva do sargento, Suely José do Rosário, também revelou que, logo após a explosão, agentes do DOI a ameaçaram. Um deles foi identificado por ela pelo codinome “Doutor Luís”. Eles queimaram documentos pessoais de Guilherme no tanque de lavar roupas de sua casa. Também recolheram as folhas de alterações do sargento (espécie de currículo dos militares), devolvendo-as dias depois com páginas suprimidas.
Em 1981, o primeiro inquérito aberto pelo Exército concluiu que o sargento Rosário e o capitão Machado, gravemente ferido na explosão do artefato, foram vítimas do atentado, e não autores. A versão foi sustentada pelo Exército por 18 anos até que, em 1999, um novo Inquérito Policial Militar foi reaberto depois que uma série de reportagens do GLOBO derrubou a conclusão da primeira investigação.
A denúncia é assinada pelos procuradores Antonio Cabral, Andrey Mendonça e Marlon Weichert. Para eles, o atentado é um crime que pesa contra a pátria, portanto, imprescritível.
— O atentado do Riocentro é emblemático porque revela a torpeza e os objetivos desse grupo de radicais, integrado por membros das Forças Armadas, que estava disposto a detonar artefatos explosivos contra a própria população, num show com 20 mil jovens, apenas para gerar clima de pânico e justificar o endurecimento da ditadura militar — afirmou Cabral.
Será a quarta tentativa de submeter Wilson Machado, hoje coronel reformado, a julgamento em Tribunal do Júri. As anteriores foram frustradas por decisões do Superior Tribunal Militar (STM), que desqualificaram as provas ou entenderam que o caso estava coberto pela Lei da Anistia. O argumento usado na nova denúncia, para assegurar a abertura de processo junto à Justiça Federal, é que as investigações produziram novas provas e que os crimes não estão cobertos pela Lei da Anistia, válida apenas para o período compreendido entre 1961 e 1979.
Os seis são acusados de tentativa de homicídio doloso, explosão, transporte de explosivos, formação de quadrilha, favorecimento pessoal e fraude processual. A denúncia descreve a atuação do grupo em dois núcleos. Um deles era o de planejamento, do qual fariam parte Nilton Cerqueira e Sá Rocha. O outro era o operacional, onde Machado e Guerra se encaixaram. Para os procuradores, o elo entre os dois núcleos era o tenente-coronel Freddie Perdigão Pereira (já falecido), de codinome Doutor Flávio, um dos mais ferozes agentes da repressão política.
O militar tinha trânsito junto aos altos escalões das Forças Armadas e aos agentes operacionais porque colecionava passagens pelos principais órgãos da comunidade de informações: DOI, Centro de Informações do Exército (CIE) e SNI, onde ele estava lotado na época do atentado. Perdigão também agiu em torturas na Casa da Morte do CIE, em Petrópolis.
alexis
16 de fevereiro de 2014 2:32 pmPequeno atraso
Oitenta milhões de brasileiros ainda nem tinham nascido na época. Equivalente a 40% da atual população.
Algo de muito ruim acontece na justiça brasileira, enquanto milhões de processos se arrastam pelos tribunais.
MRE
16 de fevereiro de 2014 3:05 pmDe novo !
Ë claro que devemos repugnar atos desta natureza. Mas convenhamos, de novo este assunto? O que se quer provar ? Todos sabem que foram os radicais do Exercíto, que esta ato foi motivo de acelerar a abertura. O que se quer ao, ano sim. ano não, voltar a ribalta com este assunto ? Provar que a Globo é boazinha e que não ajudou a Ditadura? Ao contrário do Globo, foi o JB com o Ftitz Ustzeri que desde o início sempre jogou duvídas no laudo do Exército e da Globo.
Estranho este caso ser reaberto em época de eleições, manifestação BB com o Globo nas cabeças, aí tem !
Eneuton
16 de fevereiro de 2014 3:44 pmEste caso devia ter sido
Este caso devia ter sido concluído há muito tempo atrás, result eando nos militares terroristaas devidamente presos. Mas nunca é tarde para se fazer justiça. Cadeia para esses terroristas.
lclbotelho
16 de fevereiro de 2014 3:53 pmPrezado MREinfelizmente o
Prezado MRE
infelizmente o único antídoto contra o maturar dos ovos da Serpente (Forças Especiais das FAS Brasileiras :Binfa-Aeronaútica Santa Cruz e Galeão , Fuzileiros Navais -Toneleros , Brigada e escola de forças especiais do Exército Brasileiro ) é o reviver de tristes memórias !.
Esqueçer e não recordar não é perdoar , mas sim conivir e aceitar que hediondez e covardias ignóbis aconteçam no futuro próximo !, e sob a fraude de Patriotismo do Povo Brasileiro !. Canalhas !.
lenita
16 de fevereiro de 2014 6:00 pmEstranho não !
Não deve ser nunca esquecido ! Chega de ficarmos calados sempre, de deixar prá lá !
Antonio Carlos Silva - RJ
16 de fevereiro de 2014 2:41 pmTrecho do show que teria incomodado os terroristas impunes
Revelação – Fagner e Simone
[video:http://youtu.be/4o-UUqcQCjU%5D
Filipe Rodrigues
16 de fevereiro de 2014 4:34 pmDeve haver o show completo
Deve haver o show completo escondido em algum arquivo de TV.
Eneuton
16 de fevereiro de 2014 3:41 pmEste caso é um escárnio para
Este caso é um escárnio para a democracia brasileira. Terroristas jogam bombas sobre civis desarmados e saem impunes? É preciso que venha à tona, que sejam julgados e exemplarmente punidos, os vivos e os mortos, com as justas penas que lhes são devidas.
Stanilaw Calandreli
16 de fevereiro de 2014 3:44 pmDevemos sim discutir o assunto
Incrível, como sempre aparece alguém querendo abafar o assunto de torturadores, bombardeiros e outros criminosos que atuaram durante o período militar. Qual é a deles, heim! No caso do Riocenter, esses militares almejavam atacar inúmeros populares que estavam ali apenas para ver seus cantores preferidos. Coisa de animal.
Á saber !
16 de fevereiro de 2014 6:36 pmFanatizados, seguiam os
Fanatizados, seguiam os ensinamentos de seu líder, Carlos Marighella que, no seu Minimanual dizia:
“O terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar.”
“Ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado.”
. Às 4p0, a madrugada estava mais fria e com menos visibilidade. Nessa hora, uma sentinela atirou em uma caminhonete, que passava na Avenida Marechal Stênio Albuquerque Lima, nos fundos do QG, e tentava penetrar no quartel. Desgovernada, batera, ainda na rua, contra um poste. As sentinelas viram quando um homem saltou desse veículo em movimento e fugiu correndo. O soldado Edson Roberto Rufino disparou seis tiros contra o veículo.
Mario Kosel Filho , com seu desejo de ajudar o próximo, pensando que se tratava de um acidente de trânsito, saiu do seu posto com a intenção de socorrer algum provável ferido.
Ao se aproximar, uma violenta explosão provocou destruição e morte num raio de 300 metros.
Passados alguns minutos, quando a fumaça e a poeira se dissiparam, foi encontrado o corpo do soldado Kozel totalmente dilacerado.
O coronel Eldes de Souza Guedes, os soldados João Fernandes de Souza, Luiz Roberto Juliano, Edson Roberto Rufino, Henrique Chaicowski e Ricardo Charbeau ficaram muito feridos. Os danos no QG foram muito grandes.
Consumava-se mais um ato terrorista da Vanguarda Popular Revolucionária – VPR.
E agora o MP vai convocar tb os assassinos deste soldado ???
Ivan de Union
16 de fevereiro de 2014 9:37 pmNao sei se voce ja leu o
Nao sei se voce ja leu o jornal hoje, sinto muito ter que te informar: Marighella ja esta morto.
Ary
16 de fevereiro de 2014 11:14 pmA Saber,
se nao sabe é
A Saber,
se nao sabe é ignorante, se sabe é desonesto.
PauloBR
16 de fevereiro de 2014 5:03 pmPerguntar não ofende…
Se o inquérito for reaberto, alguém questionará a incrível coincidência da irmã e eminência parda do Aécio, Andrea Neves, “estar por perto na hora da explosão no RIocentro” e ter levado o militar ferido ao hospital, em seu próprio carro???
Motta Araujo
16 de fevereiro de 2014 6:24 pmE vai mudar o que? O que
E vai mudar o que? O que acrescenta? Qual a importancia hoje? Porque então não discutir a INTENTONA COMUNISTA de 1935, onde morreu muita gente?
Gilson Raslan
16 de fevereiro de 2014 8:12 pmTEM UTILIDADE, SIM
Motta Araújo, pode até ser que esse processo não mude nada hoje, mas serve de alerta para eventuais golpistas/torturadores/assassinos pensarem mil vezes antes de cometer crimes contra a nação.
MRE
16 de fevereiro de 2014 10:13 pmGilson,
As Forças Armadas,
Gilson,
As Forças Armadas, todos da nova geração, já são sabedoras deste episódio passado. Todos sabem dos interesses americanos que nos iludiram com história de comunistas. Sabe-se do interesse americano em criar controles ufanistas no país e na América do Sul.
Com as informações de blogs na internet, ninguém ais é iludido. A sua opinião, a minha e de vários outros está na rede instantaneamente -o julgameno é imediato. O Jango foi “corretamente” ressuscitado, mostrando aos insurgentes do passado que a história tem seu rumo próprio.
Claro que a verdade vir à tona é sempre muito bom. Mas será que já não passou da medida ? Prá que espezinhar e deixar no ar um sentimento de revanche? Afinal, somos ou não o país mais evangelizado do planeta, que tem a capacidade de recomeçar e perdoar? Acho que estamos batendo em cachorro mort !
Fizemos tantas leis ( na Constituição) e vivemos momentos esdrúxulos de desrespeito a Justiça – Barbosão, Gilmar Mendes, Dantas, Black Bocs……..e não enfatizamos nossa “bronca'” com igual proporcionalidade.
Eneuton
16 de fevereiro de 2014 10:44 pmNão se constrói uma
Não se constrói uma democracia sobre cadáveres insepultos e crimes não investigados. Isto não é olhar para o passado mas sedimentar o futuro. Todas as democracias que se consolidam ajustando contas com o passado mostram-se mais fortes. Além do mais, como Nação temos compromissos com a História do País. E salutar lançar luz sobre a escuridão passada.
Gilson Raslan
17 de fevereiro de 2014 9:24 pmMRE
Marcelo Resende, não tem essa de “oferecer a outra face”. Os agentes das barbaridades perpetradas contra os adversários do regime ditatorial têm que ser desmascarados, para desencorajar outros golpes.
Eneuton
16 de fevereiro de 2014 10:36 pmComo os militares terroristas
Como os militares terroristas encontram defensores aqui.
Véio Zuza
16 de fevereiro de 2014 6:44 pmComo diriam os
Como diriam os “manifestantes” que abateram o camera man da Band, e seus especialistas (um deles dava entrevista na Globo News na 6a, passada…), foi apenas um ACIDENTE…
Pau que dá em chico, dá em francisco…
Ou não?
Ricardo de Azevedo
18 de fevereiro de 2014 12:24 amInútil como colocar cinzeiro numa moto.
Com todo o respeito ao MPF, a ação tá bem atrasadinha, já que quase ou todos, se não me engano, já foram prestar contas ao Todo-Poderoso e Chico Xavier também desencarnou, dificultando ainda mais o interrogatório.
A alegação de que as demais ocorrências de atentado, quer de direita, quer de esquerda, já estão prescritas ou anistiadas não cola e o indiciamento é bem mais factível, pois os que explodiram o QG do Exército no Ibirapuera, matando o indefeso soldado Mário Kozel Filho estão vivinhos e com cartão corporativo no bolso.