10 de junho de 2026

Usuários do Instagram acreditam ser viciados na rede social equivocadamente, aponta pesquisa

Para cada pessoa que de fato apresenta sinais clínicos de dependência, ao menos outras oito acreditam estar viciadas
Crédito: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

1. Estudo revela que apenas 2% dos usuários do Instagram são clinicamente viciados. A percepção de vício atinge 18% dos participantes.

2. Rotular-se como “viciado” altera comportamento sem evidências clínicas. Apenas 2% apresentam sintomas reais de dependência.

3. Diferenças entre grupos: jovens se percebem menos viciados. Usuários frequentes têm mais chance de se considerar viciados.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Pesquisa publicada na revista cientific Reports, do grupo Nature, mostrou que apenas 2% dos usuários do Instagram são efetivamente viciados na rede social, ainda que esta percepção atinja 18% dos 1.200 participantes do estudo.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Para cada pessoa que de fato apresenta sinais clínicos de dependência, ao menos outras oito acreditam estar viciadas sem estarem.

Essa confusão não é apenas linguística. Segundo os pesquisadores, assumir o rótulo de “vício” altera a forma como os usuários interpretam seu próprio comportamento digital: reduz a sensação de controle e intensifica a autoculpa, mesmo quando não há qualquer indício clínico de dependência.

Para investigar esse descompasso, os autores realizaram dois experimentos. O primeiro estimou a prevalência real de sintomas clínicos. O segundo avaliou um fenômeno curioso: o impacto psicológico de dizer, a si mesmo ou a outra pessoa, que se é “viciado”.

Os resultados surpreenderam a equipe. Bastou solicitar que parte dos voluntários escrevesse, por dois minutos, sobre momentos em que se sentiram “viciados em Instagram” para que eles passassem a:

  • relatar menor controle sobre o próprio uso;
  • lembrar mais tentativas malsucedidas de reduzir o tempo no aplicativo;
  • sentir mais culpa ao passar longos períodos conectados;
  • acreditar que precisariam diminuir o uso futuramente.

Nada havia mudado no comportamento real, apenas a percepção. O simples ato de adotar o termo “vício” já foi suficiente para deteriorar a relação das pessoas com o app.

Os autores também analisaram o ambiente informacional ao redor do tema. Uma coleta de 36 meses de notícias e posts de redes sociais nos EUA mostrou:

  • 4.383 matérias mencionavam “vício em redes sociais”;
  • apenas 50 usavam o termo “hábito digital”;
  • conteúdos sobre vício acumularam mais de 70 mil interações.

Para os pesquisadores, a exposição constante a esse enquadramento leva usuários a internalizarem o termo, mesmo quando seu comportamento não se enquadra nos critérios clínicos.

Hábito não é vício

O estudo dedica uma parte significativa a separar conceitos, em que o hábito é descrito como uso automático: checar o Instagram ao acordar, no intervalo do trabalho, enquanto espera o transporte. O cérebro cria atalhos comportamentais, e o app é aberto quase sem pensar. Quase metade dos participantes relatou esse padrão.

Vício clínico, por outro lado, envolve sintomas psiquiátricos como abstinência, perda de controle, prejuízos à rotina e conflitos com trabalho ou estudo. Esses sinais apareceram em apenas 2% da amostra.

Ao rotular um hábito como vício, cria-se um problema que não existe: a crença de que se enfrenta uma dependência real.

A conclusão dos pesquisadores é otimista: hábitos são muito mais maleáveis do que vícios e respondem bem a ajustes simples no ambiente. Entre as estratégias sugeridas estão:

  • desativar notificações;
  • manter o celular fora do alcance em momentos específicos;
  • reorganizar a tela inicial;
  • ativar o modo cinza;
  • substituir o ato automático de abrir o app por outra ação.

Diferenças entre grupos

A análise adicional dos dados revelou algumas tendências, entre elas a de que usuários mais jovens se percebiam menos viciados, e que os usuários mais frequentes tinham maior chance de se considerar viciados. O gênero dos participantes não teve impacto significativo no levantamento

A média de idade da amostra era de 44 anos, mas pessquisadores acreditam que o padrão pode se repetir entre jovens. Em uma análise separada com universitários, 59% disseram ter “vício” no TikTok, embora só 9% preenchessem critérios de risco.

*Com informações do g1.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados