Reeleito para o conselho regional de Ompundja, no norte da Namíbia, o político Adolf Uunona reagiu à nova onda de repercussões internacionais sobre seu antigo nome — Adolf Hitler Uunona — afirmando ao jornal local The Namibian: “Não tenho nada a ver com isso”.
A vitória, a quinta consecutiva, reforça sua hegemonia eleitoral na região de Oshana, onde mantém ampla popularidade desde o início dos anos 2000. A disputa de 2025 repetiu o padrão dos pleitos anteriores: vitória folgada, sem risco real de derrota. Em 2020, por exemplo, Uunona registrou cerca de 85% dos votos.
A polêmica ressurge porque, apesar de ter retirado formalmente o sobrenome “Hitler” dos documentos, o episódio volta a ganhar tração sempre que seu nome aparece em resultados eleitorais.
Uunona insiste que a associação ao ditador nazista não tem nenhuma relação com sua vida pública ou visão de mundo. Segundo ele, o pai escolheu o nome sem consciência do peso histórico.
“Só quando cresci entendi que aquele homem queria conquistar o mundo inteiro. O nome nunca teve esse significado para mim”, disse.
Contexto colonial que ainda reverbera
A repercussão internacional ignora, em parte, a realidade local. Nomes alemães são comuns na Namíbia por causa da colonização germânica no fim do século 19. O país ainda lida com o legado histórico desse período, que incluiu o genocídio dos povos herero e nama — reconhecido oficialmente pela Alemanha apenas em 2021.
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