4 de junho de 2026

Como o bolsonarismo judaico instrumentalizou o antissemitismo, por Luís Nassif

Instrumentalização do antissemitismo em favor de causa menor: apoio incondicional ao bolsonarismo e governadores de direita.
Reprodução Youtube

1. CONIB demite colunistas por criticarem genocídio em Gaza.
2. Ultradir. bolsonarista usa antissemitismo para silenciar críticas.
3. CONIB e federações judaicas se alinham à direita bolsonarista.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A CONIB (Confederação Israelita do Brasil) deu demonstração maiúscula de seu poder político e de seu alinhamento com o autoritarismo bolsonarista – com o qual tem afinidades. Conseguiu a demissão de Jamil Chade, principal colunista da UOL, e Juca Kfouri, colunista de esportes da Folha, por tratar como genocídio o genocídio de Gaza.

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É curiosa essa atuação. A base do antissemitismo sempre foi a influência de comunidades judaicas, aliando poder econômico à influência política e expondo-se a teorias conspiratórias que atravessaram os séculos.

Peça 1 – As teorias conspiratórias antissemitas

Na adolescência, chegaram às minhas mãos dois livros conspiratórios, os “Protocolos dos Sábios de Sião”, e “Brasil, República de Banqueiros”, de Gustavo Barroso.

Eram livros profundamente antissemitas, colocando os judeus no centro de uma conspiração global. Não batia com seu Abraham Setzman, judeu de Ribeirão Preto amigo da família, nem com as senhorinhas da Casa Bela, de Poços de Caldas.

Com o amadurecimento intelectual, as teorias conspiratórias baseadas no preconceito vão perdendo espaço. Mas é pedagógico compará-las com as teorias conspiratórias da ultradireita.

As principais teorias conspiratórias dos “Protocolos” eram as seguintes:

1. Conspiração Global para Dominação Mundial

Judeus reunidos em um “conselho secreto” planejariam assumir o controle político global, destruir governos, manipular crises e submeter todos os povos.

2. Controle da Imprensa e da Comunicação

Os “sábios de Sião” supostamente controlariam jornais, editoras, jornais comunitários, rádios e (no delírio atualizado) redes sociais.

3. Controle do Sistema Financeiro Internacional

O documento inventa um suposto projeto judaico de dominar bancos, manipular moedas, controlar reservas internacionais, provocar crises e pânicos financeiros.

4. Promoção do Liberalismo Moral para “Enfraquecer a Sociedade”

Os Protocolos afirmam que judeus incentivariam secularização, emancipação feminina, educação universal, liberdade de expressão, movimentos sociais, para “corromper” instituições tradicionais.

5. Implantação de Um Governo Mundial Único

Ponto máximo do delírio: um “rei judeu” governaria o planeta após o suposto colapso dos estados nacionais. Bate com as teorias conspiratórias atuais sobre a globalização.

Menciono essas pirações conspiratórias para mostrar as semelhanças com as teses conspiratórias da ultradireita bolsonarista. O que alimentava a fantasia eram as demonstrações de poder dos Rothschild, dos Sulzberger, que tornaram o The New York Times o jornal mais influente do mundo, William Paley, da CBS, David Sarnoff, da TCA/NBC, a família Warner, da Warner Bros, William Paley da CBS e assim por diante.

No Brasil, o bolsonarismo judaico passou a se valer do antissemitismo para montar uma frente, mostrando poderio econômico para uma grande ofensiva em favor da direita bolsonarista.

Peça 2 – as teorias conspiratórias da ultradireita

De uns anos para cá, ocorreu o fenômeno do uso da religião pela ultradireita, a volta ao Velho Testamento e a piração maior, Israel como cumprimento de profecia bíblica. Especialmente após a criação do Estado de Israel e da Guerra dos Seis Dias, ocorreu um fenômeno simultâneo, um avanço da ultradireita em dois níveis.

Em um nível, o novo evangelismo, baseado no Velho testamento, colocando Israel no centro da salvação universal. De outro, grupos sionistas, espalhados por vários países, engrossando a radicalização da ultradireita. É como se os sionistas reescrevessem os Protocolos dos Sábios de Sião, colocando fantasmas esquerdistas e terroristas mirins palestinos no lugar dos judeus.

Leia, a propósito, o excelente artigo “A direita conservadora dos EUA rompe com o sionismo cristão, por Mohammed Hadjab”, publicado no GGN.

Vamos a uma linha do tempo para entender essa travessia surreal:

1800–1880 — As Raízes: Sionismo Cristão Pré-Sionismo Judaico

Contexto: Movimentos protestantes reformados no Reino Unido e EUA começam a interpretar profecias bíblicas de forma literal.

É o início do que mais tarde será chamado sionismo cristãoantes mesmo de Theodor Herzl.

1880–1917 — Do Sionismo Judaico à Declaração Balfour

Eventos centrais:

  • 1897: Congresso Sionista de Herzl.
  • Pastores protestantes britânicos pressionam politicamente o governo.
  • 1917: Declaração Balfour, que apoia um “lar nacional judeu”.

Evangélicos pensavam:

  • Retorno judaico = cumprimento profético.
  • A criação futura de Israel era vista como parte da restauração escatológica.

1917–1948 — De Mandato Britânico ao Estado de Israel

O que muda:

  • Crescem movimentos dispensacionalistas nos EUA (como os seguidores da Bíblia de Scofield).
  • Proliferam interpretações apocalípticas ligadas a Israel.

Crenças marcantes:

  • Israel seria restaurado antes da Segunda Vinda.
  • Judeus teriam papel central no “fim dos tempos”.
  • Pastores começam a enviar recursos e missões para Jerusalém.

1948 — Criação do Estado de Israel

Marco absoluto para os evangélicos.

Reações:

  • 1948 é interpretado como profecia cumprida.
  • O apoio a Israel se torna doutrina para uma parte grande do evangelicalismo.
  • Surgem organizações “cristãs sionistas”.

1967 — Guerra dos Seis Dias

Efeito nos evangélicos: transformador.

Por quê?

  • Jerusalém é reunificada sob controle israelense.
  • Muitos interpretam como “o relógio profético acelerando”.

Narrativa dominante:

  • Israel teria papel decisivo na Batalha do Armagedom.
  • Multiplicam-se livros, pregações e congressos proféticos.

1970–1990 — Ascensão da Direita Cristã nos EUA

Fenômenos marcantes:

  • Tele-evangelistas ganham alcance global.
  • Pastores influenciam política externa americana.
  • Formam-se grupos como Christians United for Israel (CUFI).

Crenças comuns nesse período:

  • Israel como “nação escolhida”.
  • Judeus retornando à Terra como sinal da “Última Geração”.
  • Apoio incondicional ao Estado de Israel como mandamento bíblico.

1995–2010 — Era de Filmes, Livros e Cultura Pop Apocalíptica

Impacto massivo de:

  • Left Behind” (Deixados para Trás) — livros e filmes escatológicos.
  • Hal Lindsey (“The Late Great Planet Earth”).
  • Avanço de megaigrejas e pregadores globais.

Esses conteúdos tornam o apoio a Israel:

  • parte da identidade evangélica transnacional;
  • associado ao arrebatamento, à Grande Tribulação e à intervenção divina.

2010–2020 — Evangélicos e Política Internacional

Mudanças marcantes:

  • A influência evangélica cresce no Brasil, África e América Latina.

• Israel se torna bandeira política de grupos conservadores.

Peça 3 – Conib e federações: instrumentos políticos do bolsonarismo

E como tudo isso se reflete na comunidade judaica brasileira?

Benjamin Seroussi, diretor artístico da Casa do Povo e integrante do grupo Judeus Pela Democracia, tem sido uma voz crítica dentro da comunidade judaica brasileira. Ele questiona organizações como a CONIB (Confederação Israelita do Brasil), argumentando que frequentemente representam os interesses de uma elite econômica, não a diversidade da comunidade judaica. Segundo Seroussi, essas entidades se alinham politicamente à direita, posicionamento que não reflete a totalidade dos judeus brasileiros — embora sejam, inegavelmente, o grupo hegemônico, a nova cara da comunidade judaica no país.

Um de seus alertas centrais diz respeito à banalização do termo “antissemitismo” e ao perigo de utilizá-lo para silenciar críticas legítimas ao governo de Israel ou ao sionismo. Seroussi defende que é possível criticar ações do Estado israelense sem ser antissemita, e adverte contra o uso político do trauma histórico judaico.

Entretanto, consolidou-se na comunidade judaica brasileira um grupo de ultradireita bolsonarista que passou a empregar indistintamente a acusação de antissemitismo como arma retórica contra qualquer crítico da guerra em Gaza — sejam judeus ou gentios. São defensores incondicionais de Netanyahu que justificam o genocídio em Gaza com base em narrativas que rivalizariam com o gabinete do ódio de Bolsonaro em desinformação: a culpa pela morte de crianças palestinas seria dos terroristas que se esconderam atrás delas; a interrupção de ajuda humanitária a Gaza ocorreria porque o Hamas rouba os mantimentos; quem critica as ações em Gaza é antissemita porque não critica outros conflitos em andamento.

O patrulhamento não poupa ninguém. Na missa dos 50 anos da morte de Vladimir Herzog, o acaso me fez sentar ao lado de Cláudio Lottenberg, presidente da CONIB. Foi um encontro civilizado, em que chegamos a trocar contatos de WhatsApp. Quando comentei o episódio em um grupo, o empresário Sérgio Ezenberg imediatamente correu para “denunciar” o ocorrido à própria CONIB — uma comprovação do radicalismo irracional que tomou conta de setores da comunidade.

Famílias tradicionais da colônia que não apoiaram o genocídio em Gaza passaram a ser mal vistas. Judeus progressistas relatam o desconforto de serem criticados pela própria família, que julga suas posições contrárias aos interesses da comunidade judaica.

É esse radicalismo cego que levou a CONIB a exigir censura de professores na USP e na PUC-SP, a pressionar o UOL para demitir Jamil Chade, seu colunista mais relevante, e a Folha para demitir o jornalista esportivo Juca Kfouri.

No fundo, trata-se da instrumentalização do antissemitismo em favor de uma causa menor: o apoio incondicional ao bolsonarismo e aos governadores de direita. Esse talvez seja o maior crime que o bolsonarismo judaico está cometendo contra a própria causa do judaísmo.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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9 Comentários
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  1. Antonio Uchoa Neto

    2 de dezembro de 2025 10:31 am

    Teorias da Conspiração servem a um único propósito: justificar a ação de grupos políticos cujas verdadeiras razões e motivações não podem ser claramente expostas, pois geralmente são exatamente o contrário do que a teoria utilizada supõe que sejam.
    A Declaração Balfour é, na minha visão de leigo, o ponto inicial da presente situação; e o vexame inglês em Suez, em 1956, a última inflexão, que colocou os EUA como protagonistas da situação.
    Na Primeira Guerra Mundial, França e Inglaterra aliciaram os clãs árabes (então sob o domínio do Império Otomano) para lutarem a seu lado contra os alemães e os turcos, trabalho realizado, entre outros, por T.E.Lawrence, com promessas de conceder autonomia e autodeterminação aos árabes, com a derrota da Turquia. Ao que parece, o Czar Nicolau, aliado de franceses e ingleses, teria manifestado preocupação com essa situação, uma vez que boa parte da população do Império Russo, naquela região, era muçulmana, e o Czar temia que a independência árabe influenciasse essas populações – e os bolcheviques, logo após tomarem o poder e saírem da guerra, teriam divulgado correspondência diplomática em que os ingleses e franceses tranquilizavam o Czar, esclarecendo que o Tratado Sykes-Picot era uma farsa, e que os árabes permaneceriam, na prática, sob jugo, dessa vez europeu. Com isso, os clãs árabes debandaram, e a Inglaterra, sem os soldados e as armas dos clãs, teria se voltado para a comunidade judaica, especificamente os banqueiros e financistas, da mesma forma que haviam feito com os muçulmanos, ou seja, com falsas promessas, desta vez de estabelecer uma nação israelita no Oriente Médio. Assim como teria acontecido com os árabes, o que houve foi a instalação de um protetorado, e as promessas franco-britânicas se revelariam, mais uma vez, uma farsa. Restou aos judeus – uma “nação” ocupada – o recurso ao terror – e qualquer semelhança com a mesma atitude dos palestinos, posteriormente, não é mera coincidência. Terminada a guerra, e ironicamente, Hitler, derrotado, terminou por mandar o Império Britânico pro espaço; adeus Índia (a joia da Coroa), adeus mandato, adeus Suez (a mesma coisa com a França, adeus Indochina, adeus Norte da África), afinal, como podiam os paladinos da Liberdade, que livraram a humanidade de ser escravizada pelos alemães, manterem, pela violência e exploração, tantas colônias pelo mundo? Os americanos, cientes do esgotamento do modelo colonial e imperialista europeu, assumiram as rédeas em ambas as partes do mundo, botando para escanteio ingleses e franceses. E esta é a situação, hoje. E, creio eu, esta é a história, sem teorias conspiratórias. Tudo preto no branco, de acordo com os interesses geopolíticos da(s) potência(s) de plantão. Não é assim, no Velho Testamento, com os impérios se sucedendo, e o povo se lascando?
    Os palestinos estão em processo de eliminação física desde 1948. A diferença é que não apenas as guerras e as revoluções são, hoje, televisadas, mas também, ao que parece, os genocídios. E, seja lá o que for que esteja acontecendo, ninguém faz nada. Principalmente, o grande ‘outis’ (ninguém) do mundo, a ONU.
    Como se vê, não é necessário nenhum Messias para pôr ordem no mundo. Na hora de partilhar o espólio, tanto faz se uns acreditam que ele já veio, e outros não. O negócio é tomar posse. De tudo que tenha, ou possa gerar, valor, e, por conseguinte, poder. Mas é muito feio admitir isso, assim, na cara dura – e aí, lança-se mão de fabulações de toda ordem, religiosa principalmente, dado o fascínio do ser humano pelo mistério e pela onipotência – duas prerrogativas do Deus universal.

  2. Antonio Uchoa Neto

    2 de dezembro de 2025 10:42 am

    Nassif, o livro de Gustavo Barroso chama-se “Brasil, Colônia de Banqueiros”, disponível em https://archive.org/details/BrasilColC3B4niadeBanqueirosGustavoBarroso5B15D

    1. jc2001

      3 de dezembro de 2025 10:39 pm

      “Os palestinos estão em processo de eliminação física desde 1948. ”

      Após a guerra da independência de Israel, havia 150 mil árabes em Israel. Hoje há 2 milhões de árabes israelenses.
      Na Cisjordânia e Gaza havia 1 milhão de palestinos em 1949, e hoje há 5,5 milhões.
      Do rio ao mar, havia 1,1 milhão de palestinos, hoje há 7,5 milhões.
      Ou seja, a afirmação “os palestinos estão em processo de eliminação física desde 1948” não passa de teoria de conspiração anti-judaica e libelo de sangue.

      Isso contrasta com o número de judeus nos países árabes. De 850 mil no início do século XX, hoje há menos de 10 mil. Se incluirmos também países de maioria muçulmana que não são árabes, veremos que a limpeza étnica de judeus não foi muito diferente.

      1. Vladimir

        4 de dezembro de 2025 7:06 am

        Vamos aceitar esses números como verdadeiros já que a fonte não é citada. Quantos desses “palestinos” tem seu direito de ir e vir garantido? Quantos desses palestinos podem votar e ser votados? Quantos passam pela porteira do inferno todo santo dia somente para poder trabalhar no Estado santo de Israel?

    2. jc2001

      3 de dezembro de 2025 10:39 pm

      “Os palestinos estão em processo de eliminação física desde 1948. ”

      Após a guerra da independência de Israel, havia 150 mil árabes em Israel. Hoje há 2 milhões de árabes israelenses.
      Na Cisjordânia e Gaza havia 1 milhão de palestinos em 1949, e hoje há 5,5 milhões.
      Do rio ao mar, havia 1,1 milhão de palestinos, hoje há 7,5 milhões.
      Ou seja, a afirmação “os palestinos estão em processo de eliminação física desde 1948” não passa de teoria de conspiração anti-judaica e libelo de sangue.

      Isso contrasta com o número de judeus nos países árabes. De 850 mil no início do século XX, hoje há menos de 10 mil. Se incluirmos também países de maioria muçulmana que não são árabes, veremos que a limpeza étnica de judeus não foi muito diferente.

      1. Antonio Uchoa Neto

        4 de dezembro de 2025 9:48 am

        Se o amigo reduz o problema a uma questão demográfica, além de uma série de variáveis que devem ser consideradas, é de supor que está claro que populações despossuídas do que era seu tem que procurar meios e modos de sobreviver, e fazem isso deslocando-se para onde há trabalho. Eu, que sou nordestino, tenho claro que, quando minha família migrou para o sul e sudeste, eles sabiam que nortistas e nordestinos, lá, eram discriminados, achincalhados, desprezados, ridicularizados, e não considerados seres humanos. Creio que o mesmo se passa com os palestinos em Israel; a diferença é que o extermínio dos nordestinos se dá pelas mãos da pobreza e da criminalidade, por assim dizer, privada, e o dos palestinos é por genocídio, puro e simples. A menos que sua argumentação demográfica considere que os palestinos estão vivendo e prosperando, em Gaza, na Cisjordânia, ou onde quer que seja.

      2. Antonio Uchoa Neto

        4 de dezembro de 2025 10:04 am

        Se o amigo reduz o problema a uma questão demográfica, além de uma série de variáveis que devem ser consideradas, é de supor que está claro que populações despossuídas do que era seu tem que procurar meios e modos de sobreviver, e fazem isso deslocando-se para onde há trabalho. Eu, que sou nordestino, tenho claro que, quando minha família migrou para o sul e sudeste, eles sabiam que nortistas e nordestinos, lá, eram discriminados, achincalhados, desprezados, ridicularizados, e não considerados seres humanos. Creio que o mesmo se passa com os palestinos em Israel; a diferença é que o extermínio dos nordestinos se dá pelas mãos da pobreza e da criminalidade, por assim dizer, privada, e o dos palestinos é por genocídio, puro e simples. A menos que sua argumentação demográfica considere que os palestinos estão vivendo e prosperando, em Gaza, na Cisjordânia, ou onde quer que seja.
        E, como judeu progressista, você está na companhia de Ilan Pappé, Norman Finkelstein, Shaul Magid, Ella Shohat, Judith Butler, Breno Altman, Ruben Rosenthal, Noam Chomsky, Amos Harel, dentre inúmeros outros intelectuais e acadêmicos. Nenhum antissemita, todos radicalmente contrários à extrema-direita israelense, responsável por tudo isso.

  3. José de Almeida Bispo

    2 de dezembro de 2025 2:46 pm

    E o que traz, até hoje, a existência real judaica é exatamente a dupla Torá (traço de união; simbolo máximo identitário); e a “convivenzia”. A tolerância. O viver em qualquer lugar, com qualquer grupo. Todos os demais grupos étnicos da história humana, nasceram, cresceram e de uma forma ou de outra desapareceram. Quase sempre absorvidos, mas, até eliminados. Os judeus permanecem. Até agora. Os sionistas estão justamente preparando o fim disso.
    Sobre as teorias da conspiração: não esqueçam de as vigiar. Seu poderio é descomunal.

  4. jc2001

    3 de dezembro de 2025 11:17 pm

    Seria mais honesto e sensato admitir que a intersecção entre antissionismo radical e o antissemitismo é enorme. O problema do antissemitismo de esquerda infelizmente existe e deveria ser mais estudado e discutido pela esquerda. Ocorre que ou tenta-se desviar a atenção do problema (por exemplo, acusando a direita de instrumentalizar o antissemitismo sempre que surgem casos de líderes e pessoas de destaque da esquerda que expressam antissemitismo) ou o debate é sumariamente interditado sob os mais variados pretextos (comportamento que revela a presença ainda maior de antissemitismo).

    Como judeu progressista acho tudo isso lamentável e perigoso. Hoje não sinto-me seguro em muitos redutos esquerdistas. Também prefiro que minha filha frequente ambientes liberais e democráticos, ainda que entre pessoas majoritariamente de (centro) direita, isso pela sua segurança e não por afinidades ideológicas da minha parte.

    Votei a vida inteira em candidatos de esquerda e está cada vez mais difícil achar candidatos de esquerda que me convençam a não anular o voto pela primeira vez. Eu digo *não* para aqueles que defendem “boicotar negócios de judeus” como Genoíno e a todos os que passaram pano para aquela fala antissemita (em particular a ex-presidente do PT em quem já votei mais de uma vez e em quem nunca mais votarei). Digo não para quem defende a discriminação de israelenses, como boicotes culturais e científicos. E digo não para todos aqueles que apenas me aceitariam se eu negasse o apoio a autodeterminação dos judeus israelenses no território de Israel e seu direito de defesa contra os grupos financiados pelo regime teocrático do Irã.

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