8 de junho de 2026

Os pecados de Toffoli e a lógica da campanha contra o Supremo, por Luís Nassif

A intenção pode ser deduzida com um pouco de raciocínio: abrir espaço para uma nova Lava Jato e desestabilização das instituições
Foto de Rosinei Coutinho - STF

Campanha midiática usa escândalo Master-Toffoli para desestabilizar STF e atingir governo Lula em ano eleitoral.
Mídia destaca relações do banco Master com governo petista antes do escândalo, moldando narrativa contra Lula.
Supremo, antes aliado da Lava Jato, agora é alvo de campanha sistemática que visa minar sua autoridade democrática.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Sugiro aos leitores e amigos da mídia alternativa a releitura do meu artigo “Xadrez da caixa de pandora do STF e da mídia”. Pode ajudar a esclarecer a discussão em torno de alimentar ou não a campanha contra o Supremo Tribunal Federal.

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No artigo procuro explicar o papel do escândalo para a mídia e a conclusão final: o escândalo não é o fato, mas a decisão de como contar. 

A lógica dos críticos é óbvia: há sinais de que Dias Toffoli prevaricou e temos que ir até o fim.  Era óbvio que o caso Master-Toffoli serviria para deflagrar uma indignação crescente na opinião pública. A intenção final nunca é explícita, mas pode ser deduzida com um pouco de raciocínio: abrir espaço para uma nova Lava Jato e uma desestabilização final das instituições, visando, em última instância, atingir a Presidência da República em um ano eleitoral. 

A partir da dimensão conquistada pela campanha, a velha mídia define os alvos. Basta concentrar acusações ou insinuações em relação a quem quer atingir, e deixar de noticiar aquelas que não interessam ao seu objetivo final.

Uma das armas da campanha é a chamada “serialização” do tema. Ou seja, tratar de manter o tema diariamente no jornal. Basta conferir a home de “O Globo”. As manchetes principais são notícias requentadas do escândalo STF-Master. Mas a ênfase, agora, é sobre as relações do banco com membros do governo Lula, antes de ocorrer o escândalo.

Assim, um banco metido até a tampa com o centrão, gradativamente passa a ser mostrado, pela mídia, como banco envolvido com o governo Lula.

  • Visita de Vorcaro a Lula, conduzido por Guido Mantega, antes de se saber de suas manobras.
  • Contrato com escritório da família de Ricardo Lewandowski, antes de se saber de suas manobras.
  • Relações com o governo petista da Bahia, antes de se saber de suas manobras.

Pouco importa. O fato é criado pela decisão, da mídia, de como contar.

Por isso, quando se criticava a campanha da mídia, contra o Supremo, a intenção não era passar pano para os malfeitos de Toffoli, mas alertar para o jogo que viria pela frente. Mesmo porque o escândalo contra membros do STF depende exclusivamente dos interesses da mídia. Durante toda a Lava Jato, apareceram inúmeros episódios mal contados de vários ministros mas que foram escondidos pela mídia porque, na ocasião, o STF era parceiro da Lava Jato e das campanhas para destruir o PT, à custa de um estupro das regras jurídicas e constitucionais do país.

Agora, com todos seus defeitos, o Supremo tornou-se um baluarte na defesa da democracia. O caso Master está sendo utilizado com outros propósitos. Em vez de denúncias pontuais, campanha sistemática para tirar toda a autoridade do Supremo, em um ano decisivo para a luta democrática.

Aí os idiotas da objetividade dirão: mas como deixar passar os malfeitos de Toffoli. Não se trata de deixar passar, mas de não alimentar uma campanha que usa o tom moral para propósitos políticos, de desestabilização da democracia e do governo.

Colaboração do colega Sérgio Buarque:

A campanha contra o STF em que prevalece a primeira lei da dialética: tudo se relaciona

Jornais de hoje, 27/1

Casa usada por Toffoli em resort é mantida sem licença ambiental (Estadão)

Primo de Toffoli expandiu hospedagem de luxo ao lado de resort em Ribeirão Claro (PR) (Folha)

      Aguardemos as próximas notícias-bombas:
      Tia da irmã da vizinha do cunhado de Toffoli tem conta no Master
      Toffoli viu O agente secreto em cinema perto da sede do banco Master
       Mulher de Toffoli usou uma fita máster para gravar CD de pagode.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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14 Comentários
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  1. Anônimo

    27 de janeiro de 2026 5:59 pm

    Nassif, todos somos sabedores de sua competência jornalística e busca incansável da verdade dos fatos.
    Cuidado para não ser vítima do cuidado com a democracia em detrimento da punição de magistrados corruptos que agem em desserviço da mesma ordem democrática.
    Moro é o exemplo mais proeminente desta corja mas muito cuidado com os Moraes da vida.

  2. Paulo Dantas

    27 de janeiro de 2026 6:48 pm

    O povo também não ajuda, adora gente com grana…

    1. Rui Ribeiro

      28 de janeiro de 2026 8:27 am

      Acabou sobrando prás vítimas.

      Brecht já nos deu um conselho que usemos a palavra população em vez de povo.

      “(…)
      Quem em nosso tempo diz “população” em vez de “povo” e diz “proprieda-
      de da terra” em lugar de “solo”, só por isso já negou muitas mentiras. Tira
      das palavras sua mística preguiçosa. A palavra “povo” quer dizer uma certa
      unidade, e aponta para interesses comuns. Portanto, deveria ser utilizada
      somente quando se tratam de diversos povos, porque só nesse caso po-
      derá existir interesses comuns. A população de um território tem interes-
      ses distintos e contraditórios, e esta é uma verdade geralmente suprimida.
      Quem fala do solo, descrevendo apenas o cheiro da terra e a cor do cam-
      po, apoia também as mentiras dos dominadores. Porque as questões do
      campo não são fundamentalmente fertilidade do chão, nem do amor do
      homem à terra, nem do seu trabalho, mas principalmente do preço do trigo
      e da mão-de-obra.
      Os que colhem os lucros do solo não são aqueles que plantam o trigo, e o
      cheiro de terra é desconhecido na Bolsa de Valores. Esta cheira a algo bem
      diferente. A palavra certa a contrapor a campo é propriedade, termo com
      o qual pode-se enganar menos. O termo “disciplina” deve ser substituído
      por “obediência” nos lugares onde a opressão predomina, porque discipli-
      na também é possível sem um déspota e, consequentemente, tem um sig-
      nificado mais nobre do que obediência. Melhor que a palavra “honra” é a
      expressão “dignidade humana”. Com isso não se perde de vista o indivíduo
      tão facilmente. É bem sabido que espécie de ralé se aglomera a defender
      a “honra” de um povo! E como os afortunados distribuem honrarias sobre
      os que garantem sua fartura com a própria fome. A astúcia de Confúcio
      pode ser utilizada até hoje. Confúcio substituiu interpretações injustas de
      acontecimentos nacionais por outras mais justas. O inglês Thomas Moore
      descreveu em uma utopia um país no qual a justiça prevalecia — era um
      país bem diferente daquele em que ele vivia, mas que se parecia muito com
      ele exceto por essa condição.
      (…)”.

      1. Paulo Dantas

        28 de janeiro de 2026 12:19 pm

        O “povo” no caso é o povo do STF.

        Sempre tem amigos com grana, jatos, festas etc.

        1. Rui Ribeiro

          29 de janeiro de 2026 11:16 am

          Porventura, você é intelectual, Senhor Paulo Dantas?
          É que o Carnavalesco Joãozinho Trinta afirmou certa vez que ‘quem gosta de miséria é intelectual. Pobre gosta é de luxo”.

  3. JOSE RAIMUNDO

    27 de janeiro de 2026 10:56 pm

    “José Dirceu se serve em copo com logo do BRB em entrevista para site de esquerda” – mais uma notícia bomba envolvendo o Master

  4. Luiz Fernando Juncal Gomes

    28 de janeiro de 2026 12:23 am

    Operação Satiagraha
    A operação Satiagraha jogou no olho do furacão dois personagens, entre outros como o delegado Protógenes, notadamente o juiz Fausto Martin de Sanctis, que ousou mandar prender o banqueiro (mais um) Daniel Dantas, de quem nunca mais se ouviu falar.
    O juiz de Sanctis não tinha nenhum apreço pelos holofotes, muito pelo contrário, mas a dimensão e as circunstâncias do caso fez dele protagonista, ainda que involuntário.
    Pois bem, pouco tempo depois do episódio lembro de ter lido uma matéria de fonte fidedigna, talvez a revista Piauí, onde relatavam o perfil do juiz.
    Consta que ele recém investido no cargo de juiz foi nomeado para uma pequena cidade do interior de SP, acho que na região de Rio Preto ou Presidente Prudente, e ele percebeu que, como toda cidade pequena, recebia convites para festas de aniversário e eventos variados nos finais de semana, afinal era uma autoridade local.
    Porém, ele também constatou que, invariavelmente nesses eventos alguém se aproximava e como quem não quer nada começava a prosa sobre processos que rolavam no Forum local onde os que o abordavam eram partes interessadas, e aí começava a conversa mole. Assédio explícito.
    O que fez o juiz de Sanctis? Tomou uma decisão que eliminou o constrangimento, toda sexta-feira à noite pegava um ÔNIBUS da cidade onde estava e ia para São Paulo, e pegava o ônibus de volta no domingo à noite, chegava na segunda-feira de manhã e ia pro Forum trabalhar.
    O juiz Fausto Martin de Sanctis atualmente é desembargador ao TJ/SP.
    O ministro Edson Fachin não precisa fazer um Código de Ética para a magistratura, basta que os juízes brasileiros de todas as instâncias tenham um pouquinho, só um pouquinho de VERGONHA NA CARA, pra quem não tem nenhuma já é muito.
    E falta muita vergonha na cara dos juízes brasileiros, notadamente do STF.

    1. Rui Ribeiro

      28 de janeiro de 2026 9:28 am

      Fazer um código de ética para a magistratura é chover no molhado. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional, principalmente os arts. 35 e 36, torna desnecessário/supérfluo esse código ética fachiniano.

  5. Renato Lazzari

    28 de janeiro de 2026 1:30 am

    De fato, caro Nassif, está feio de ver (mais) essa investidura da barbárie falsamente moralista, seletivamente punitivista sobre nossas instituições…

    “Moraes na cadeia! Toffli na cadeia! Gilmar Mendes na cad… ops! Mendes não, que esse aí é empresário…

    Já conhecemos de velho, isso é nada mais do que o batidíssimo “funcionário público não presta”, sempre bradado por aqueles que, ao fim e ao cabo, querem apenas se eleger como… funcionários públicos. Só está faltando – por enquanto – um desses bárbaros de calças bem vincadas, penteadinho como um alexandre-vieira da vida, prometendo que “levará a eficiência, a competência e (se for muito cara de pau) a lisura, a transparência e a honestidade da iniciativa privada para o estado”…

    “Jorge Paulo Lehman para presidente! Marcel Telles, governador! E Carlos Sucupira presidente do STF!”

    1. Rui Ribeiro

      28 de janeiro de 2026 8:33 am

      Em discurso, Fachin afirma que o Brasil sofre com cultura de corrupção nos setores públicos e privados, Mas, mesmo assim, algum Nikolalau da vida pode prometer levar a eficiência, a competência e (se for muito cara de pau) a lisura, a transparência e a honestidade da iniciativa privada para o estado.
      Aí a gente passa óleo de peroba na cara desse Rato de Esgoto que vive às custas do trabalho alheio e do dízimo dos trouxas.

  6. Jose carlos lima

    28 de janeiro de 2026 3:04 am

    Como na Lava Jato, uma nova onda de moralismo, tal qual a que colocou no poder gente como Silvio Berlusconi, na Itália, e Bolsonaro no Brasil

    Sempre deu em m**** a tal campanha varre-varre vassourinha dos “puros” contra o “mar de lama”

    Junho de 2013 não acabou: e saber que o pais tem tem tudo para se firmar como uma das maiores evonomias do munfo e já sabemos que, toda vez que o Brasil começa a levantar a cabeça vem a cacetada dos EUA que nos quer como quintal pobre colonial submisso fornecedor de matérias primas

    Simples assim

  7. Rui Ribeiro

    28 de janeiro de 2026 8:22 am

    Sr. Jornalista Nassiff, eu acho que além de abrir espaço para uma nova Lava Jato e desestabilização das instituições, essa investida dos poderosos sanguessugas sociais do Brasil e de suas mídias contra o Toffolli/STF é para salvar os rentistas e a independência do Banco Central, para manter a taxa de juros na estratosfera. O pecado do Toffoli foi tentar acarear os manda-chuvas do Banco Central e os manda-chuvas do Master.

    Esse papo de Toffoli ter pego uma carona no mesmo avião que tinha um advogado do Master, da venda entre irmãos do Toffoli para alguma instituição ligada ao Master e as limitações de acesso a alguns peritos a fim de dificultar o vazamento de informações privilegiadas se muitos peritos tivessem acesso ao material são apenas pretextos para manter a independência do BC e as taxas de juros na estratosfera.

    A previsão é de que a inflação tá cedendo mas a taxa de juros não recua. Cada vez mais dinheiro no rabo dos banksters.

    Eu tô acabando de confeccionar alguns mísseis hipersupersônicos e manobráveis. Aí eu quero ouvir pelo menos um desses Ratos sanguessugas dos trabalhadores chiarem. Eu vou rachar a tabaca deles. Vdd. esse bilete.

  8. evandro

    28 de janeiro de 2026 8:32 am

    Nassif, meu lado Polyana acredita que o Toffoli nada fez de criminoso, se pensarmos em envolvimento explícito. Ainda acredito que foram opções de investimentos.
    Por outro lado, seria pra lá de oportuno e de bom tom que se declarasse impedido já de início, pouparia essa torrente de imbecilidades midiáticas.Mas, infelizmente, é abrir os portais e lermos dia sim e outro também, em que se transformaram nossos juízes e desembargadores.
    Gato escaldado tem medo de água fria.

  9. fabricio coyote

    28 de janeiro de 2026 9:17 am

    Nassif quer nos fazer crer que as “jornadas de 2013” não tiveram ativismo do supremo quando foi a partir das condenações no “mensalão” que a incentivaram.

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