É incrível a ausência de uma estratégia geopolítica na política de defesa. Desde que se foi Marco Aurélio Garcia – o grande estrategista geopolítico, ao lado de Celso Amorim – a política de defesa perdeu o rumo.
A última notícia é que a Força Aérea Brasileira (FAB) assinou, no dia 26 de janeiro de 2026, um acordo técnico com a americana GE Aerospace. O objetivo é garantir suporte contínuo aos motores dos caças F-39 Gripen E.
Ora, tem-se o seguinte quadro.
O Brasil tinha um programa de submarino nuclear em parceria com a França. Tudo devido à excelência das turbinas Arabelle, da francesa Alstom.
Em função desse acordo, a GE lançou uma campanha mundial contra a Alstom e conseguiu a parceria do Ministério Público Federal brasileiro. Uma investigação sobre a compra de equipamentos para o metrô paulista resultou em um processo contra o próprio governo da França.
A Alstom acabou vendendo a turbina para a GE. E, com isso, liquidou com uma das grandes indústrias nacionais, a Mecânica Pesada.
Nada disso foi considerado pela FAB, sequer a ofensiva da Lava Jato contra o Almirante Othon, pai do programa atômico brasileiro. Parte da tecnologia da Alstom foi fornecida pelo próprio Othon, autorizado pelo governo brasileiro, e em contato direto com o gabinete do presidente Sarkozy. Othon desenvolveu o método das ultracentrífugas, glória da tecnologia militar brasileira.
A própria escolha da Gripen foi resultado do enorme lobby dos EUA sobre a FAB. Na ocasião, a presidente Dilma Rousseff recusou os F15 dos Estados Unidos, devido à espionagem praticada pelo DHS em seus celulares.
Havia alternativas, mas o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, escolheu o Gripen, cuja aviônica dependia dos Estados Unidos.
Agora, em um momento em que a Política de Segurança Nacional dos EUA acena até com a possibilidade de invasão de países, em que amplia a cooperação militar com Argentina e com o Paraguai, a FAB opta por um sistema que poderá ser desligado em um apertar de botão.
Como foi o caso dos torpedos da Argentina, na guerra das Malvinas.
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José de Almeida Bispo
6 de fevereiro de 2026 4:26 pmContinuaremos mandando pães de açúcar e café in natura. QUER O QUE MAIS?
“O dólar deles paga o nosso mingau”.
Quer ver desgraça, vai ser quando essas prostitutas (com todo o respeito pelas trabalhadoras do sexo) resolverem, dessa vez se/nos entregar ao chinas.
Paulo Dantas
6 de fevereiro de 2026 7:11 pmMas os EUA não trabalharam contra os Gripen !?
Carlos Mathias
6 de fevereiro de 2026 8:06 pmA alma do seu artigo está correta, e a coisa vai muito além do motor. Mas há imprecisões várias sobre detalhes técnicos.
Entretanto, já é um feito enorme tocar nessa ferida podre das nossas Forças Armadas, que é a eterna dependência dos EUA.
Jorge
6 de fevereiro de 2026 10:12 pmNassif, Inês é morta neste caso. Os Gripen usam motores GE. Seria muito difícil achar uma outra empresa para dar manutenção nestes motores, e mesmo que a FAB tentasse outro fornecedor ou fazer por conta própria, a GE criaria inúmeras dificuldades o que poderia colocar a disponibilidade destas aeronaves em risco.
Isto devia ter sido levado em consideração na decisão de compra deste caça. E se tivesse sido, não restaria outra opção senão comprar os caças Shukhoi russos e, dado o embargo, também teríamos dificuldades para dar manutenção neles.
CESAR ANTONIO FERREIRA
7 de fevereiro de 2026 1:56 amQue coisa…
2026, passaram-se treze anos e o jornalista Luis Nassif viu a luz.
Demorou, mas viu.
Pois… Há cerca de 13 anos idos, quando da assinatura do contrato do então “Gripen NG”, redigi um comentário, extenso, sobre equívoco de se escolher a opção sueca numa postagem que tecia loas para a escolha. O impoluto jornalista, dono deste espaço, muito deve ter apreciado o comentário, visto ter alçado o mesmo para a categoria de “postagem”…
Pois, na coluna de comentários fui massacrado sem dó nem piedade e até de canalha me vi alcunhado.
O tempo passou e aí está a FAB encalacrada com apenas 9 caças recebidos… De 11 produzidos. A aeronave está sendo debugada, realizando ensaios digno de… Protótipos!
Estava errado?
Para quem tem curiosidade basta procurar por: “A Escolha Do Gripen NG É Um Erro Histórico”… Assinado por “Ilya Ehrenburg”, que era o meu heterônimo com o qual me apresentava em fóruns militares.
É… O tempo passa.
Infelizmente o “eu te disse” não traz recompensas, ao contrário, muito mais pedras.
CESAR ANTONIO FERREIRA
7 de fevereiro de 2026 2:22 amEm tempo: não era o F-15 o postulante norte-americano, mas o F-18E Super Hornet…
Marcus
7 de fevereiro de 2026 6:14 amOs comandos das forças de defesa do Brasil, são fãs dos EUA. Até um escritório de compras os militares mantêm nos EUA! Jamais seremos livres enquanto as cabeças que comandam o país permanecerem colonizadas. Olha o tipo que comandava o cobiçado posto na ” comissão” das forças armadas nos EUA. General Cid, o pai fotógrafo que divulgou sua foto na oferta da muamba do Bolsonaro. Assim fica difícil.
emerson57
7 de fevereiro de 2026 7:55 amExiste método e estratégia. Não acredita? Está na globo.
A milicada é entreguista e argentária. Aphinal “nóis semu elite”. E apreciamos bater continência para os gringos, terra da democracia e da liberdade!? E de Epstein.
O seu icone é bolçonário.
Trumpe, ai lovi u.
Ak47
7 de fevereiro de 2026 11:31 amAs forças armadas brasileiras tem o pior problema do mundo e não é falta de dinheiro É de MENTALIDADE. MENTALIDADE MEDÍOCRE.
Clecio Dias
7 de fevereiro de 2026 11:36 amMuito boa a matéria, obrigado.
Apenas ressalto que nessa área (aliás como em praticamente todas as áreas de domínio tecnológico) o Brasil patina no desenvolvimento próprio, o que nos deixa como reféns das potências tecnológicas, ou seja, não há alternativa imediata a utilizar uma tecnologia que pode ser desligada “em um apertar de botão”. Triste sina e que ainda demandará muitas décadas para ser superada (se é que algum dia será).
João Ferreira Bastos
7 de fevereiro de 2026 9:57 pmTodo militar brasileiro é traidor da pátria
Sergio Machado
11 de fevereiro de 2026 3:33 pmGosto muito do Nassif, concordo em bastante coisa com ele, mas neste caso dos Gripen talvez falte uns detalhes mais técnicos e de como funciona compras militares.
1º ponto é a logística.
FAB historicamente tem equipamentos, mão de obra e expertise em aeronaves americanas. Goste-se ou não, mas é realidade. Até a ferramentaria é voltada para esses tipos de aeronaves. Os motores são a parte crítica, com pouquíssimos fabricantes. Nesse momento é ruim depender da GE? Óbvio que sim, mas quais opções? Franceses, com o caríssimo RAFALE, russos e chineses. Esses, não temos cultura e a logística é complicada. Estes, ainda não possuem expertise, ainda operando motores baseados em russos.
2º ponto: TODAS as aeronaves de caça são ruins, porque todas envolvem tecnologias críticas e sensíveis, sujeitas a embargos, jogos geopolíticos e toda sorte de problemas. A única boa seria uma 100% nacional. Uma competitiva, nesse momento é impossível e inviável. O Gripen era o menor problema, e apesar de diferente do que o Nassif afirmou, a aviônica complexa é predominante de origem não americana. O WAD, HUD e HMD são nacionais (AEL), o radar e IRST italianos (SELEX), o armamento principal é francês (METEOR), o software de rede GDDN é sueco-brasileiro e o link de dados o BR2, feito pela FAB . Há componentes de origem americana? Sim, mas são secundários e podem ser substituídos. O grande problema é o motor GE, mas qual seria a outra opção? RAFALE era de custo proibitivo, tanto em hora de voo quanto em manutenção, muito embora na minha opinião era a melhor escolha, mas já dependíamos dos franceses nos submarinos. Depender também em outro item crítico como caças era demasiado arriscado.
Não obstante, o custo Gripen cabe no orçamento da FAB, e foi a menos pior escolha. Talvez no futuro e após uma maior integração que se inicia, possamos adquirir e operar sistemas críticos russos e chineses, mas nesse momento há de se ir com calma no tabuleiro geopolítico.
Cidadão sem cidadania
12 de fevereiro de 2026 11:30 amNão a falta de visão, a classe dominante civil e militar já escolheu uma lado , e fica claro que lula não manda nada, só a esquerda insiste em não ver , porque tá cega de paixão, lula e o pt destruíram Ciro na última eleição, por pura vaidade de lula em ser presidente de novo .