4 de junho de 2026

A incrível falta de visão geopolítica da FAB, por Luís Nassif

Os EUA acenam até com a possibilidade de invasão de países, e a FAB opta por um sistema que poderá ser desligado em um apertar de botão.
Divulgação FAB

FAB assinou acordo técnico com GE Aerospace para suporte aos motores dos caças F-39 Gripen E em 26/01/2026.
Brasil perdeu programa de submarino nuclear com França após GE e MPF atuarem contra a Alstom, vendendo turbinas à GE.
Escolha do Gripen, influenciada pelos EUA, pode comprometer soberania, pois sistema pode ser desligado remotamente.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

É incrível a ausência de uma estratégia geopolítica na política de defesa. Desde que se foi Marco Aurélio Garcia – o grande estrategista geopolítico, ao lado de Celso Amorim – a política de defesa perdeu o rumo.

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A última notícia é que a Força Aérea Brasileira (FAB) assinou, no dia 26 de janeiro de 2026, um acordo técnico com a americana GE Aerospace. O objetivo é garantir suporte contínuo aos motores dos caças F-39 Gripen E.

Ora, tem-se o seguinte quadro.

O Brasil tinha um programa de submarino nuclear em parceria com a França. Tudo devido à excelência das turbinas Arabelle, da francesa Alstom.

Em função desse acordo, a GE lançou uma campanha mundial contra a Alstom e conseguiu a parceria do Ministério Público Federal brasileiro. Uma investigação sobre a compra de equipamentos para o metrô paulista resultou em um processo contra o próprio governo da França.

A Alstom acabou vendendo a turbina para a GE. E, com isso, liquidou com uma das grandes indústrias nacionais, a Mecânica Pesada.

Nada disso foi considerado pela FAB, sequer a ofensiva da Lava Jato contra o Almirante Othon, pai do programa atômico brasileiro. Parte da tecnologia da Alstom foi fornecida pelo próprio Othon, autorizado pelo governo brasileiro, e em contato direto com o gabinete do presidente Sarkozy. Othon desenvolveu o método das ultracentrífugas, glória da tecnologia militar brasileira.

A própria escolha da Gripen foi resultado do enorme lobby dos EUA sobre a FAB. Na ocasião, a presidente Dilma Rousseff recusou os F15 dos Estados Unidos, devido à espionagem praticada pelo DHS em seus celulares.

Havia alternativas, mas o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, escolheu o Gripen, cuja aviônica dependia dos Estados Unidos.

Agora, em um momento em que a Política de Segurança Nacional dos EUA acena até com a possibilidade de invasão de países, em que amplia a cooperação militar com Argentina e com o Paraguai, a FAB opta por um sistema que poderá ser desligado em um apertar de botão.

Como foi o caso dos torpedos da Argentina, na guerra das Malvinas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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13 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    6 de fevereiro de 2026 4:26 pm

    Continuaremos mandando pães de açúcar e café in natura. QUER O QUE MAIS?
    “O dólar deles paga o nosso mingau”.
    Quer ver desgraça, vai ser quando essas prostitutas (com todo o respeito pelas trabalhadoras do sexo) resolverem, dessa vez se/nos entregar ao chinas.

  2. Paulo Dantas

    6 de fevereiro de 2026 7:11 pm

    Mas os EUA não trabalharam contra os Gripen !?

  3. Carlos Mathias

    6 de fevereiro de 2026 8:06 pm

    A alma do seu artigo está correta, e a coisa vai muito além do motor. Mas há imprecisões várias sobre detalhes técnicos.
    Entretanto, já é um feito enorme tocar nessa ferida podre das nossas Forças Armadas, que é a eterna dependência dos EUA.

  4. Jorge

    6 de fevereiro de 2026 10:12 pm

    Nassif, Inês é morta neste caso. Os Gripen usam motores GE. Seria muito difícil achar uma outra empresa para dar manutenção nestes motores, e mesmo que a FAB tentasse outro fornecedor ou fazer por conta própria, a GE criaria inúmeras dificuldades o que poderia colocar a disponibilidade destas aeronaves em risco.
    Isto devia ter sido levado em consideração na decisão de compra deste caça. E se tivesse sido, não restaria outra opção senão comprar os caças Shukhoi russos e, dado o embargo, também teríamos dificuldades para dar manutenção neles.

  5. CESAR ANTONIO FERREIRA

    7 de fevereiro de 2026 1:56 am

    Que coisa…
    2026, passaram-se treze anos e o jornalista Luis Nassif viu a luz.
    Demorou, mas viu.

    Pois… Há cerca de 13 anos idos, quando da assinatura do contrato do então “Gripen NG”, redigi um comentário, extenso, sobre equívoco de se escolher a opção sueca numa postagem que tecia loas para a escolha. O impoluto jornalista, dono deste espaço, muito deve ter apreciado o comentário, visto ter alçado o mesmo para a categoria de “postagem”…
    Pois, na coluna de comentários fui massacrado sem dó nem piedade e até de canalha me vi alcunhado.
    O tempo passou e aí está a FAB encalacrada com apenas 9 caças recebidos… De 11 produzidos. A aeronave está sendo debugada, realizando ensaios digno de… Protótipos!
    Estava errado?

    Para quem tem curiosidade basta procurar por: “A Escolha Do Gripen NG É Um Erro Histórico”… Assinado por “Ilya Ehrenburg”, que era o meu heterônimo com o qual me apresentava em fóruns militares.

    É… O tempo passa.
    Infelizmente o “eu te disse” não traz recompensas, ao contrário, muito mais pedras.

  6. CESAR ANTONIO FERREIRA

    7 de fevereiro de 2026 2:22 am

    Em tempo: não era o F-15 o postulante norte-americano, mas o F-18E Super Hornet…

  7. Marcus

    7 de fevereiro de 2026 6:14 am

    Os comandos das forças de defesa do Brasil, são fãs dos EUA. Até um escritório de compras os militares mantêm nos EUA! Jamais seremos livres enquanto as cabeças que comandam o país permanecerem colonizadas. Olha o tipo que comandava o cobiçado posto na ” comissão” das forças armadas nos EUA. General Cid, o pai fotógrafo que divulgou sua foto na oferta da muamba do Bolsonaro. Assim fica difícil.

  8. emerson57

    7 de fevereiro de 2026 7:55 am

    Existe método e estratégia. Não acredita? Está na globo.
    A milicada é entreguista e argentária. Aphinal “nóis semu elite”. E apreciamos bater continência para os gringos, terra da democracia e da liberdade!? E de Epstein.
    O seu icone é bolçonário.
    Trumpe, ai lovi u.

  9. Ak47

    7 de fevereiro de 2026 11:31 am

    As forças armadas brasileiras tem o pior problema do mundo e não é falta de dinheiro É de MENTALIDADE. MENTALIDADE MEDÍOCRE.

  10. Clecio Dias

    7 de fevereiro de 2026 11:36 am

    Muito boa a matéria, obrigado.
    Apenas ressalto que nessa área (aliás como em praticamente todas as áreas de domínio tecnológico) o Brasil patina no desenvolvimento próprio, o que nos deixa como reféns das potências tecnológicas, ou seja, não há alternativa imediata a utilizar uma tecnologia que pode ser desligada “em um apertar de botão”. Triste sina e que ainda demandará muitas décadas para ser superada (se é que algum dia será).

  11. João Ferreira Bastos

    7 de fevereiro de 2026 9:57 pm

    Todo militar brasileiro é traidor da pátria

  12. Sergio Machado

    11 de fevereiro de 2026 3:33 pm

    Gosto muito do Nassif, concordo em bastante coisa com ele, mas neste caso dos Gripen talvez falte uns detalhes mais técnicos e de como funciona compras militares.
    1º ponto é a logística.
    FAB historicamente tem equipamentos, mão de obra e expertise em aeronaves americanas. Goste-se ou não, mas é realidade. Até a ferramentaria é voltada para esses tipos de aeronaves. Os motores são a parte crítica, com pouquíssimos fabricantes. Nesse momento é ruim depender da GE? Óbvio que sim, mas quais opções? Franceses, com o caríssimo RAFALE, russos e chineses. Esses, não temos cultura e a logística é complicada. Estes, ainda não possuem expertise, ainda operando motores baseados em russos.
    2º ponto: TODAS as aeronaves de caça são ruins, porque todas envolvem tecnologias críticas e sensíveis, sujeitas a embargos, jogos geopolíticos e toda sorte de problemas. A única boa seria uma 100% nacional. Uma competitiva, nesse momento é impossível e inviável. O Gripen era o menor problema, e apesar de diferente do que o Nassif afirmou, a aviônica complexa é predominante de origem não americana. O WAD, HUD e HMD são nacionais (AEL), o radar e IRST italianos (SELEX), o armamento principal é francês (METEOR), o software de rede GDDN é sueco-brasileiro e o link de dados o BR2, feito pela FAB . Há componentes de origem americana? Sim, mas são secundários e podem ser substituídos. O grande problema é o motor GE, mas qual seria a outra opção? RAFALE era de custo proibitivo, tanto em hora de voo quanto em manutenção, muito embora na minha opinião era a melhor escolha, mas já dependíamos dos franceses nos submarinos. Depender também em outro item crítico como caças era demasiado arriscado.
    Não obstante, o custo Gripen cabe no orçamento da FAB, e foi a menos pior escolha. Talvez no futuro e após uma maior integração que se inicia, possamos adquirir e operar sistemas críticos russos e chineses, mas nesse momento há de se ir com calma no tabuleiro geopolítico.

  13. Cidadão sem cidadania

    12 de fevereiro de 2026 11:30 am

    Não a falta de visão, a classe dominante civil e militar já escolheu uma lado , e fica claro que lula não manda nada, só a esquerda insiste em não ver , porque tá cega de paixão, lula e o pt destruíram Ciro na última eleição, por pura vaidade de lula em ser presidente de novo .

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