4 de junho de 2026

Como a Selic a 15% inviabiliza o investimento produtivo no Brasil, por Luís Nassif

Projetos de infraestrutura, que exigem capital paciente e oferecem retornos ao longo de décadas, não conseguem competir com a renda fixa.
Reprodução

Pátria Investimentos enfrenta crise devido à alta da Selic a 15%, dificultando investimentos de longo prazo no Brasil.
Fundo migrou para crédito estruturado, mas juros altos e inadimplência crescente fragilizam essa estratégia.
Alta taxa de juros torna inviável investimento produtivo, limitando crescimento e exigindo subsídios governamentais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Pátria Investimentos, uma das maiores gestoras de ativos reais do país, enfrenta uma crise que expõe algo maior: a impossibilidade de qualquer solução de mercado para investimentos de longo prazo em uma economia com taxa básica de juros a 15%.

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A trajetória do Pátria ilustra a transformação brutal no ambiente de negócios. Originalmente focada em private equity — o investimento direto em empresas com horizonte de consolidação, valorização e posterior venda —, a gestora prosperou em um mundo que deixou de existir.

Esse mundo era sustentado por juros baixos, crédito abundante, valuations (valor de mercado) inflados e um mercado ativo de IPOs (oferta pública inicial de ações). A engrenagem funcionava: capital paciente entrava, empresas se consolidavam, múltiplos se expandiam, e a saída via abertura de capital coroava o ciclo com lucros expressivos.

Mas esse ciclo acabou.

A Nova Realidade

Com a Selic a 15%, os múltiplos de private equity encolheram drasticamente. Desinvestimentos ficaram mais difíceis e menos lucrativos. Os IPOs praticamente desapareceram do radar. Ativos comprados no auge do ciclo anterior agora exigem reprecificação para baixo, reduzindo a atratividade de toda a classe.

O horizonte de saída, antes previsível, foi empurrado indefinidamente para frente. Capital que deveria girar ficou preso. O modelo de negócio precisava ser reinventado.

A Ilusão do Crédito Estruturado

A resposta veio na forma de uma migração para fundos de crédito privado. Operações estruturadas, lastreadas em recebíveis, protegidas por garantias contratuais — teoricamente mais seguras, mais líquidas, mais adequadas ao novo ambiente.

Esses fundos cresceram aproveitando o vácuo deixado pelos bancos tradicionais, que retraíram suas carteiras de crédito. Empresas buscando financiamento alternativo encontraram gestoras dispostas a assumir o risco.

Mas a combinação de juros elevados com desaceleração econômica revelou a fragilidade dessa estratégia.

A Progressão da Deterioração

O roteiro é previsível. Empresas tomadoras enfrentam queda no fluxo de caixa. A inadimplência sobe. Garantias que pareciam sólidas revelam fragilidades invisíveis durante a estruturação.

Então começa a longa caminhada da negação contábil.

Primeiro, a renegociação das condições. Depois, a extensão do prazo de pagamento. Em seguida, a reclassificação nos balanços. Só muito depois — quando não há mais escapatória — o reconhecimento efetivo da perda.

Essa sequência cria uma ilusão de estabilidade. No caso do Pátria, essa ilusão relaxa a tensão no presente, mas carrega o risco para o futuro.

O Risco Sistêmico

A migração de capital para crédito estruturado é fenômeno global, mas no Brasil enfrenta um agravante: juros estruturalmente elevados, não apenas ciclicamente altos.

Quando o crédito estruturado cresce demais, o gestor de recursos se transforma em banco sem banco central. Assume risco de crédito sistêmico sem rede de proteção. Opera em um mercado onde a regulação corre permanentemente atrás do fato consumado.

A Impossibilidade Fundamental

A crise do Pátria não é apenas gerencial ou setorial. Ela demonstra uma impossibilidade fundamental: com a taxa básica de juros a 15%, não existe solução de mercado viável para investimentos produtivos de longo prazo.

Projetos de infraestrutura, que exigem capital paciente e oferecem retornos distribuídos ao longo de décadas, simplesmente não conseguem competir com a renda fixa. Por que assumir risco operacional, regulatório e de execução para buscar retornos de 12% a 15% ao ano quando títulos públicos entregam 13% sem risco?

A resposta racional do capital é clara: migrar para aplicações líquidas e seguras. O investimento produtivo fica restrito a nichos ou depende de subsídios governamentais disfarçados.

O Impasse

O Brasil se encontra preso em um impasse. Precisa de investimentos em infraestrutura para crescer. Mas mantém uma estrutura de juros que torna esses investimentos economicamente irracionais para o setor privado.

Gestoras como o Pátria tentaram contornar essa contradição com engenharia financeira cada vez mais sofisticada. Mas engenharia financeira não resolve problemas macroeconômicos estruturais. Apenas adia e, frequentemente, amplifica suas consequências.

A crise atual não é acidente de percurso. É o resultado inevitável de tentar sustentar investimentos de longo prazo em uma economia de juros de curtíssimo prazo.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. JOTA.MARCELO

    11 de fevereiro de 2026 8:50 am

    Nassif,político é bicho corporativo,as taxas absurdas é a forma q encontraram para LIMITAR O PAÍS,sendo assim manter a miséria e problemas do pais ao qual quem ganha são os próprios politicos parasitas,Nassif em qual país do mundo se defende os juros altos?Pois aqui eu vi vários defendendo isto só pq foi o pt q levantou esta bola e o q aconteceu?Os juros extorsivos só aumentaram sem ng dos interessados dar um minimo de apoio a esta bandeira,aqui já está incrustado na socieedade a TÉCNICA NAZISTA DO MAL MAOIR(lula e pt)e por isto vale tudo contra eles igual Hitler fez com os judeus,isto vem desde mensalão se intensificou e solidificou com a lavajato,Nassif esta questão de juros vem desde fhc e vcs jornalistas deixaram a coisa se solidificar,nossos empresários estão muito preocupados em descet a lenha no pt e lula sucumbindo a guerra psicológica do que realmente verem o pq q estão sendo sufocados estruturalmente falando como aceitam acabarem com o poder aquisitvo do povo,acabarem com nossas indústrias mas na mente deles os culpados são sempre os mesmos kkkk eu acho um barato tudo isto,são tão letrados e entendidos q não enxergam o básico bem nas suas frentes !!!

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    11 de fevereiro de 2026 8:52 am

    Com a SELIC a 15% AA e inflação anual na faixa de 4%, atende a dois objetivos do sistema financeiro. O primeiro é a escandalosa rentabilidade do capital improdutivo e o segundo é manter a economia em patamares baixos, pois não interessa ao clube da usura taxas de crescimento que transforme o setor produtivo politicamente mais relevante que os chupistas finaceiros ou se preferirem os especuladores do clube da usura.

    1. Milton

      13 de fevereiro de 2026 8:58 am

      Perfeito. Cacetada eficiente e eficaz.

  3. Aaron Schwartz vive

    11 de fevereiro de 2026 11:16 am

    O q explica o Bolso só fazer destruição,roubo e fazer NADA CONSTRUTIVO no Brasil e ainda ter forte apoio aqui?Técnica nazista de lavagem cerebral em uma guerra psicológica invisível travada pela bigtechs em um projeto experimental de sucesso q teve como embrião a lavajato,conseguiram apagar da memória de muitos do povão e empresários os RECENTES sucessos de Lula nos governos pré lavajato ,quem não se lembra de toda semana no Brasil terem ataques em escolas aqui no País?ALGO Q NUNCA OCORRERA, mas naturalizavam todo tipo de abuso pq a CULPA É DO LULA kkkk !!!

  4. Marcelo José

    11 de fevereiro de 2026 11:51 am

    Sim caro Aaron um exemplo simples aqui,os algoritmos facilmente identificam o seu time,nos shorts do youtube mosttam a vc um fake news cabeludo sobre o seu time para lhe despertar geralmente um sentimento de indignação e ódio fica mais fácil dominar a mente dos mais fracos assim ai toda a rede de ódio nazista se movimenta se retroalimentando intensamente,é por isso q bolosonaristas vivem uma realidade paralela e já vem em suas mente “Mas e o Lula”,após o enfrentamento da Justiça Suprema sobre este tema bigtechs,as falas do Lula e a aproximação com Thuamp isto diminuiu bem pq estava colocando em risco o modelo de negócios dos bilionários americanos ,estava conscientizando muito a todos contra a “noticia verdadeira”massante sufocante dos donos do mundo tipo a da Pandemia,eles estão quietos agora só esperando o momento certo para IMPLANTARRM os seus planos,AFF !!!

  5. Rui Ribeiro

    11 de fevereiro de 2026 2:56 pm

    “Por que mesmo com taxas de juros estratosféricas, a gente continua assistindo a essa dificuldade para conseguir produzir a convergência da inflação para a meta e uma economia tão resiliente para uma taxa de juros tão elevada?” – Galípolo

    Ora, Sr. Galípolo, a dificuldade de conseguir fazer a inflação convergir para a meta é justamente por conta da taxa de juros estratosférica, o que faz com que as pessoas prefiram investir na especulação em detrimento da produção, o que prejudica a oferta. Como a inflação poderia ceder sem investimento na produção e consequente elevação da oferta?

    Que perguntinha imbecil

  6. Rui Ribeiro

    11 de fevereiro de 2026 3:00 pm

    “Por que mesmo com taxas de juros mais elevadas, a gente continua assistindo a essa dificuldade para conseguir produzir a convergência da inflação para a meta e uma economia tão resiliente para uma taxa de juros tão elevada?” – Galípolo

    Ora, porque taxa de juros elevada e inflação elevada formam um círculo vicioso, retroalimentando-se mutuamente, em vez de serem mutuamente excludentes.

  7. J.marcelo

    11 de fevereiro de 2026 4:12 pm

    CPM TRÊS MOVIMENTAÇÕES NOSSAS NA INTERNET OS ALGORITMOS TÊM CHANCES DE INCRÍVEIS MAIS DE 50 POR CENTO DE NOS INFLUENCIAR,É UM JOGO PERDIDO,NÃO PODE HAVER SISTEMAS COM O OBJETIVO DE NOS INDUZIR E ENTRAR NA NOSSA MENTE E ALGO MUITO PESSOAL E INVIOLÁVEL D3 CADA INDIVÍDUO AFF,NECESSÁRIO É PROIBIR AS ELEIÇÕES NA INTERNET VISTO Q NA VIDA REAL PROIBIRAM CARTAZES E FOLHETOSAQUI NO BRASIL BENEFICIANDO CANDIDATOS ENDINHEIRADOS QUE TRATAM A COISA PÚBLICA COMO SE FOSSEM AS SUAS EMPRESAS,BENEFICIANDO SÓ O SEU CÍRCULO DE IRMÃOS,É POR ISSO Q ENTRAM NA POLÍTICA,ÉMUITO DINHEIRO Q ROLA !!!

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