4 de junho de 2026

Bernardo Kucinski analisa feridas da ditadura e o futuro do jornalismo em entrevista a Luís Nassif

Escritor detalha falhas estratégicas na resistência armada e usa ficção para dar voz aos desaparecidos políticos do regime

Bernardo Kucinski lançou “O Congresso dos Desaparecidos”, livro que dá voz às vítimas da ditadura militar.
Kucinski criticou a Guerrilha do Araguaia, destacando falhas e repressão brutal com ordens de não deixar sobreviventes.
O jornalista vê o Brasil melhor em direitos, mas alerta para a persistência do bolsonarismo e o papel do jornalismo.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Em entrevista ao canal TV GGN, no Youtube, o jornalista e escritor Bernardo Kucinski revisitou os fantasmas da ditadura militar brasileira e compartilhou suas percepções sobre o cenário político e midiático atual. O ponto central da entrevista conduzida por Luís Nassif foi o lançamento de suas obras mais recentes, com destaque para “O Congresso dos Desaparecidos”, livro que utiliza a ficção e elementos de espiritualidade para dar voz às vítimas do regime.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Kucinski não poupou críticas à condução da Guerrilha do Araguaia pelas lideranças do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na época. O autor classificou a iniciativa como um “projeto absurdo”, revelando que a operação já nasceu comprometida: antes mesmo do início dos combates, a CIA havia fotografado os militantes durante treinamentos na China, e o Exército Brasileiro já possuía esses registros.

Segundo o escritor, cerca de 60 jovens brilhantes foram sacrificados em uma estrutura mal elaborada que durou seis anos de um “fingimento” de vida camponesa, sem nunca chegar a formar uma coluna guerrilheira de fato. Kucinski enfatizou a crueldade da repressão, mencionando uma ordem direta de Brasília para que não houvesse sobreviventes, o que resultou em torturas e execuções pelas costas, crimes que ele define como “hediondos”.

Ficção, Espíritos e Resistência

A obra de Kucinski traz uma abordagem literária singular ao tratar dos desaparecidos. Inspirado por um congresso real de familiares de vítimas, ele concebeu um “congresso dos próprios espíritos”, onde figuras como Rubens Paiva, David Capistrano e o ex-militar Onofre se manifestam como espectros. Essa narrativa busca conectar a luta política da década de 70 às raízes históricas da resistência indígena e africana no Brasil. O autor também mencionou o caso do delegado Sérgio Fleuri, cuja morte classificou como uma provável “queima de arquivo” por ele saber demais sobre os porões da ditadura.

O Estado da Democracia e do Jornalismo

Ao analisar o Brasil contemporâneo, Kucinski demonstrou uma visão mista. Embora considere o país “infinitamente melhor” em termos de educação e direitos das minorias, ele expressou forte preocupação com a permanência do bolsonarismo, que descreveu como uma “experiência nefasta” e resiliente. Ele inseriu esse movimento em um contexto global de ascensão da extrema-direita, que se apresenta de forma articulada em diversas regiões do mundo.

Sobre o ofício que exerceu por décadas, Kucinski trouxe uma “boa notícia”: o jornalismo não morreu. Após um período de afastamento para se dedicar à ficção, o autor voltou a consumir imprensa internacional e nacional, notando que a profissão se reciclou para a era digital. Para ele, o jornalismo mantém sua função social essencial de denunciar regimes autoritários, corrupção e violações de direitos humanos, apesar da persistência de clichês e da forte influência da cultura ocidental dominante.

Assista a entrevista completa abaixo:

Nota da redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transcrever o conteúdo original produzido pelo canal TV GGN, no Youtube. O uso de I.A. não dispensa a apuração, revisão e edição dos textos pela equipe de jornalistas.

Leia mais:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados