Em entrevista ao canal TV GGN, no Youtube, o jornalista e escritor Bernardo Kucinski revisitou os fantasmas da ditadura militar brasileira e compartilhou suas percepções sobre o cenário político e midiático atual. O ponto central da entrevista conduzida por Luís Nassif foi o lançamento de suas obras mais recentes, com destaque para “O Congresso dos Desaparecidos”, livro que utiliza a ficção e elementos de espiritualidade para dar voz às vítimas do regime.
Kucinski não poupou críticas à condução da Guerrilha do Araguaia pelas lideranças do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na época. O autor classificou a iniciativa como um “projeto absurdo”, revelando que a operação já nasceu comprometida: antes mesmo do início dos combates, a CIA havia fotografado os militantes durante treinamentos na China, e o Exército Brasileiro já possuía esses registros.
Segundo o escritor, cerca de 60 jovens brilhantes foram sacrificados em uma estrutura mal elaborada que durou seis anos de um “fingimento” de vida camponesa, sem nunca chegar a formar uma coluna guerrilheira de fato. Kucinski enfatizou a crueldade da repressão, mencionando uma ordem direta de Brasília para que não houvesse sobreviventes, o que resultou em torturas e execuções pelas costas, crimes que ele define como “hediondos”.
Ficção, Espíritos e Resistência
A obra de Kucinski traz uma abordagem literária singular ao tratar dos desaparecidos. Inspirado por um congresso real de familiares de vítimas, ele concebeu um “congresso dos próprios espíritos”, onde figuras como Rubens Paiva, David Capistrano e o ex-militar Onofre se manifestam como espectros. Essa narrativa busca conectar a luta política da década de 70 às raízes históricas da resistência indígena e africana no Brasil. O autor também mencionou o caso do delegado Sérgio Fleuri, cuja morte classificou como uma provável “queima de arquivo” por ele saber demais sobre os porões da ditadura.
O Estado da Democracia e do Jornalismo
Ao analisar o Brasil contemporâneo, Kucinski demonstrou uma visão mista. Embora considere o país “infinitamente melhor” em termos de educação e direitos das minorias, ele expressou forte preocupação com a permanência do bolsonarismo, que descreveu como uma “experiência nefasta” e resiliente. Ele inseriu esse movimento em um contexto global de ascensão da extrema-direita, que se apresenta de forma articulada em diversas regiões do mundo.
Sobre o ofício que exerceu por décadas, Kucinski trouxe uma “boa notícia”: o jornalismo não morreu. Após um período de afastamento para se dedicar à ficção, o autor voltou a consumir imprensa internacional e nacional, notando que a profissão se reciclou para a era digital. Para ele, o jornalismo mantém sua função social essencial de denunciar regimes autoritários, corrupção e violações de direitos humanos, apesar da persistência de clichês e da forte influência da cultura ocidental dominante.
Assista a entrevista completa abaixo:
Nota da redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transcrever o conteúdo original produzido pelo canal TV GGN, no Youtube. O uso de I.A. não dispensa a apuração, revisão e edição dos textos pela equipe de jornalistas.
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