Nas eleições de 2026, uma atuação isenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estará ameaçada por sua atual presidente, a ministra Cármen Lúcia, e, posteriormente, por seu sucessor, Kassio Nunes Marques. Ouso afirmar que os maiores riscos residem em Cármen Lúcia.
No julgamento das ações contra a escola de samba de Niterói, suas declarações soaram como ameaça explícita. A ministra comparou o cenário de possíveis ilegalidades no Carnaval a uma “areia movediça”, advertindo que o ambiente festivo favorece que candidatos e partidos adentrem um terreno perigoso de excessos e abusos.
É mais uma demonstração do estilo Cármen Lúcia: um bambuzal que se verga conforme os ventos da cobertura jornalística.
No Mensalão, foi fiel seguidora do relator Joaquim Barbosa, endossando suas arbitrariedades e ilegalidades. Na Lava Jato, revelou-se a mais implacável dos ministros do Supremo, rendendo-se à adulação das Organizações Globo, que enaltecia seus dotes de frasista e sua “mineiridade”.

Era um jogo de lisonja explícito, que envolvia completamente a ministra. A ponto de ela contratar como assessor o responsável por um blog de frases feitas. Embalada por esse apoio, Carmen Lúcia viveu momentos de apoteose: atacou o presidente do Senado por críticas dirigidas a um juiz de primeira instância e chegou a cogitar a convocação do Estado-Maior das Forças Armadas e dos ministérios da Justiça e da Defesa para finalidade indefinida.
O papel na Lava Jato
Nada, porém, foi mais revelador de sua personalidade do que as idas e vindas em torno da Lava Jato.
Em janeiro de 2018, como presidente do STF, Cármen Lúcia negou dois habeas corpus preventivos impetrados por estudantes de Direito em favor de Lula, após sua condenação em segunda instância pelo TRF-4.
Valeu-se, em seguida, de todos os subterfúgios para evitar que o plenário votasse a questão da prisão após sentença em segunda instância — tema que, se julgado, poderia ter beneficiado Lula e aberto caminho para sua candidatura em 2018. Em vez disso, submeteu ao colegiado o habeas corpus de Lula, remédio juridicamente mais restrito e de aprovação muito mais improvável. O HC foi negado por seis votos a cinco, com Carmen Lúcia garantindo o voto decisivo. A votação pavimentou a futura vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.
O envolvimento direto com a operação
Gravações da Operação Spoofing apontaram indícios de que Cármen Lúcia orientou membros da Lava Jato a não cumprirem uma ordem do TRF-4 que determinava a soltura de Lula, em 2019. Segundo relato de Deltan Dallagnol reproduzido nas interceptações: “Cármen Lúcia ligou para Jungman e mandou não cumprir, e teria falado também com Thompson” — referência ao então presidente do TRF-4, Thompson Flores. O episódio ocorreu no fim de semana em que o desembargador Favreto ordenou a soltura de Lula e foi barrado por uma ação irregular do próprio presidente do tribunal.
Além disso, em entrevista à revista Veja, o hacker Walter Delgatti — responsável pelos grampos da Operação Spoofing — afirmou ter tido acesso a um grupo de WhatsApp do qual participavam Cármen Lúcia e Rosa Weber. Segundo ele, Cármen Lúcia teria comentado a morte do neto de Lula (que ela teria confundido com sobrinho) com a frase: “Quem faz mal a outrem, um dia o mal retorna, e pode ser até no sobrinho.” Ainda de acordo com Delgatti, a observação teria levado Rosa Weber a abandonar o grupo imediatamente. As afirmações merecem o devido crivo crítico.
A atuação de Cármen Lúcia na Lava Jato está marcada por arbitrariedades — devidamente acompanhadas de frases de efeito, como a que cunhou no voto que decretou a prisão do senador Delcídio do Amaral: “O escárnio venceu o cinismo.”
As suspeitas
Em temas menos expostos politicamente, a presidência de Carmen Lúcia carrega ao menos um episódio de grave suspeição: o caso do pipeline farmacêutico. Tratava-se de um julgamento sobre medida tomada durante a gestão José Serra no Ministério da Saúde, que concedeu direitos de patente a medicamentos cujas patentes já haviam expirado até nos países de origem. Sem a cobertura da mídia, o episódio teria o porte de um grande escândalo da Justiça brasileira. O caso foi detalhado no artigo “Xadrez de Cármen Lúcia, uma cidadã acima de qualquer suspeita“, de 13 de setembro de 2018.
O bambuzal muda de novo
Quando os áudios da Spoofing vieram a público, cessou o apoio da Globo à Lava Jato — e Cármen Lúcia mudou de posição. De defensora intransigente dos abusos da operação, tornou-se crítica. Em agosto de 2019, surpreendeu os colegas: integrante da Segunda Turma do STF e aliada constante de Luiz Edson Fachin na defesa da Lava Jato, mudou subitamente de opinião e abriu caminho para a anulação da operação. Em março de 2021, seu voto foi decisivo no julgamento que reconheceu a parcialidade de Sérgio Moro no processo contra Lula.
Agora, desenha-se um novo quadro. A Globo tenta ressuscitar a Lava Jato por meio da Operação Master, e volta a articular a mesma soma de interesses que deu origem àquela operação. Nas últimas semanas, o noticiário da emissora foi marcado por uma enxurrada de entrevistas com Cármen Lúcia, realçando sua espirituosidade, seus dotes de frasista e seu perfil de “mineirinha”. E Cármen Lúcia respondeu na mesma moeda — com o discurso ameaçador sobre o desfile da escola de samba.
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Rui Barbosa
16 de fevereiro de 2026 2:13 pmEla e o $érgio Moro foram homenageados por um cafetão
Paulo Dantas
16 de fevereiro de 2026 3:13 pmMas …. Pode atacar o STF !?
🙂
Joao Gomes
16 de fevereiro de 2026 7:04 pmNassif esqueceu de outra singularidade. Ela costuma citar que ao apanhar um taxi procura saber a opinião do profissional do volante acerca da alta corte que, segundo ela, não são favoráveis e a deixam deveras preocupada.
emerson57
16 de fevereiro de 2026 11:10 pmFraca de convicções e de auto critica. Tivesse alguma,, ao ver sua bunda exposta dessa forma aqui no GGN se aposentaria imediatamente e iria contribuir com o grupo de voluntárias do bairro. Seria muito mais util.
Vá pela sombra.
Luiz Fernando Juncal Gomes
17 de fevereiro de 2026 1:08 amLuiz Fernando Juncal Gomes
22 de julho de 2025 5:05 pm
Responder
Prezado Analista, permita-me um adendo. Sim, foi o Dirceu quem indicou o Barbosa. Como ele chegou nesse nome? O maldito identitarismo.
Aberta a vaga no STF, Lula dispara ao Zé Dirceu: Quero um negro!
Chegou aos ouvidos do J. Barbosa a demanda entregue ao Dirceu.
Joaquim Barbosa cruza com o Dirceu no aeroporto de Brasília e atropelou-o e se apresentou. Afinal, ele tinha o maior requisito possível para ocupar uma cadeira no STF. O saber jurídico, e principalmente o EQUILÍBRIO EMOCIONAL? Dane-se
Dirceu pediu que ele fosse ao eu gabinete. Barbosa levou um chá de cadeira por horas, do qual iria se vingar de forma cruel e avassaladora. Foi selecionado pelo único critério do identitarismo, ninguém sabia NADA do seu passado e de seu precário saber jurídico, era negro e ponto.
No livro Os Onze, Felipe Recondo e Luiz Weber, Cia. das Letras (2019) há um relato pungente sobre como a Carminha foi “selecionada” para o STF, pág. 146/147:
“Informado, Lula chamou Carmen Lúcia ao Planalto. Ela chegou cedo, antes de Thomaz Bastos.”Foi a única [entre os aspirantes ao STF] a ser recebida sozinha pelo presidente no gabinete”, disse Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete de Lula. Hábil, capaz de quando quer, envolver o interlocutor com boas histórias e simpatia, Carmen Lúcia contou ao presidente que fora uma criança pobre, que fazia bonecas com espigas de milho. Sentimental, sem formação jurídica, Lula estabeleceu uma imediata conexão com a postulante, que deixou o Planalto já indicada. ”
E assim vai. Recomendo o livro.
Avel Alencar
17 de fevereiro de 2026 6:42 amEla é um bambuzal que só verga para a diteita. Uma fascistinha de fala mensa.
AMBAR
17 de fevereiro de 2026 11:31 amAê, Juncal, ele era um negão que falava alemão! Não vamos acusá-lo de “falta de requisitos”. Talvez excesso, mas falta não. Era advogado também (provavelmente) e, convenhamos, vida de negão pobre “não é brinquedo, não”.
AMBAR
17 de fevereiro de 2026 11:53 amDiz a lenda que Cármen Lúcifer teve uma infância tão “pobrinha” que brincava com espigas de milho porque não tinha boneca.
Comovente e esclarecedor esse relato traz muitas informações sobre a natureza “adaptável “da magistrada.
Adaptável e inteligente, Cármen brincava com um alimento nutritivo e de múltiplas funções. Vejamos que depois que brincava com a “filha de milho” a pequena podia alimentar-se dela, e após, ainda aproveitar o sabugo que, como sabemos, tem mais três utilidades: limpa, coça e penteia, como dizia o saudoso humorista “Nhô Moraes”.
Rui Ribeiro
18 de fevereiro de 2026 4:30 pmVocê já utilizou o sabugo, Âmbar? Você parece que nasceu urbano e nunca foi ao campo, exceto comer melancias.
AMBAR
19 de fevereiro de 2026 7:21 pmAfff!!!
Faço esse comentário desde os tempos da Lava Jato.
Helio
17 de fevereiro de 2026 12:55 pmNassif, não dá pra entender a globo , logo ela que aceitou milhões de reais para exibir e fazer propaganda do Master , como se o melhor banco …
José de Almeida Bispo
18 de fevereiro de 2026 8:03 amO Brasil é um milagre!
AMBAR
18 de fevereiro de 2026 2:04 pmA Carmen ilustrada pela IA no topo da matéria ficou linda. Como a Carmen Lúcia tem dinheiro suficiente para qualquer harmonização facial, podia aproveitar a sugestão enquanto há tempo.
Morvan
18 de fevereiro de 2026 7:04 pmAí, eu não posso perder a ocasião:
— “Dona Carmen, qual a diferença entre a mulher, a bicicleta e o bambu?
— “Sei não”.
— “É porque a bicicleta…”.
— “E o bambu?”
Censurado.