Um dos sintomas mais óbvios da hipocrisia, na cobertura do escândalo Master, são as críticas à atitude do Ministro Alexandre de Moraes, de ordenar uma investigação sobre o vazamento de dados da Receita.
É o mesmo lero-lero de sempre. “Ministros do STF” (quem? quando? onde?) manifestam “desconforto” com a atitude de Moraes. E o jornalista se escuda no off em um momento em que as afirmações em off foram completamente desmoralizadas. Antes, eram oficiais “incomodados” por A, B, qualquer coisa. Certamente não era um general do alto comando. Era apenas um militar sem coragem de manifestar uma opinião pública, ou até um vizinho da reserva, manifestando uma opinião individual. Ou ninguém. Mas o “incomodado” era aplicado ao conjunto de militares.
Agora, dia vai, dia vem, aparecem Ministros “incomodados”. Incomodados com o quê? Com a iniciativa de investigar vazamento de informações fiscais de Ministros do STF? Seria crime em qualquer hipótese. Contra Ministros do Supremo, e familiares, é crime gravíssimo. É evidente que não existe nenhum Ministro “incomodado” com essa atitude.
Uma coisa são as suspeitas que pesam sobre Moraes. Outra, é a quebra do sigilo fiscal, ainda mais de autoridades do Supremo. É crime, em qualquer circunstância: é crime.
Tome-se o caso do vazamento de dados fiscais de Verônica Serra, filha de José Serra, durante a campanha eleitoral de 2010. O caso levou, imediatamente, à investigação pela Polícia Federal e pela Corregedoria da Receita Federal. Houve abertura de sindicâncias e análise da responsabilidade dentro da Receita. Depois, o caso foi remetido para o Ministério Público Federal.
O resultado foi que a servidora que acessou os dados foi demitida do serviço público e denunciada por violação do sigilo funcional. O despachante tributário foi denunciado por participação na violação e uso indevido dos dados.
Ora, em uma democracia sigilo fiscal não é privilégio de político, é pilar institucional. O sigilo fiscal funciona como um freio institucional contra perseguições políticas, chantagens ou uso seletivo de informações.
Sem ele, abre-se espaço para: dossiês informais, vazamentos estratégicos, uso eleitoral de dados sigilosos. A história brasileira já mostrou como isso pode virar arma política.
Dizer que um Ministro do STF abusa do poder ao mandar investigar a quebra de sigilo fiscal dele e de outros Ministros é de uma falta de discernimento total. Atribuir a opinião a outro Ministro do Supremo é desonestidade jornalística. Ainda mais sabendo-se que, desde a Lava Jato, há uma infiltração de lava jatistas em todos os poros do Estado, especialmente na PF e na Receita.
Segundo a nota do Supremo, todas as decisões do STF foram provocados pela Procuradoria Geral da República:
Esses diversos e múltiplos acessos ilegais, conforme destacado pela Procuradoria-Geral da República, “apresentam aderência típica inicial ao delito previsto no art. 325 do Código Penal (violação de sigilo funcional)”, porém “o caso não se exaure apenas na violação individual do sigilo fiscal, uma vez que a exploração fragmentada e seletiva de informações sigilosas de autoridades públicas, divulgadas sem contexto e sem controle jurisdicional, tem sido instrumentalizada para produzir suspeitas artificiais, de difícil dissipação”.
A pedido da Procuradoria-Geral da República, o Supremo Tribunal Federal decretou as seguintes medidas cautelares em relação aos servidores da Receita Federal, ou cedidos por outros órgãos, Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes: (a) busca e apreensão domiciliar e pessoal, (b) afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático, (c) proibição de se ausentar da Comarca e recolhimento domiciliar no período noturno e nos finais de semana mediante uso de tornozeleira eletrônica, (d) afastamento imediato do exercício da função pública, proibição de ingresso nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) e da Receita Federal do Brasil e proibição de acesso a seus sistema e bases informatizadas, (e) proibição de se ausentar do país, cancelamento de todos os passaportes e determinação de impedimento migratório.
Os investigados prestarão depoimentos à Polícia Federal que prosseguirá nas investigações.



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Paulo Dantas
18 de fevereiro de 2026 3:03 pmO problema é usar o inquerito coringa para isto.
O STF tem foro quando réu e não vítima.
Agora, os Ministros incomodados precisam extermar isto.
Investigar é o mais simples creio pois deve ter “log” de tudo , mas a legislação não feve permitir nenhuma punição.
Eric Bonfim
18 de fevereiro de 2026 4:26 pmAcredito que seja um brasileiro que esta interessado no melhor para o Brasil.
Eu acho que existem duas visões destintas desse inquerito, alguns subestimam, pensam que se tivesse alguma coisa ja tinha sido encerrado e se não foi é porque ele é uma carta na manga pra ser usada por conveniencia do STF.
Eu, ligando alguns pontos, acredito que esse inquerito esta sendo alimentado ao longo de todos esses anos. Acredito que tem muita coisa concreta já. Desconfio que pode estar ligado a outra investigação em andamento. E acredito fortemente que é tão grande quanto o tempo que esta levando, por isso o desespero de alguns em derrubar Alexandre de Moraes.
Eu quero muito ver o desfecho dessa investigação porque pra mim a maior doença do Brasil hoje é a falta de credibilidade da informação que chega a população. Eu acho que parte significativa da imprensa trata o brasileiro como idiota. Parece até teoria da conspiração e isso me preocupa.
Eu proponho a todo brasileiro se fazer uma pergunta, um ministro do supremo tribunal federal, que teoricamente esta la por possuir amplo conhecimento jurídico dentre os juristas do Brasil, São idiotas? Porque a imprensa faz parecer as vezes que são idiotas.
Assistam a entrevista ao Jurista Renato Ribeiro de Almeida realizada no UOL hoje.
Paulo Dantas
18 de fevereiro de 2026 9:41 pmSim mas se pode ter um inquérito “infinito” ?!
Sem entrar no mérito se o fato a ser investigado é grave.
Rui Ribeiro
18 de fevereiro de 2026 4:23 pmTodos têm direito ao sigilo fiscal, exceto os Ministros do STF.
Qual a base legal dessa discriminação?
fabricio coyote
18 de fevereiro de 2026 5:09 pmNassif age como se ministros do supremo não instrumentalizassem também a mídia para encampar interesses. foi o caso de demóstenes torres e filmar mentes (na acepção de merval pereira) com a capa de veja. ou quando ministros mandavam recados a outros pares sobre como votar o mensalão. o poder tem podridão, como dizia Otto Lara Resende, ghost writer de roberto marinho. Os pudicos pedem licença e saem. Imaginar que um ministro do supremo não pode ser auditado é o ápice da esculhambação. agora vê se algum auditor não ficará inibido com um inquérito ex officio de juiz…
brunobgl
18 de fevereiro de 2026 5:27 pmNassif, você que é cuidadoso com a pena, “quebra de sigilo fiscal” é aquela legal, determinada por uma autoridade competente. O que está se falando é em VIOLAÇÃO DO SIGILO, ato que, via de regra é CRIMINOSO. Nós, mais cuidadosos com o que dizemos, não podemos trocar as bolas pra não acabarmos confundidos com as Veras Magalhães da vida.
Jotapontooo...
18 de fevereiro de 2026 5:31 pmNassif depois q Bolsonaro e quadrilha começou a passar a mão na bunda do stf há 5 anos sem q eles fizessem nada,PERDEU-SE O RESPEITO por esta Instituição q está mais preocupada com as manchetes do que seguir a própria Lei,isto vem desde o mensalão,Lavajato e etc…
brunobgl
18 de fevereiro de 2026 5:42 pmNassif, você que é cuidadoso com a pena, “quebra de sigilo fiscal” é aquela legal, determinada por uma autoridade competente. O que está se falando é em VIOLAÇÃO DO SIGILO, ato que, via de regra é CRIMINOSO. Nós, mais cuidadosos com o que dizemos, não podemos trocar as bolas pra não acabarmos confundidos com as Veras Magalhães da vida.
A notícia na grande mídia lavajateira sobre a “QUEBRA” do sigilo é proposital, é pra causar confusão, é pra fazer soar como um fato (potencialmente) legal e colocar o seu autor como uma (potencial) vítima de “perseguição”!
O fato real é uma “VIOLAÇÃO” do sigilo e o seu autor é (potencialmente) um criminoso.
Essas duas palavrinhas fazem toda a diferença do mundo na narrativa!
ERNESTO
18 de fevereiro de 2026 6:28 pmUnafisco (associação deles mesmos que em 2016 suspenderam a isenção fiscal do Instituto Lula, cobrando 18 milhões com base nas alegações absurdas dos farsantes de Curitiba):
“A entidade defende que eventuais irregularidades sejam rigorosamente apuradas, mas sempre com observância do devido processo legal, da presunção de inocência e da proporcionalidade das medidas adotadas. A aplicação de sanções cautelares extremas exige fundamentação robusta e lastro probatório consistente”. De pleno acordo, mas isso vale só pra eles? O grande risco é que no final ninguém seja responsabilizado. Afinal um crime foi cometido num orgão público, teoricamente guardião do sigilo de todos contribuintes, por alguns de seus agentes. Ou será que foi gasparzinho “a” fantasminha, que entrou lá e plugou um pen-drive?
Fábio de Oliveira Ribeiro
18 de fevereiro de 2026 6:47 pmCenario 1: Jornalista da Folha decide investigar até que ponto as verbas de publicidade pagas ao jornal pelo Estado de SP influenciam os editoriais favoráveis à Tarcísio de Freitas.
Cenário 2: Editor do Jornal da Cultura se recusa a atacar sistematicamente o PT e manda a equipe de jornalismo investigar e mostrar aspectos positivos das ações governamentais de Lula.
Cenário 3: Jornalista da Rede Globo investiga a fortuna dos membros do clã Marinho e com ajuda de um servidor da Receita Federal obtém cópias de dados fiscais sigilosos deles.
Estes três cenários são totalmente IMPLAUSIVEIS. A Folha não discute suas relações econômicas perigosas com o Estado de São Paulo, nem permite que seus jornalistas façam isso. O ódio da TV Cultura contra o PT e contra Lula tem uma intensidade igual ou maior do que o ódio que a BBC vomita diariamente contra a Rússia. Nenhum jornalista da Rede Globo arriscaria perder o emprego e ganhar uma década de prisão por violar o sigilo fiscal do clã Marinho.
PLAUSÍVEL para os veículos de comunicação brasileiros é uma quadrilha violar o sigilo fiscal de Ministros do STF. Nesse caso o ilegal é legal e o crime um pressuposto da liberdade de imprensa.😵💫😵💫😵💫
Hélio
18 de fevereiro de 2026 7:09 pmLuis Nassif! Felizmente o Brasil ainda tem jornalista como voce: sincero e honesto, além de factual aos fatos! Quando vi e li as manchetes no UOL insinuando que o STF está se comportando erroneamente ao determinar as apurações dos crimes praticados acerca das quebras ilegais dos sigilos fiscais, não acreditei que o UOL teve tanta coragem de tanta desonestidade!
Avel Alencar
19 de fevereiro de 2026 4:45 amHelio gaspari sempre foi um porta voz da direita na imprensa.
Vladimir
19 de fevereiro de 2026 9:19 amSem esse tipo de armação,as redes dessa chamada extrema direita já deleita-se com suas versões mentirosas sobre os fatos. Agora,com esse verniz de informação verdadeira,será uma grande festa para eles.
Essa gente não se sente bem com o país tendo um rumo minimamente inclusivo e democrático
Rui Ribeiro
19 de fevereiro de 2026 10:03 amPor falar em hipocrisia midiática, segundo uma “notícia” do G1 , Governo Lula voltou a errar e terá reflexos sobres próximas pesquisas.
De acordo com a “noticia”, os Assessores de Lula avaliaram que: “O momento é dele, foi escolhido pelo pai e se consolidou como candidato, mas está correndo sem obstáculos. E ele vai voltar a ser vidraça, vai ser atacado, tem muitos pontos frágeis”.
Só que a “noticia” não dá nome aos assessores do Lula. Já os direitistas que se manifestaram estão todos nomeados. Me pergunto: Será que o jornalista falou realmente com algum assessor do Lula?
https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2026/02/19/governo-lula-voltou-a-errar-e-tera-reflexos-sobre-proximas-pesquisas.ghtml
+almeida
19 de fevereiro de 2026 6:27 pmQual deve ser a punição merecida para as mídias beneficiadas pelas informações adquiridas de forma criminosa? Qual mídia é tão inocente a ponto de não saber que a divulgação de informações confidenciais e criminosamente coletadas, também é um crime gravíssimo? Será que implantaram secretamente na Constituição Federal, cláusula em que a liberdade de imprensa recebeu permissão para ter liberdade de divulgar informações pessoais, sigilosas e protegidas por lei?
No caso a intenção é extremamente política. Contudo, cabe a pergunta: em outro caso, onde vantagens financeiras, econômicas e outras, ainda a serem descobertas, quem contratou, quem ordenou, quem pagou e quem se beneficiaria com essa operação, que deve ter tido um custo espetacularmente vultoso?
Que as quatro pessoas envolvidas recebam uma severa e rígida segurança das autoridades policiais.
Os amigos podem estar mais próximos do que se é imagina.
+almeida
19 de fevereiro de 2026 6:30 pmQual deve ser a punição merecida para as mídias beneficiadas pelas informações adquiridas de forma criminosa? Qual mídia é tão inocente a ponto de não saber que a divulgação de informações confidenciais e criminosamente coletadas, também é um crime gravíssimo? Será que implantaram secretamente na Constituição Federal, cláusula em que a liberdade de imprensa recebeu permissão para ter liberdade de divulgar informações pessoais, sigilosas e protegidas por lei?
No caso a intenção é extremamente política. Contudo, cabe a pergunta: em outro caso, onde vantagens financeiras, econômicas e outras, ainda a serem descobertas, quem contratou, quem ordenou, quem pagou e quem se beneficiaria com essa operação, que deve ter tido um custo espetacularmente vultoso?
Que as quatro pessoas envolvidas recebam uma severa e rígida segurança das autoridades policiais.
Os inimigos podem estar mais próximos do que se imagina
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
21 de fevereiro de 2026 8:24 amA imprensa livre de isenção, tem na hipocrisia um fundamento basilar de sua atuação.
Susana
28 de fevereiro de 2026 3:56 pmQuero ler diariamente.