A chegada do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 deve intensificar o calor em todo o Brasil, com maior impacto nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Embora ainda exista incerteza sobre a intensidade do evento, especialistas apontam que o aumento das temperaturas é o único efeito garantido até o momento.
Segundo o climatologista José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há cerca de 80% de chance de o fenômeno se formar no Oceano Pacífico nos próximos meses. “Vai acontecer, será muito quente e vamos sentir mais a partir de setembro. Mais que isso, é especulação”, afirmou.
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico equatorial permanecem ao menos 0,5°C acima da média por três meses consecutivos. Apesar de parecer uma variação pequena, o fenômeno tem escala global e influencia o clima em diferentes partes do planeta, alterando padrões de chuva, vento e temperatura.
No Brasil, os efeitos costumam variar por região. No Norte, há tendência de redução das chuvas, enquanto o Sul geralmente registra volumes acima da média. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, o principal impacto é o aumento da frequência e da duração das ondas de calor, muitas vezes acompanhadas por baixa umidade do ar.
O cenário preocupa porque o planeta já enfrenta um período de aquecimento recorde. Entre 2015 e 2025, foram registrados os anos mais quentes da história, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Com isso, o El Niño pode atuar como um “amplificador” das temperaturas, elevando ainda mais o calor e aumentando os riscos associados.
Além das temperaturas máximas, especialistas destacam o aumento das temperaturas mínimas, que dificultam o resfriamento do corpo durante a noite. Esse fator agrava os impactos na saúde, já que o calor prolongado pode intensificar doenças, reduzir a produtividade e até provocar mortes.
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado aumento na frequência de ondas de calor. Em 2024, foram dez episódios; em 2023, oito; e em 2025, sete — o maior número já observado no país. Essas ondas têm se tornado mais longas, algumas ultrapassando dez dias consecutivos.
O calor extremo também traz impactos econômicos. O uso intensivo de ar-condicionado pode elevar significativamente a conta de energia elétrica, enquanto a produção de alimentos tende a ser afetada por secas e eventos climáticos extremos, pressionando os preços.
Como será em cada região?
Regionalmente, o Sul pode enfrentar chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes, deslizamentos e cheias de rios. No Nordeste, atrasos no período chuvoso podem prejudicar especialmente áreas do sertão. Já no Centro-Oeste, a combinação de calor, seca e baixa umidade pode elevar o risco de incêndios florestais, incluindo no Pantanal.
Na Amazônia, mesmo com possibilidade de chuvas abaixo da média, o impacto tende a ser mais limitado no ciclo dos rios em 2026, podendo causar principalmente atraso no início do próximo período de cheias.
Apesar das incertezas sobre a força do fenômeno, especialistas alertam que, se o El Niño for de intensidade forte, os efeitos podem superar os registrados em anos anteriores, ampliando os extremos climáticos e consolidando 2026 como um possível recorde histórico de calor.
*Com informações do portal OGlobo.
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