Irã e Estados Unidos descartaram nesta segunda-feira (6) o plano de cessar-fogo apresentado pelo Paquistão para encerrar o conflito que os dois países travam há mais de um mês. O regime iraniano já protocolou uma contraproposta, cujos detalhes ainda não foram divulgados.
Batizado provisoriamente de “Acordo de Islamabad”, o plano foi elaborado pelo Paquistão e compartilhado com as partes durante a noite. Previa uma abordagem em duas etapas: primeiro, um cessar-fogo imediato, que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã há mais de um mês e, em seguida, um prazo de 15 a 20 dias para negociar um acordo definitivo de paz. Um memorando de entendimento seria formalizado eletronicamente, com mediação paquistanesa.
Segundo a Reuters, o acordo final incluiria compromissos do Irã sobre seu programa nuclear, em troca de alívio de sanções e liberação de ativos congelados. O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, teria mantido contato durante toda a noite com o vice-presidente americano JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi.
Rejeição
Trump chegou a elogiar o esforço diplomático, mas considerou a proposta insuficiente. “Eles fizeram uma proposta, e é uma proposta significativa. É um passo significativo. Mas não é suficiente”, afirmou o presidente americano, que confirmou também que o prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz expira nesta terça-feira (7).
Já o Irã rejeitou o plano por razões opostas: Teerã não quer uma pausa temporária no conflito, e sim o encerramento definitivo da guerra. A lógica iraniana é que um cessar-fogo provisório apenas daria tempo para os adversários se rearmarem. “Estamos pedindo o fim da guerra e que se impeça sua repetição”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei.
Uma autoridade iraniana de alto escalão adiantou à Reuters que o país não vai reabrir o Estreito de Ormuz em um cessar-fogo temporário e não se deixará pressionar por prazos.
O que vem a seguir
O site americano Axios havia reportado no domingo que EUA e Irã discutiam um cessar-fogo de 45 dias como caminho para um acordo permanente, prazo mais longo do que o previsto na proposta paquistanesa.
Um fator complicador é a posição de Israel, que também participa do conflito ao lado dos EUA e tem objetivos próprios contra o regime de Teerã. Embora Washington possa transmitir uma decisão a Tel Aviv, os israelenses não necessariamente a aceitariam de forma automática.
O conflito segue elevando a tensão na região, com impactos diretos sobre o fluxo global de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
*Com informações do g1.
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