13 de junho de 2026

O declínio do “império do dólar” e o alerta da história

Para economista, paralelos com Império Romano ajudam a explicar por que o domínio global do dólar pode estar sob ameaça
Foto de Pepi Stojanovski na Unsplash

O dólar enfrenta questionamentos globais, com paralelos históricos ao denário romano e à libra esterlina britânica.
O denário perdeu valor após desvalorização sob Nero, causando perda de confiança e declínio internacional.
EUA enfrentam desafios fiscais, políticos e geopolíticos que ameaçam a posição dominante do dólar.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O papel global do dólar, há décadas dominante nas transações internacionais, enfrenta questionamentos crescentes — e a história pode oferecer pistas sobre o que vem pela frente.

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Para o economista Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley e ex-assessor do Fundo Monetário Internacional, o debate atual sobre o futuro da moeda americana ecoa experiências de outras moedas que já ocuparam posição semelhante, como a libra esterlina britânica — e, mais profundamente, o denário romano.

Considerado por muitos como a primeira moeda verdadeiramente internacional, o denário do Império Romano circulava não apenas na Europa, mas também ao longo da Rota da Seda, chegando à Ásia. Sua força estava apoiada em pilares claros: comércio robusto, estabilidade política, padronização monetária e confiança institucional.

Durante cerca de três séculos, o teor de prata da moeda permaneceu estável, garantindo previsibilidade e segurança nas transações. Esse ambiente favoreceu a expansão comercial e até o surgimento de formas primitivas de crédito, antecipando características dos sistemas financeiros modernos.

Quando o poder corrói a moeda

Esse equilíbrio, no entanto, começou a ruir com a concentração de poder político. Sob o imperador Nero, o Império Romano passou a reduzir o teor de prata do denário — uma prática conhecida como desvalorização — para financiar gastos crescentes, incluindo guerras, obras públicas e reconstruções após o grande incêndio de Roma em 64 d.C.

A medida abriu caminho para um ciclo de perda de confiança. Moedas antigas passaram a ser acumuladas ou derretidas, enquanto novas emissões, com menor valor intrínseco, inundavam a economia. Em poucos séculos, o denário perdeu sua relevância internacional.

Em artigo no Project Syndicate, Eichengreen traça paralelos com os Estados Unidos de hoje: embora o país não tenha promovido uma desvalorização direta do dólar, cresce entre investidores o temor de um processo indireto, impulsionado por dívida pública elevada e pressões sobre a independência do Federal Reserve.

Além disso, mudanças geopolíticas também pesam. A ascensão da China como potência comercial e o uso de tarifas pelos EUA têm incentivado outros países a fortalecer relações fora da órbita americana, reduzindo a centralidade do dólar.

Os custos fiscais de operações militares, especialmente no Oriente Médio, ampliam a preocupação com o endividamento e com a capacidade dos EUA de sustentar sua posição dominante.

Outro ponto crítico é o ambiente político interno: a concentração de poder e o enfraquecimento de instituições podem minar a confiança na moeda — um fator tão relevante quanto fundamentos econômicos.

Nesse contexto, o governo do presidente Donald Trump aparece como elemento de incerteza, especialmente diante de críticas sobre interferência institucional e aumento do protecionismo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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