Parecer elaborado para a Rede Soberania, por Luciana Bauer e Pedro Costa Junior, sustenta que o Brasil só transformará suas reservas de terras raras em poder econômico e geopolítico se avançar além da mineração e dominar as etapas industriais e tecnológicas da cadeia produtiva. O documento argumenta que a posse de recursos naturais, por si só, não garante vantagem estratégica — o fator decisivo é o controle do refino, processamento e aplicação desses minerais em tecnologias avançadas .
Com base em experiências internacionais, o estudo aponta a China como exemplo de integração vertical bem-sucedida, ao combinar política industrial, regulação e coordenação estatal. Em contraste, países que se limitam à extração mineral tendem a capturar menos valor e permanecem dependentes tecnologicamente .
Para o Brasil, o parecer avalia que há uma base constitucional sólida — que garante à União a titularidade dos recursos minerais —, mas falta um marco legislativo capaz de converter essa soberania formal em capacidade industrial e tecnológica .
A proposta central é a adoção de um modelo híbrido, que combine controle público dos recursos com concorrência regulada e exigências de agregação de valor no país. Entre as medidas sugeridas estão contratos especiais de exploração, criação de uma lista de minerais críticos, estímulo à pesquisa e inovação, formação de estoques estratégicos e um fundo soberano para financiar tecnologia e infraestrutura .
O parecer também destaca que as terras raras são insumos essenciais para setores como energia limpa, eletrônicos e defesa, o que as transforma em ativos estratégicos na geopolítica contemporânea. Nesse contexto, o Brasil teria potencial para deixar de ser exportador de commodities e se posicionar como ator relevante em cadeias globais de alto valor agregado .
Por fim, o documento estima que a construção de uma cadeia produtiva completa pode elevar o PIB brasileiro em até 1% a 1,5% no longo prazo, desde que o país invista em industrialização, inovação e políticas públicas consistentes
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