10 de junho de 2026

Recebendo visitas, por Felipe Bueno

Trump visitou Xi Jinping, um encontro cortês que, se não trouxe resultados, serviu para conceder um pouco de paz ao noticiário geopolítico.
Xi Jinping em foto de Li Xueren - Xinhua

Donald Trump visitou Xi Jinping após nove anos, encontro diplomático que trouxe alívio ao noticiário geopolítico.
Vladimir Putin visita China durante Expo China-Rússia, reforçando a parceria sem limites entre os dois países.
Relações China-Rússia mostram pragmatismo chinês diante da postura imperialista russa e desafios futuros.

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Recebendo visitas, por Felipe Bueno

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Acompanhar um momento histórico é sempre um privilégio. Ainda mais porque em geral quem vive as horas e os dias que antecedem tais fatos não sabe de antemão a dimensão do que vai testemunhar.

Ao fim da semana em andamento teremos uma oportunidade valiosa para analisar a quantas anda a multipolaridade do mundo. Na passada, após nove anos, Donald Trump visitou Xi Jinping, um encontro cortês e ao estilo da diplomacia clássica que, se não trouxe resultados práticos, no mínimo serviu para conceder um pouco de paz ao noticiário geopolítico.

Já nesta semana, quem bate à porta do líder chinês é Vladimir Putin, e aí os parâmetros são outros: estarão frente a frente novamente os artífices da parceria sem limites (2022) que, em doses complementares, provoca admiração, cautela e preocupação em quem observa o andamento das coisas no Planeta Terra.

A presença de Putin no país asiático é simultânea à realização de mais uma Expo China-Rússia, uma demonstração para a platéia de que a dupla segue trabalhando de maneira mais harmônica e natural que a relação de idas e vindas entre Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos.

Mas sempre é bom olhar para além das curtas durações; se considerarmos que a parceria sem limites está, e não simplesmente é, nos perguntamos por que e chegamos a algumas divergências que devemos considerar ao projetar um eventual futuro no qual o Ocidente – para muitos num irreversível declínio – perdesse uma parcela considerável de sua força vital.

As visões de mundo russa e chinesa, ainda que estejamos falando de dois antigos impérios e respeitadas as óbvias diferenças entre eles, são distintas, sendo a segunda muito mais pragmática que a primeira. Não nos esqueçamos: a Ucrânia, por exemplo, ainda é uma pergunta sem resposta, uma história sem último capítulo.

Sendo a China objetiva, uma nação mercantil que depende de paz para seu crescimento, não é indevido perguntar: como lidar com Vladimir Putin e uma memória imperialista de séculos, que o líder russo teima em trazer para o presente de tempos em tempos?

São perguntas ainda sem resposta, e cabe a nós observar. De qualquer forma, seja recebendo Trump ou Putin, do ponto de vista da China, antigo Império do Meio, a diferença está entre manter a casa limpa e arrumada para dois tipos de visita: uma, a do colega de trabalho que cobiça sua prosperidade; outra, a do amigo briguento que convém manter por perto. Nos dois casos, em comum, o pragmatismo chinês.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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