Autoridades de saúde acompanham dois casos suspeitos de ebola no Brasil, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Os dois pacientes estiveram recentemente em países africanos com surtos ativos da doença e apresentaram sintomas compatíveis com infecções virais graves.
Neste sábado (31), ambos receberam diagnóstico para outras enfermidades: o paciente paulista testou positivo para meningite; o carioca, para malária. Ainda assim, a possibilidade de ebola não havia sido descartada até o fechamento desta reportagem, e os dois seguem em isolamento sob monitoramento das autoridades.
O paciente em São Paulo é um homem de 37 anos, imigrante da República Democrática do Congo, que esteve recentemente no país africano. Antes de ser transferido para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência no tratamento de doenças infecciosas, ele foi atendido em uma UPA com febre alta e exames inconclusivos para malária.
Ao chegar ao instituto, seu quadro já era grave: diarreia, desorientação e piora clínica rápida. Ele precisou ser intubado e está sedado. Por isso, ainda não foi possível confirmar se transitou pelas províncias congolesas onde o surto de ebola se concentra.
Exame do Instituto Adolfo Lutz identificou a presença de Neisseria meningitidis, bactéria causadora da meningite meningocócica. Mesmo assim, testes específicos para ebola ainda estavam pendentes. O paciente é tratado com antibióticos e hidratação. Pessoas que tiveram contato com ele no avião e na UPA estão sendo monitoradas.
Rio de Janeiro
No Rio, o paciente é um viajante belga que esteve em Uganda, país com regiões de surto confirmado de ebola. Seu quadro clínico é leve, com sintomas como tosse, calafrios e diarreia, sem relato de febre ou dor de cabeça intensa. Um dos testes realizados apontou malária.
Por precaução, diante do cenário epidemiológico internacional, as autoridades acionaram o protocolo de segurança. O paciente foi transportado por ambulância especial ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, onde permanecerá isolado até que a possibilidade de ebola seja formalmente descartada. A Vigilância Epidemiológica monitora pessoas que possam ter tido contato com ele.
Risco de surto
Especialistas e autoridades reforçam que não há motivo para alarme. A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo avalia que o risco de introdução do ebola no Brasil permanece muito baixo, considerando a ausência histórica de transmissão local no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre as regiões afetadas e o Brasil, e o modo de transmissão da doença, que exige contato direto com sangue, secreções ou fluidos corporais de pessoas com sintomas.
Os casos de ebola registrados até o momento estão concentrados na República Democrática do Congo e em Uganda. Segundo a OMS, o surto atual soma 134 casos confirmados e 18 mortes confirmadas, com outros 906 casos e 223 óbitos ainda em investigação. O Congo declarou o surto em 15 de maio, com foco nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. A OMS alerta para o risco de expansão, enquanto organizações humanitárias alertam que a resposta internacional ainda é insuficiente.
*Com informações do g1.
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