11 de julho de 2026

Presidente do Senado é algoz dos trabalhadores, por Francisco Calmon

O Parlamento existe para deliberar sobre conflitos sociais, não para mantê-los indefinidamente nos escaninhos da burocracia manipulada.
Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro - Foto de Lula Marques - Agência Brasil

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adia debate sobre fim da escala 6×1, alegando necessidade de discussão ampla.
PEC que propõe mudanças na jornada de trabalho está parada, enquanto trabalhadores enfrentam rotina exaustiva e falta de convívio.
Extrema-direita resiste à proposta, que visa melhorar qualidade de vida; críticas ignoram que jornada permite funcionamento por escalas.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Presidente do Senado é algoz dos trabalhadores

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Francisco Celso Calmon

Alcolumbre, quem tem pressa de viver não pode esperar pelo seu tempo.

Para quem trabalha seis dias por semana, pega condução lotada, chega em casa quando os filhos já dormem e acorda antes do sol nascer, a expressão “sem pressa” soa como um privilégio de quem nunca precisou vender o próprio tempo para sobreviver.

Foi exatamente essa a mensagem transmitida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre ao afirmar que a proposta de fim da escala 6×1 será debatida “com calma” e “sem açodamento”. O argumento institucional é o de que o Senado não pode apenas homologar decisões da Câmara e que uma mudança dessa magnitude exige amplo debate.

Ele desdenha da Câmara.

O problema não está na necessidade de mais discussão. Está em ignorar que milhões de brasileiros já debatem esse tema todos os dias – dentro dos ônibus, nas filas dos hospitais, nas mesas vazias de domingo e nos corpos exaustos que sustentam a economia nacional, e a Câmta Federal também já o fez.

A PEC que propõe mudanças na jornada de trabalho permanece parada há semanas, sem sequer ser encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça. Enquanto isso, trabalhadores continuam submetidos a uma rotina que reduz o convívio familiar, compromete a saúde física e mental e limita qualquer possibilidade de estudo, lazer ou descanso.

Quando um presidente do Senado escolhe postergar o início da discussão de uma pauta dessa natureza, a mensagem política é objetiva: há temas cuja urgência parece não alcançar os corredores do poder por parte da extrema-direita.

Nenhuma democracia saudável pode perder de vista quem sustenta a sua base econômica. Discutir jornadas de trabalho significa discutir saúde, qualidade de vida, convivência familiar e dignidade.

O Parlamento existe para deliberar sobre conflitos sociais, não para mantê-los indefinidamente nos escaninhos da burocracia manipulada. Quando uma pauta que mobiliza trabalhadores, sindicatos, empresas e a opinião pública permanece sem andamento, o recado que se passa é o do distanciamento entre representantes e representados.

A extrema-direita vem se colocando contra os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras quando se coloca contra a escala 6×1. A ironia é que são os mesmos que se dizem defensores da família e dos bons costumes. Os trabalhadores e, sobretudo, as trabalhadoras do Brasil, que possuem duas a três jornadas de trabalho, têm pressa de viver com a família e para além do trabalho.

Como se não bastasse a resistência da extrema-direita, há também o amadorismo, mau caratismo e distanciamento em dar andamento à proposta. Durante audiência pública no Senado, a diretora-executiva jurídica da Fiesp, Luciana Nunes Freire, tentou desqualificar a PEC afirmando que, se a escala 6×1 acabar, as mulheres não poderão mais ir ao salão de beleza aos sábados e nem fazer compras no supermercado aos domingos. Mas o que mostrou foi uma brutal ignorância sobre a proposta.

A PEC não determina o fechamento de salões, supermercados ou farmácias; ela apenas altera a jornada máxima de trabalho, permitindo que empresas continuem funcionando normalmente por meio de escalas entre seus empregados.

Quem trabalha seis dias seguidos pede pressa, porque o tempo perdido com a família, com a saúde e com a própria vida não volta. E essa talvez seja uma urgência que nenhum calendário legislativo deveria ignorar.

É conhecido o seu caráter chantagista, porém, com o povo não haverá negociação sob qualquer tipo de chibata que o reizinho do Senado use.

O EGO DO ALCOLUMBRE não pode sobrepor aos deveres do Senado da República e ao clamar popular.

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados