A ONU Mulheres e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançaram um guia voltado a pais, mães e responsáveis com orientações para identificar e enfrentar a influência da chamada “machosfera” sobre meninos e adolescentes. O material busca incentivar o diálogo familiar como forma de prevenir a disseminação de discursos de misoginia e violência de gênero.
Intitulado “No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis”, o documento explica o funcionamento da machosfera — conjunto de comunidades e perfis nas redes sociais que promovem uma visão extremista da masculinidade, frequentemente marcada pelo desprezo e hostilidade contra mulheres e meninas.
Segundo as organizações, esse tipo de conteúdo costuma alcançar adolescentes de maneira gradual, por meio de vídeos sobre motivação, desenvolvimento pessoal e autoajuda, antes de introduzir mensagens de intolerância e discriminação.
Um levantamento da Revista AzMina em parceria com o Núcleo Jornalismo, citado pelas Nações Unidas, aponta que essa estratégia facilita a aproximação de jovens com discursos misóginos, muitas vezes sem que eles percebam a mudança de conteúdo.
Orientações para as famílias
O guia reúne informações para ajudar os responsáveis a reconhecer sinais de influência da machosfera e promover conversas sobre respeito, igualdade e uso crítico das redes sociais.
Entre os temas abordados estão:
- explicação sobre os principais grupos, termos e narrativas da machosfera;
- como os algoritmos das plataformas digitais recomendam esse tipo de conteúdo aos jovens;
- sinais de mudanças de comportamento e linguagem que podem indicar influência desses grupos;
- sugestões de perguntas e estratégias de diálogo adaptadas às diferentes faixas etárias;
- orientações para apoiar meninas expostas a conteúdos misóginos;
- formas de abordar igualdade de gênero e respeito nas relações familiares.
Prevenção começa em casa
Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, o combate à misoginia exige a participação de toda a sociedade e passa, principalmente, pelo ambiente familiar.
Segundo ela, o objetivo do material é mostrar que pais e responsáveis não precisam enfrentar o problema sozinhos e que conversas abertas, sem julgamentos, podem ajudar adolescentes a desenvolver valores baseados no respeito e na igualdade de gênero.
Já o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, destaca que famílias, escolas e comunidades desempenham papel fundamental na construção da identidade dos adolescentes.
Ele afirma que oferecer referências positivas sobre masculinidade e estimular o pensamento crítico em relação aos conteúdos consumidos nas redes sociais são medidas importantes para reduzir a exposição dos jovens a discursos baseados em estereótipos, intolerância e violência de gênero.
*Com informações das Agência Brasil.
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