A Casa Branca informou nesta quinta-feira (23) que o governo dos Estados Unidos anunciará um novo pacote de tarifas comerciais antes do término da vigência da taxa global de 10%, previsto para sexta-feira (24). O anúncio será feito pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
A expectativa é que as medidas incluam uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos importados de cerca de 60 países, entre eles o Brasil.
A nova cobrança está vinculada a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração analisou supostas falhas de parceiros comerciais no combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Segundo o relatório do USTR, a entrada desses produtos no mercado internacional prejudica empresas que seguem padrões trabalhistas, além de favorecer a continuidade de práticas análogas à escravidão ao reduzir artificialmente os custos de produção.
No caso do Brasil, o documento reconhece que o país mantém compromissos internacionais de combate ao trabalho escravo, mas afirma que a legislação brasileira não conta com mecanismos considerados suficientes pelos Estados Unidos para impedir a importação de mercadorias produzidas sob essas condições em outros países.
O relatório cita ainda a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada periodicamente pelo governo federal, mas destaca que a investigação se concentrou na ausência de barreiras específicas para impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada no mercado brasileiro.
O governo brasileiro já trabalha com a possibilidade de aplicação da nova tarifa e acompanha as negociações com representantes dos setores que poderão ser mais afetados pela medida.
As novas tarifas fazem parte da estratégia comercial adotada pelo presidente Donald Trump, que vem ampliando o uso de barreiras tarifárias para pressionar parceiros comerciais em diferentes frentes.
*Com informações da Reuters.
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