31 de julho de 2026

Como a PF cavalga o jornalismo-sela, por Luís Nassif

Na vergonhosa parceria de delegados e jornalismo-sela o policial tem o poder ilimitado de assassinar reputações e interferir na política
Imagem gerada por IA

A PF quebrou o sigilo bancário de Fábio Luís sem provas de envolvimento no caso Master ou INSS.
Nova suspeita aponta visita de Fábio Luís ao Planalto, mas sem confirmação de lobby ou irregularidades.
Jornalismo reproduz informações policiais sem checagem, afetando reputações e o debate público.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A agência de notícias da Lava Jato 2 não apenas cria notícias como fornece a manchete para o chamado jornalismo-sela.

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O sistema democrático, em extinção nos Estados Unidos, definiu freios e contrapesos nas investigações criminais. Cabe à Polícia Federal investigar, mas não julgar. As investigações passam, então, ao Ministério Público Federal, que avalia a sua pertinência. Sendo pertinente, o MP faz a denúncia. Aí ocorre o contraditório. É feita a defesa. E, tendo em mãos todos os elementos, o juiz sentencia. Depois, a sentença é analisada pelos tribunais superiores.

O que ocorre nessa vergonhosa parceria de delegados e jornalismo-sela é conferir ao policial o poder ilimitado  de assassinar reputações e interferir no jogo político, porque o papel do jornalismo-sela não é conferir, é apenas reproduzir.

Tome-se o caso de Fábio Luís. A primeira decisão da PF, quando montou o pacto com o Ministro André Mendonça, foi quebrar seu sigilo bancário e fiscal, sem dispor de nenhum elemento de prova de sua participação no caso Master ou mesmo nos rombos do INSS. Fosse um país sério, com uma imprensa séria, uma PF séria e um Judiciário sério, quem solicitou a quebra de sigilo e quem concedeu responderiam pelo ato. Nada encontraram.

Agora anunciam uma nova suspeita: a de que Fábio Luís teria ido ao Palácio do Planalto, visitado o presidente (também conhecido como seu pai) e os escritórios do Palácio. Se foi para cumprimentar o pai ou os amigos, ou para fazer lobby do Careca do INSS, não se sabe. Nem interessa saber. Pouco importa se a notícia é falsa, o que se quer é manchetear.

É possível que existam mensagens mostrando que Fábio Luís foi ao Palácio com a missão precípua de fazer lobby. É possível que não. Como se publica em manchete e em pool sem ter certeza? E confiando exclusivamente na informação de um policial que não honra a corporação?

Há uma tentativa da desastrada lobista Luchsinger de sugerir um contrato com inexigibilidade de licitação, alegando emergência. Esse golpe foi aplicado continuamente pelo Ministro da Saúde de Michel Temer e Jair Bolsonaro, em medicamentos para câncer infantil, provocando a morte de crianças. Não há notícia de que a PF tenha investigado. No caso da cannabis do Careca, nenhum contrato foi firmado, nenhum lobby foi bem sucedido.

Agora coloca-se esse elefante na sala de visitas da polícia. E uma manchete, que pode ser sim, pode ser não, mexe com o imaginário de todo um país, sem se saber se a notícia é falsa ou fundamentada.

Afinal, para que serve a imprensa, senão para reproduzir a leviandade das redes sociais?

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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