4 de agosto de 2026

Guerra e crise climática impulsionam lucros das petroleiras

Lucro de oito das maiores empresas do setor quase dobrou no segundo trimestre, em meio a eventos climáticos extremos e alta do preço do barril
Foto de Zbynek Burival na Unsplash

Oito maiores petroleiras lucraram US$ 93 bi no 2º tri de 2026, quase o dobro do ano anterior, em meio à guerra e crise climática.
Saudi Aramco lidera com US$ 33 bi, seguida por ExxonMobil e Chevron, beneficiadas pela alta do preço do petróleo.
Organizações ambientais cobram que petroleiras financiem adaptação climática diante de ondas de calor e desastres globais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

As oito maiores empresas de petróleo de capital aberto do mundo registraram lucros combinados de aproximadamente US$ 93 bilhões entre abril e junho de 2026, período marcado pela escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e pelo agravamento da crise climática.

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O valor representa quase o dobro dos ganhos registrados no mesmo trimestre do ano passado, quando o setor havia obtido pouco menos de US$ 50 bilhões, segundo análise publicada pelo jornal britânico The Guardian.

Segundo o levantamento, as empresas Saudi Aramco, BP, Shell, Equinor, TotalEnergies, Eni, Chevron e ExxonMobil lucraram, em média, mais de US$ 700 mil por minuto durante o trimestre, enquanto seu valor de mercado conjunto ultrapassou US$ 3 trilhões.

A disparada dos preços internacionais do petróleo após o conflito no Oriente Médio beneficiou diretamente as grandes produtoras, reacendendo críticas de organizações ambientais sobre os chamados “lucros de guerra” obtidos pela indústria de combustíveis fósseis.

Ao mesmo tempo, a BP continua reduzindo seus investimentos na transição energética. Após rever sua estratégia ambiental no início de 2025, a empresa diminuiu seu orçamento anual destinado a projetos de energia limpa de cerca de US$ 5 bilhões para entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões, além de vender ativos ligados aos setores eólico, biogás e, possivelmente, energia solar.

Guerra eleva preços e amplia ganhos das petroleiras

O período analisado corresponde ao primeiro trimestre completo após a intensificação do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que provocou forte volatilidade no mercado internacional de energia e levou o barril de petróleo a ultrapassar US$ 126.

A maior beneficiada foi a estatal saudita Saudi Aramco, que registrou lucro líquido superior a US$ 33 bilhões, alta de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo após sofrer danos em parte de sua infraestrutura devido a ataques de drones e mísseis.

Nos Estados Unidos, a ExxonMobil reportou lucro de US$ 14,5 bilhões, seu maior resultado trimestral desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022. A Chevron obteve US$ 12,2 bilhões, mais de cinco vezes acima do registrado um ano antes.

A Shell anunciou lucro líquido de US$ 9,84 bilhões, o segundo maior de sua história, enquanto a BP encerrou o trimestre com US$ 5,73 bilhões, mais que o dobro do trimestre imediatamente anterior.

Organizações ambientais cobram responsabilização do setor

Os resultados financeiros reacenderam a pressão para que as grandes petroleiras arquem com parte dos custos provocados pelas mudanças climáticas.

A organização global Global Witness é uma das instituições que defende que parte desses recursos seja destinada ao financiamento da adaptação climática, de sistemas de proteção contra incêndios e enchentes e da expansão das energias renováveis.

Os lucros das petroleiras também foram criticados pela Friends of the Earth, afirmando que os lucros recordes contrastam com o aumento do custo de vida e com o avanço da crise climática.

Enquanto isso, a Europa enfrenta sua pior sequência de ondas de calor já registrada, associada por cientistas ao aquecimento global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa. Estimativas apontam que cerca de 20 mil pessoas morreram devido às temperaturas extremas durante o verão europeu.

O continente também enfrenta secas severas, perdas agrícolas e grandes incêndios florestais, enquanto países da Ásia registram recordes históricos de temperatura e episódios de chuvas extremas provocam enchentes e deslizamentos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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