30 de outubro de 2026

A lógica econômica e a policial por trás da queda do mercado, por Luís Nassif

Eleição de Flávio Bolsonaro asseguraria a volta dos recursos do crime financeiro ao mercado, que depende desse dinheiro para rodar.
Flávio Bolsonaro - Foto de Bruno Peres - Agência Brasil

Fundo EWZ, que acompanha ações brasileiras, caiu 21,06% no mercado de Nova York após eleições.
XP perdeu metade do valor, enquanto Vale teve queda menor na bolsa após resultados eleitorais.
Derrota de Flávio Bolsonaro dificulta retorno de recursos ligados ao crime financeiro ao mercado.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Houve uma queda generalizada dos papéis brasileiros no mercado de Nova York. O EWZ, fundo negociado nos EUA que acompanha uma carteira de ações brasileiras, passou de US 42,59 para US 33,62, acumulando queda de 21,06%.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A venda foi generalizada, mas desigual: a XP perdeu metade do valor, enquanto a Vale teve queda menor, conforme mostra o quadro abaixo, que compara a variação dos papéis apenas após as eleições.

As explicações sempre resvalam para a política monetária e para as expectativas criadas em torno de um possível governo Flávio Bolsonaro. Alguém, em sã consciência, acreditaria em algum programa consistente em um governo Flávio? O sujeito que não teve força nem para encarar a derrota nas eleições se sujeitaria às gigantescas pressões que se sucederiam a eventuais decisões de eliminar políticas sociais? Como acreditar em um pacto político que junte as forças mais ligadas à contravenção e ao crime organizado?

Pouco importa. A provável história por trás desse tombo é outra.

Ponto 1 – A desregulamentação do mercado financeiro, na era Roberto Campos Neto, provocou uma gigantesca ciranda financeira. Um ativo só é factível quando existem compradores para ele. Em períodos de muita valorização, chega um momento em que não há mais compradores. O caminho, então, é povoar o mercado de outros ativos, fundos de toda espécie. Hoje em dia há R$ 4,91trilhões em renda fixa, R$ 1,9 trilhão em fundos de Previdência, R$ 1,58trilhão em multimercados , R$ 819 bilhões em FIDCs, R$ 136,7 bilhões em ETFs, entre outros.

Ponto 2 – Esses recursos pulavam de um ativo para outro, dependendo dos movimentos especulativos. Mas a preponderância dos juros elevados concentrou os investimentos em fundos de renda fixa, deixando muitos outros fundos com a broxa na mão.

Ponto 3 – A lógica da carteira é a instituição adquirir papéis com determinada taxa de rentabilidade e depois vendê-los no mercado, repassando parte da rentabilidade aos investidores. Na outra ponta, emprestar o dinheiro arrecadado para empresas. Com as taxas de juros praticadas na renda fixa, porém, as instituições precisavam pagar muito mais para colocar seus papéis: bancos grandes pagavam com algum ágio, instituições menores com ágio maior. E, aí, não encontravam empresas para quem emprestar o dinheiro captado.

Ponto 4 – É aí que começa a magia de inventar papéis que pudessem driblar as formas de mensuração do mercado. Surgem os direitos creditórios – títulos de dívida privada ou pública que serão pagos algum dia. E forma-se uma das grandes pirâmides do sistema.

Ponto 5 – Esses papéis, no entanto, asseguram muito lucro para plataformas – como as da XP e do BTG – e para instituições menores. Mas a roleta do mercado passa a depender dos recursos do crime organizado e da lavagem de dinheiro para continuar rodando. E, nos últimos anos, Polícia Federal, Ministério Público e Gaecos passaram a atacar firmemente esses mercados, expulsando-os em parte da economia formal.

Ponto 6 – Aí entra o fator Flávio Bolsonaro. Sua eleição asseguraria a volta dos recursos do crime financeiro ao mercado, porque ele é um representante autêntico dessas organizações. É o sujeito que participou das jogadas com fundos de previdência estaduais e municipais, com os escândalos do INSS.

Independentemente de qualquer relação direta com o crime organizado, a derrota de Flávio tornou muito mais difícil para as instituições poderem contar com esses recursos.

É por aí que se entende essa aposta em Flávio e o tombo do mercado com sua derrota..

LEIA TAMBÉM:

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados