Derrotado por Lula no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) perdeu apoio de aliados, de partidos da base e até de ministros tidos como próximos a ele, depois de deixar o país e divulgar, na quarta-feira (28), um texto em que contestava o resultado das urnas.
Na carta, o senador começou se declarando “verdadeiro presidente do Brasil” e depois trocou a expressão por “líder do Brasil”, sem abandonar as alegações sobre a lisura da eleição. A viagem aos Estados Unidos, feita após uma manobra para despistar, contradiz o que ele havia dito antes: que não deixaria o Brasil. Segundo a Folha, a saída também contrariou sua equipe jurídica. A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que atuou nos processos do TSE, teria comunicado a um interlocutor que não ajuizará mais ações em nome do senador, pois seu trabalho se limitava à campanha, encerrada em 25 de outubro.
Reação dos partidos
O União Brasil, que integrava a base de apoio à campanha, divulgou nota assinada pelo presidente da sigla, Antonio Rueda, afirmando que a eleição foi lisa e deve ser respeitada. O MDB, cuja militância em parte havia apoiado Flávio, declarou confiança no sistema eleitoral e na legitimidade do resultado. O próprio PL reconheceu a vitória de Lula. Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha, admitiu que nem ele nem o partido podem sustentar a tese de fraude.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse compreender a indignação de Flávio, mas defendeu acatar o resultado e construir uma oposição forte, com responsabilidade e serenidade. O bispo JB Carvalho, da igreja que o senador frequenta em Brasília, também pediu que o assunto fosse encerrado e criticou quem anuncia o caos. Já Renan Santos (Missão), ex-candidato à Presidência, criticou a ideia de liderar a oposição a partir da Flórida, que chamou de “oposição EAD”. Para ele, a iniciativa não representa risco institucional, mas serve a interesses americanos, e quem acredita em suas ideias deveria permanecer no Brasil. Ele comparou o movimento ao de Juan Guaidó na Venezuela, ressalvando que o contexto é distinto, já que o PL segue em funcionamento normal.
Judiciário
No TSE, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, vistos como mais próximos de Flávio do que de Lula, tentam se afastar dele. Em conversas reservadas, teriam dito que o senador perdeu o bom senso. Kassio, presidente da corte, divulgou nota em que afirma o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade do eleitorado e descreve o pleito como seguro e normal, sem citar o senador. Ele também pretende combinar com o presidente do STF, Edson Fachin, uma linha para impedir que ações contra a validade da eleição prosperem.
Os ministros alinhados a Lula consideraram a carta um absurdo que deve ser ignorada. Um magistrado do STF observou que o brasão no documento trazia um erro de grafia (“Brazil”), o que, para ele, mostra despreparo para governar. Na sessão desta quinta-feira (29), a primeira após a divulgação, o tema não foi mencionado e a pauta seguiu normalmente.
*Com informações da Agência Brasil e da Folha de S.Paulo.
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