1 de novembro de 2026

Assédio eleitoral no trabalho pode resultar em punições criminais

Pressão de empresários e empregadores para influenciar o voto de funcionários viola direitos trabalhistas e a liberdade política
Foto de Fabio Rodrigues-Pozzebom - Agência Brasil

Assédio eleitoral no trabalho é crime previsto no Código Eleitoral, proibindo pressão para voto em candidatos ou partidos.
Advogado destaca que trabalhadores não podem sofrer coação política; empresas violam direitos e comprometem ambiente laboral.
Denúncias devem ser feitas ao Ministério Público e sindicatos; provas como mensagens e gravações são recomendadas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O assédio eleitoral no ambiente de trabalho é uma prática que ameaça a liberdade de escolha dos eleitores e pode configurar crime previsto no Código Eleitoral. A pressão exercida por empresários e empregadores para induzir ou obrigar funcionários a votar em determinado candidato ou partido viola direitos fundamentais dos trabalhadores e compromete o exercício democrático.

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Segundo Matheus Henrique Mendonça, advogado criminalista e especialista em Direito Penal do escritório Macedo Coelho, nenhum trabalhador pode ser submetido a constrangimentos ou represálias por suas convicções políticas. “Todo cidadão possui o direito fundamental de exercer seu voto de forma livre e consciente, sem sofrer coações ou represálias no ambiente profissional. Quando uma empresa ou empresário utiliza de sua posição de autoridade para impor uma escolha política aos seus empregados, está não apenas desrespeitando esses direitos fundamentais, mas também comprometendo a relação de confiança e respeito mútuo que deve existir no ambiente de trabalho”, afirma.

A legislação eleitoral prevê punições para práticas de coação e compra de votos. O artigo 300 do Código Eleitoral estabelece como crime o uso de violência ou grave ameaça para obrigar alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido. Já o artigo 301 trata da utilização de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou não votar em determinado candidato ou partido.

Além das pressões exercidas diretamente pelos empregadores, também são consideradas práticas ilícitas a oferta ou promessa de vantagens em troca de votos, conforme as disposições legais aplicáveis. As condutas podem resultar em responsabilização criminal, com penas que incluem detenção e multa, conforme o enquadramento jurídico de cada caso.

Mendonça destaca que o enfrentamento do problema exige fiscalização e atuação efetiva das instituições responsáveis. “É fundamental que órgãos como o Ministério Público Eleitoral e os sindicatos atuem de forma efetiva na fiscalização e punição de casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Além disso, é importante que os trabalhadores estejam cientes de seus direitos e sintam-se encorajados a denunciar qualquer forma de pressão ou intimidação relacionada à sua escolha política”, ressalta.

O advogado também chama a atenção para a responsabilidade do Estado e da sociedade na preservação da liberdade de voto. “O assédio eleitoral praticado por empresas e empresários representa não apenas uma violação dos direitos trabalhistas dos funcionários, mas também uma grave infração criminal. É dever do Estado e da sociedade como um todo combater essa prática e garantir que o exercício da democracia ocorra de forma livre, justa e transparente”, conclui.

Como denunciar

Trabalhadores que sofrerem ameaças, constrangimentos ou pressões para votar em determinado candidato devem reunir, sempre que possível, provas das ocorrências, como mensagens, gravações e documentos, e procurar os canais competentes para formalizar a denúncia.

O Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Eleitoral e os sindicatos podem receber denúncias e atuar na apuração de práticas de assédio eleitoral, de acordo com suas atribuições.

A orientação é que os trabalhadores conheçam seus direitos e não se submetam a ameaças ou intimidações. O voto é individual, secreto e livre. Nenhum empregador tem o direito de interferir na escolha política de seus funcionários.

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