4 de novembro de 2026

Copom decide hoje se mantém cortes da Selic

Mercado espera sexta redução consecutiva dos juros, mas Banco Central mantém cautela diante das pressões inflacionárias
Sede do Banco Central, em Brasília. Foto: Adriano Machado/Reuters/Direitos Reservados - via Agência Brasil

Copom decide nesta quarta se mantém ou reduz a Selic, atualmente em 13,75%, impactando inflação e crédito.
Expectativa é corte de 0,25 ponto, sexta redução seguida, mas alta do dólar e inflação geram dúvidas.
Faltam dois diretores no Copom; Lula defende juros menores, mas decisão é autônoma do Banco Central.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém a taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A decisão tem impacto direto sobre a inflação, o custo do crédito e os preços no país e é de responsabilidade autônoma do Banco Central, sem depender do governo federal. Ainda assim, o presidente Lula defende a redução da Selic, diante dos efeitos que as taxas elevadas provocam sobre a atividade econômica, o financiamento das empresas e o orçamento das famílias.

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A reunião desta quarta-feira (4) ocorre em um momento de pressão sobre a política monetária. A expectativa predominante captada pelo boletim Focus é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 13,5% ao ano. Caso se confirme, será a sexta redução consecutiva desde março, quando os juros estavam em 15% ao ano. Apesar dessa projeção, a alta recente do dólar e as pressões inflacionárias alimentam dúvidas entre os analistas sobre a continuidade do ciclo de cortes. A decisão será anunciada no início da noite.

O cenário, entretanto, mudou nos últimos dias. A alta do dólar, as pressões sobre os preços do petróleo e dos alimentos e a piora das expectativas de inflação fizeram parte do mercado financeiro rever suas projeções. A prévia da inflação oficial (IPCA-15) ficou em 0,32% em outubro, mas acumulou 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% estabelecido pelo sistema de metas. O Focus também elevou a projeção de inflação para 2026, de 5,19% para 5,22%.

Impactos da Selic

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo e os investimentos perdem força e a demanda é contida, contribuindo para desacelerar a alta dos preços. O movimento, porém, também encarece financiamentos, dificulta a expansão das empresas e pode frear a atividade econômica.

No sentido contrário, a redução da taxa básica tende a baratear o crédito, estimular o consumo e os investimentos e favorecer a produção. Por isso, a manutenção de juros elevados por períodos prolongados tem impacto direto sobre o cotidiano da população e sobre o ritmo de crescimento do país.

Banco Central e o papel de Galípolo

Cabe ao Copom, formado pela diretoria colegiada do Banco Central, avaliar o cenário econômico e decidir o patamar dos juros. Portanto, Lula não pode determinar cortes ou aumentos da Selic, assim como não pode interferir diretamente na votação do comitê.

Mas o presidente reivindica publicamente juros menores, argumentando que o patamar elevado da Selic prejudica o desenvolvimento, limita os investimentos produtivos e dificulta a expansão da economia. A redução do custo do dinheiro é uma das pautas do governo, que busca conciliar o controle da inflação com o crescimento econômico.

Mesmo sem poder direto sobre a decisão, a condução da política monetária está sob o comando de Gabriel Galípolo, indicado por Lula para presidir o Banco Central. O economista assumiu o comando da instituição em janeiro de 2025, com mandato até o fim de 2028. Galípolo também está submetido às regras de autonomia da instituição e a decisão depende do conjunto de diretores que integram o Copom.

O colegiado, entretanto, estará desfalcado nesta reunião. Os mandatos dos ex-diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expiraram no fim de 2025. Até esta quarta-feira, Lula ainda não havia encaminhado ao Congresso Nacional as indicações para preencher as duas vagas. Com isso, o comitê se reúne com sete integrantes, em vez de sua composição completa de nove membros.

A ausência dos dois diretores ocorre em um momento de decisões importantes sobre a trajetória dos juros. Na ata da reunião de setembro, o Copom reafirmou a cautela na condução da política monetária, diante da pressão exercida pela demanda sobre a inflação. O comitê avaliou que, embora a política monetária restritiva esteja contribuindo para a desaceleração da atividade econômica e para o processo de desinflação, os preços ainda sofrem pressões da demanda, exigindo a manutenção de uma postura monetária restritiva.

O documento também apontou riscos associados às expectativas de inflação acima da meta e aos possíveis efeitos de choques de oferta sobre os preços. O Copom defendeu que a condução dos juros continue condicionada à evolução do cenário econômico e à necessidade de assegurar a convergência da inflação para a meta, estabelecida atualmente de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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