O presidente Lula convocou uma série de reuniões com economistas, integrantes do governo e empresários para discutir os rumos da política econômica e fiscal do país. O movimento ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por medidas de contenção dos gastos públicos e à decisão do Banco Central (BC) de interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros.
O primeiro encontro, realizado nesta quinta-feira (5), reuniu nomes próximos ao governo, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a ministra da Gestão, Esther Dweck, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, além dos ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega e do economista Luciano Coutinho.
A intenção de Lula é ampliar as conversas nas próximas semanas, ouvindo também economistas de diferentes correntes, tanto ortodoxos quanto heterodoxos, além de representantes do setor empresarial, banqueiros e empresários da construção civil e da indústria.
Segundo Durigan, a iniciativa busca compartilhar diagnósticos e propostas para enfrentar o cenário econômico, pressionado pelo mercado e Banco Central a cortes para supostamente manter a sustentabilidade das contas públicas. O governo já afirmou publicamente que nenhuma medida econômica pode afetar os programas sociais e os compromissos assumidos pelo presidente durante a campanha eleitoral.
Copom interrompe sequência de cortes
A reunião de Lula com economistas acontece após o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir, na quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão interrompeu uma sequência de cinco reduções consecutivas, iniciada em março, quando a Selic estava em 15%.
Na véspera da decisão, a expectativa predominante no mercado era de um novo corte de 0,25 ponto percentual, que representaria a sexta redução seguida. A possibilidade, entretanto, perdeu força diante da alta do dólar, das pressões sobre os preços do petróleo e dos alimentos e da piora das expectativas de inflação.
A prévia da inflação oficial (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro e acumulou 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% do sistema de metas. No boletim Focus, a projeção do mercado para a inflação de 2026 também subiu, passando de 5,19% para 5,22%.
A decisão do Copom foi unânime. No comunicado, o colegiado apontou um ambiente de maior incerteza, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração mais acentuada da atividade econômica. O Banco Central também destacou os riscos externos associados aos conflitos no Oriente Médio e à pressão sobre os preços das commodities.
Na ata da reunião anterior, em setembro, o comitê já havia reafirmado a cautela na condução da política monetária. Embora reconhecesse que os juros elevados contribuíam para desacelerar a atividade e reduzir a inflação, o Copom avaliou que os preços ainda sofriam pressões da demanda e que as expectativas permaneciam acima da meta.
Juros elevados afetam crédito e investimentos
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando permanece em patamar elevado, encarece empréstimos e financiamentos, reduz o consumo e pode desestimular investimentos e a expansão das empresas.
Por outro lado, a redução da taxa básica tende a baratear o crédito, estimular o consumo e favorecer a produção. A manutenção dos juros em 13,75%, portanto, prolonga o custo elevado do dinheiro para famílias e empresas e impõe obstáculos à atividade econômica.
Embora o presidente Lula defenda publicamente juros menores, a decisão cabe ao Copom, órgão colegiado do Banco Central. A autonomia da instituição impede que o governo determine diretamente o patamar da Selic.
Banco Central mantém cautela e deixa próximos passos em aberto
O Copom é presidido por Gabriel Galípolo, indicado por Lula para comandar o Banco Central em janeiro de 2025, com mandato até o fim de 2028. A condução da política monetária, porém, depende dos votos dos integrantes do colegiado.
A reunião de novembro ocorreu com sete integrantes, em vez dos nove previstos na composição completa. Duas vagas de diretoria permaneciam sem preenchimento, após o fim dos mandatos de Renato Gomes e Diego Guillen.
Ao manter a Selic, o Banco Central não sinalizou quando poderá retomar os cortes. O comitê afirmou que seguirá acompanhando a evolução do cenário para manter o grau de restrição monetária considerado adequado à convergência da inflação para a meta.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro.
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