5 de junho de 2026

o pó sagrado de minas é a marca da tortura, poema de romério rômulo

o pó sagrado de minas 
é a marca da tortura
(até senadores sabem!)

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quem vai comer tanto pó
na dura terra de minas
nos seus valores benditos
que nem gritam carnavais
pelo destrato da carne?

quem vai banir os pecados
tratados a ferro e fogo
por senhores e senhoras
da triste terra de minas
que chora de desalento?

quantas igrejas já sabem?
quantos santos estão bêbados
pelo pavor que lhes cabe
em dissolver os pecados?


quantos pecados do pó
socorrem minha vergonha
e remetem minha carne
ao diabo de plantão?

se minas não me responde
caio em silêncio e declaro
a minha dura miséria.”
RR

Romério Rômulo

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

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4 Comentários
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  1. lenita

    25 de janeiro de 2014 10:12 pm

    Adorei

     

    Gostei muito do poema. OH! Minas Gerais !

  2. peregrino

    25 de janeiro de 2014 11:57 pm

    eu também…

    simplesmente real e linda a visão poética que segue delineando e direcionando a atualidade pela eternidade

     

    sempre um momento de encanto suas aparições

  3. José Carlos Lima

    26 de janeiro de 2014 5:21 am

    Entrou
    Não vou mentirOs poemas de RR não entravam em mimNão sei pqMas passei a gostar a partir deste poemaEntrou: “tudo em mim é falso”; poema de romério rômulo

    1.
    tudo em mim é falso:
    a minha pele,
    a ruptura do corte
    a minha fala,
    a perda de limites
    a minha casa,
    um antro de vazios

    minha poesia:
    o rasgo da censura.

    2.
    mais do falso de mim:
    a minha pele
    e a ruptura da pele
    a minha fala
    e o silêncio da fala
    a minha casa
    e o esqueleto da casa

    minha poesia
    sem rasgo e sem censura.

    3.
    falso, falso.
    tudo em mim é falso.

  4. Meg Reis

    13 de março de 2014 8:44 pm

    Sua poesia continua

    Sua poesia continua intemporal.

    Um beijo de Portugal

     

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