Maira Vasconcelos
Maíra Vasconcelos é jornalista e escritora, de Belo Horizonte, e mora em Buenos Aires. Escreve sobre política e economia, principalmente sobre a Argentina, no Jornal GGN. Escreve crônicas para o GGN, desde 2014.
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Javier Milei pretende manter o peronista Daniel Scioli como embaixador no Brasil

Alberto Fernández confrontou Sicioli: “qualquer um que tenha trabalhado no nosso governo tem que ser impossível trabalhar com Milei”.

Milei e Scioli

Javier Milei pretende manter o peronista Daniel Scioli como embaixador no Brasil

por Maíra Vasconcelos, Especial para o Jornal GGN

O discurso político agressivo e autoritário usado durante a campanha por Javier Milei, e antigovernos de esquerda, quando chegou a dizer que não se reuniria com o presidente Lula da Silva, porque “é um comunista e corrupto, por isso esteve preso”, sofreu um revés nos últimos dias, ao menos no que diz respeito às relações com o Brasil. Parece que Milei não estaria disposto a perder os vínculos com Lula, já que o Brasil é o principal sócio comercial do país. Tanto é assim que por meio da chanceler e deputada eleita, Diana Mondino, futura ministra de Relações Exteriores,  que esteve de visita ao país, no último domingo, o novo governo tem ponderado suas ações na relação diplomática com o Brasil. Em entrevista ao jornal GGN, o economista e tesoureiro dos libertários havia advertido que o tom e as falas que Milei estava adotando durante a campanha seriam logo moderados, a partir da realidade de governança.Uma coisa vai ser todo o show que a política necessita e outra coisa vai ser a realidade. As relações serão ótimas”, disse.

O atual presidente Alberto Fernández confrontou publicamente com Sicoli, que além de atual embaixador do governo de Alberto, também foi vice-presidente de Néstor Kirchner (2003-2007), e afirmou que não entende “como pode ser possível representar o governo de Alberto Fernández e Javier Milei do mesmo modo, eu não entendo, e que não venha com a história de que isso representa a Argentina, porque isso é falso, são duas argentinas distintas”. E acrescentou, “qualquer um que tenha trabalhado no nosso governo, isso teria que ser algo objetivamente impossível trabalhar com Milei”, disparou Fernández. Daniel Scioli foi também candidato a presidente, em 2015, e enfrentou Mauricio Macri no segundo turno, que ganhou as eleições naquele ano.

Os libertários demonstram a intenção de que Scioli continue como embaixador, pelo trabalho desempenhado até aqui, principalmente, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando havia razões suficientes para que as relações entre os governos de Alberto e Bolsonaro produzissem conflitos de ordem ideológico-política.

Diana Mondino esteve no Brasil para entregar uma carta de Javier Milei convidando o presidente Lula da Silva para a posse. Além do mais, a futura ministra de Relações Exteriores afirmou a intenção dos libertários para que o atual embaixador permaneça no cargo, após 10 de dezembro:  “A vontade é que Scioli continue e essa também é a opinião no caso do Brasil”, disse ela. Na mídia local já cogitavam o fato de que Scioli poderia permanecer no cargo, durante o governo dos libertários. No entanto, Mondino preferiu adotar um tom mais precavido, pois a confirmação do embaixador “depende do Congresso”.

Maíra Vasconcelos – jornalista e poeta, mora em Buenos Aires, publica artigos sobre política argentina no Jornal GGN e cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina. 

Maira Vasconcelos

Maíra Vasconcelos é jornalista e escritora, de Belo Horizonte, e mora em Buenos Aires. Escreve sobre política e economia, principalmente sobre a Argentina, no Jornal GGN. Escreve crônicas para o GGN, desde 2014.

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