A vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, prometeu na última terça-feira (27) reabrir os processos de guerrilheiros Montoneros, grupo ligado ao peronismo que lutou contra a ditadura cívico-militar (1976-1983), responsável por milhares de mortos e desaparecidos.
“A Argentina merece não ser um ninho de impunidade e, para isso, é necessário que construamos sobre as bases da justiça. Portanto, reabriremos todos os casos de vítimas do terrorismo para que a justiça faça o que deveria ter feito há mais de 20 anos”, disse Villarruel, durante um evento no Senado argentino, convocado por ela, em homenagem ao Dia Internacional em Memória e Tributo às Vítimas do Terrorismo.
“Todos os ‘montoneros‘ têm que ser presos, respondendo por ensanguentar a nossa nação”, acrescentou, em referência aos membros da guerrilha que pregava um “socialismo nacional”.
Segundo o jornal La Nación, a reabertura das investigações deve ser feita por uma associação civil fundada pela própria vice-presidente, que assim como o presidente Javier Milei, afirma que o que aconteceu no período da ditadura foi uma “guerra”, na qual as forças do Estado cometeram apenas “excessos”.
Vale lembrar que, em 2005, após anular as leis de anistia, a Justiça argentina condenou mais de mil repressores em cerca 330 julgamentos por crimes contra a humanidade.
Reação
Em resposta, o grupo ‘HIJOS’, formado por filhos de sequestrados e desaparecidos, publicou um comunicado na rede social em que “repudia a glorificação do terrorismo de Estado por parte da vice-presidente (…) ignorando o genocídio, assim como os crimes contra a humanidade cometidos em mais de 800 centros clandestinos”.
Guerrilheiro italiano preso
Ainda ontem (30), a polícia da Argentina comunicou que prendeu Leonardo Bertulazzi, um guerrilheiro italiano ex-membro do grupo armado marxista-leninista, Brigadas Vermelhas.
Bertulazzi era considerado foragido na Itália há mais 40 anos, onde é procurado por crimes que teria cometido como parte do grupo guerrilheiro. Ele vivia na Argentina como refugiado, mas perdeu o status no governo de Milei.
Bertulazzi foi condenado a 27 anos de prisão e policiais italianos estavam em Buenos Aires durante sua captura.
Com informações da AFP
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