Descoberta a usina de frases de Cármen Lúcia, por Luis Nassif

Por Luis Nassif

Fotos: Reuters/Veja/Agência Brasil

A nomeação de um assessor especial, pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmen Lúcia, permitiu desvendar um dos grandes segredos da República: o ghost-writer, o autor das frases inolvidáveis que quase transformaram Carmen Lúcia em uma presidenciável.

Nunca antes, em nenhum período da história, com exceção do “Independência ou Morte”, de Dom Pedro 1o, as frases tiveram implicação política tão relevante.

No dia em que Carmen bradou “onde um juiz for destratado, eu também sou”, se tornou a fada madrinha do Judiciário. Com o brado “Cala a boca, já morreu!”, imediatamente foi alçada pela o Globo ao posto de presidenciável.

Depois, enfrentou alguns problemas que fizeram a Globo refletir melhor. Mas nenhum deles provocado pelas frases, que se mantiveram de alto nível.

Agora, se descobre o grande inspirador, Petrônio Augusto Carvalho Oliveiri Filho, nomeado assessor especial nível CJ3 na Assessoria Processual do STF e titular do blog “O Pensador” cujo conteúdo mais relevante são frases, frases e frases, divididas em tópicos atraentes como “Frases Curtas”, “Frases Lindas”, “Frases Românticas”, “Frases inteligentes”, “Frases da Vida”, um tipo de frase para cada estado de espírito.

No tópico “Frases de Vencer Obstáculos”, há alguns remédios bem interessantes para vencer no serpentário do STF:

“Quem quer vencer um obstáculo deve armar-se da força do leão e da prudência da serpente”.

E também frases que poderão ser incluídas em sentenças sobre a Lei Maria da Penha:

“A força do desejo da carne facilmente vence as barreiras morais do homem insatisfeito”.

Leia também:  Lula recorre no STF por sair prejudicado em alegações finais no triplex e sítio de Atibaia

Há uma frase em “Frases Para Refletir”  que poderia bem ser utilizada pelos quatro juízes que Carmen Lücia jogou no fogo, por não terem seguido a maioria, e participado de eventos anti-impeachment:

“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te”. De Friedrich Nietzsche

Para os tempos em que sonhava galgar os pináculos do poder com as escadas das frases, Carmen Lúcia poderia ter se valido da seguinte:

“Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser”, de William Shakespeare.

No tópico ˆFrases Lindas”, esta preciosidade

“Fazer grandes coisas é difícil; mas comandar grandes coisas é ainda mais difícil”.

Há uma editoria inteira dedicada a frases de Carmen Lúcia. A mais relevante foi dita antes da tomada do poder pelo grupo de Michel Temer: 

“O ilícito não é normal!”

E há uma frase enigmática, mas de grande significado, também de autoria de Carmen:

“Quem por direito não é senhor do seu dizer, não se pode dizer senhor de qualquer direito”.

No item Sabedoria Popular, um dito que cai como uma luva no voto de desempate de Carmen Lúcia, em favor do seu conterrâneo Aécio:

“Chega-te aos bons, serás um deles, chega-te aos maus, serás pior do que eles”.

E uma bem significativa de Albert Einstein:

“O segredo da criatividade é saber como esconder as fontes”.

 

42 comentários

  1. Que tal estas:
    Um jumento

    Que tal estas:

    Um jumento será sempre um jumento, ou

    Um jumento jamais será um cavalo, ou

    Cavalo é cavalo, jumento é jumento, mas, os dois são burros.

     

  2. Descoberta a usina de frases de Cármen Lúcia

    Algumas sugestões para a tia Carminha.

    – Depois de mim virá quem bom me fará.

    – O sol nasce para todos mas uns ficam à sombra.

    – Quem sai aos seus não degenera.

  3.  
    No tempo em que era

     

    No tempo em que era procuradora em Minas, a guru da Cármen Lúcia era a professora de yoga Maria José Marinho.

  4. A mãe de todas as frases:

    A mãe de todas as frases: “Sábios escreveram frases antológicas. Idiotas as vivem repetindo”. E aproveito para esclarecer, não sei quem é o autor, gostaria que fosse de minha autoria mas não sou sábio. E também não a vivo repetindo.

    • Olá Duduoutro,meu fã de

      Olá Duduoutro,meu fã de carteirinha.Seus comentários tem subido e muito de produção.Quem terá sido seu mentor?Claro,não és ainda um sábio,mas esta escrevendo melhor que Ricardo Noblat.

      • Melhor que Ricardo Noblat é

        Melhor que Ricardo Noblat é d’escrachar ! Só considerarei meu currículo turbinado quando estiver escrevendo não melhor, por impossível, mas igual ao Juninho 5. Grande abraço !

  5. Por decoro

    Não sepode dizer, depois dessa, que a Rainha está nua, seria falta de decoro. Mas pode-se dizer, em vez de ministra, ela dava uma boa autora de livros estilo “Quem roubou meu queijo”. Não sei se o livro foi escrito por ratos ou homens…

  6. KKKKKKKKKKK
    A vingança do pão

    KKKKKKKKKKK

    A vingança do pão de queijo

    Quer dizer que ela é uma Bertoldo Brecha? Cita sem saber de quem. As últimas semanas tem sido ótimas. Saber que o machão Alexandre Frota precisa de prótese peniana porque “não dá mais no coro” (citação copiada de O Pensador)  e que a PRESIDENTA Carminha do STF precisa de prótese mental porque não dá no coro intelectual é nossa vingança contra a hipocrisia e a mediocridade desses dois influentes personagens do golpe.

     

    • Vixe Dona Vera,a senhora

      Vixe Dona Vera,a senhora quase descarrilha o trem.Protese peniana em Alexandre Frota,que de gente não tem nem a forma,e protese mental em Carmen Lucia,a Benta Carneiro,em hipotese alguma,poderia terminar bem.Uma mistura de Dona Bela com seu Mazarito.O que ia dá isso aí?

  7. Carmen Lucia,a Benta

    Carmen Lucia,a Benta Carneiro,e Luiz Fux,o Folha Seca,são as duas maiores degradações e aberrações,por que não humanas,verificadas no Judiciario Brasileiro em todos os tempos.E o lulopetismo não pode nem deve fazer cara de paisagem por ter patrocinado uma tragedia como essa.É simplesmente inacreditável que ninguem,absolutamente ninguem, soubessem do carater latrinal dessas duas figuras.Carmen Lucia,uma donzela provinciana com vocação para freira,ridicula,decoreba,tosca,infantil,pobre de espirito,complexada,despreparada,mal amada,talvez veja em Aécio Neves o principe encantado que nunca chegou.Por escolher demais,ficou no barricão.Uma figura de causar arrepios em uma criança com seus incriveis dotes vampirescos.Luz Fux,tipico playboy das antigas da zona sul do Rio.Cabelo maracanã,costeletas berrantes,oculos para-brisas,a lembrar os personagens de Macondo de Garcia Marquez,pifio tocador de intrumentos de cordas,vulgar e preguiçoso.Troca o dia pela noite,e só acorda depois do meio dia.Vazio,enganador,farofereiro,cretino,disposto a pisar no pescoço da propria Mãe para alcançar seus objetivos nada nobres.É só verificarem o que foi capaz de fazer para ser indicado Ministro do STF.Ao lado de Alexandre de Moraes,o Kojak,sem condições suficientes de ser sequer Ministro de Igrejas Evangelicas,tornaram o STF,a mais alta corte de Justiça do País,em um mero local de lazer,onde calções de banho,biquni,bermudas e camisetas,são as vestimentas mais apropiadas.Eu também tenho uma frase tão vulgar quanto eles:Que vão os tres,a PQP.

  8. Quanta inspiração !!!

    “Ou o Brasil acaba com as formigas, ou as formiguinhas acabarão com o Brasil “

    “Um pão de queijo, é um pão de queijo , é um pão de queijo”!

    Post muito bom para uma segunda-feira.

    Abração para todos.

  9. Seu Nassif, um conselho

    Na próxima visita ao STF, adote algumas medidas acautelatórias. Por exemplo, leve um cachorrinho junto. Quando chegar na hora do irresistível pão de queijo, duas opções: 1) dê um pedaço pro cachorrinho e aguarde 15 minutos, pelo menos; 2) ou, quando ela pegar o dela, troque com o seu. 

    Recuse terminantemente o chá. 

  10. Por que para tão alto valor tão baixa estima?

     

    Luis Nassif,

    Nunca foi criativo e talvez por isso queria ter primazia em algumas ideias, até descobrir que elas já teriam sido apresentadas muito tempo antes. Como exemplo eu menciono a minha defesa do aumento da carga tributária. Considerava ideia minha, até descobri que no final do século XIX, Adolph Wagner ao formular a que ficou conhecida como Lei de Wagner de modo indireto já defendia o aumento da tributação.

    Também tenho tendência de questionar autoria de textos e frases. De vez em quando no levantamento sobre a origem da frase, eu esbarro no site do Pensador. Imaginava tratar-se de Gabriel o Pensador. É comum que a frase venha com a autoria improvável. Para ganhar autoridade, Einstein é um dos autores prediletos.

    A frase “O segredo da criatividade é saber como esconder as fontes”, que em inglês é “The Secret to Creativity Is Knowing How to Hide Your Sources”, tem a atribuição de sua autoria a Einstein questionada no ótimo site Quote Investigator, como se pode ver no seguinte endereço:

    https://quoteinvestigator.com/2014/06/01/creative/

    Agora considero que prevalece no ser humano a tendência que o ex-ministro da Indústria e Comércio, João Camilo Penna avaliava como sendo própria do brasileiro ao dizer que “a alma do brasileiro balança entre a Terça-feira Gorda e a Quarta-feira de Cinzas”. Avalio como sendo comum a todo mundo ficar nesse equilíbrio desequilibrado e ver os outros do mesmo modo. Então de repente a Cármen Lúcia é elevada ao apogeu e no mesmo momento a descem para o perigeu.

    Eu optei há muito em ver no ser humano a nossa natureza medíocre. Não ponho a Cármen Lúcia nem no alto nem no baixo. Ela fica ali no meio onde impera a mediocridade como o próprio nome do termo indica.

    E uma curiosidade. Cármen Lúcia é Antunes. Em Pedra Azul, os Antunes são considerados como descendentes do Bicho. Uma informação a mais sobre os Antunes serem considerados Bichos pode ser vista aqui no seu blog no post “Os monstros brasileiros” de quinta-feira, 02/02/2012, do historiador Luis Carlos Mendes Santiago, ele também descendente do Bicho. O endereço do post “Os monstros brasileiros” é:

    https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/os-monstros-brasileiros

    Seja lá com que frases, ou seja ela descendente de quem quer que seja, até a véspera da eleição de 2018, o STF vai estar nas mãos dela.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 20/11/2017

      • Dr.Clever,permita-me.O senhor

        Dr.Clever,permita-me.O senhor é natural de Pedra Azul,conterrâneo do grande Saulo Laranjeira?Se for,está de parabens.Pedra Azul(O Moreno Vivo nasceu muito além do jardim),é,aos meus olhos,a mais bela cidade do norte de Minas,ainda que pequena.Quando em viagem por aquelas bandas,faço questão de passar por lá.Um encanto só.

    • Humm…Quem não tem quiabo

      Humm…

      Você lembra quando a presidenta Carminha ofendeu a presidenta Dilma dizendo que queria ser chamada de “presidente” porque esteve na escola? E os termos presidenta são encontrados no Memórias Póstumas do Machado de Assis e nas traduções de Ligações Perigosas, inclusive a de Carlos Drummond.

      Então …”quem não tem quiabo não oferece caruru” – Stanislaw Ponte Preta

       

  11. DE PENSAR MORREU UM BURRO.
    DE PENSAR MORREU UM BURRO. NÃO SEI DE QUEM É, MAS CABE BEM NESSES TEMPOS DE GRANDE ESTUPIDEZ COLETIVA.

  12. Uma frase de M. Lutero. A outra não.

    ” Quando é um cão velho que late, é bom verificar o que está acontecendo.”

     E quandoé uma cadela velha que late, deve ser a mesma coisa?

  13. Não acredito

    Até parece que ninguém aqui lê CARAS. Tem uma página em cada edição dedicada a elas.

    Mas cá entre nós – não espalhem – Oscar Wilde e o Millôr eram fasistas genias.

  14. Não podemos nos esquecer da
    Não podemos nos esquecer da famosa frase dita pela também ministra do STF Rosa Weber ao final do julgamento do mensalão do PT “não tenho provas contra José Dirceu mas a literatura juridica assim me permite condená-lo” essa frase na verdade foi criada por um juiz alemão na época do nazismo e a justificativa para condenar um réu nunca foi usada pelo criador da frase, nem por nenhum juiz no mundo, apenas por Rosa Weber.Quem entregou a tal frase para a ministra foi Sergio Moro, acessor da ministra durante o julgamento.

  15. Eu até gosto de citar uma ou

    Eu até gosto de citar uma ou outra frase ou dar referências, mas dai a fazer compilação de frases retiradas de livros, artigos ou entrevistas, revela falta de conhecimento dos autores citados. Se os lessem, não precisaria ter na “gaveta” uma frase para cada ocasião. Basta pensar um pouco.

  16. “Os modos caprichosos da paixão”, Gilberto Gil

    Entre a lista de desserviços prestados pela ministra, o de avacalhar a nobre fonte de conhecimento e meditação que são os aforismos e frases curtas, máximas, provérbios (transmitidos tanto no papel quanto em parachoques de caminhão, ondas sonoras em letras de música, sussurados ou gritados em grafites nos muros, ou em estampa de vestuários – antes de serem banalizados) é um dos que mais me incomoda porque a sabedoria contida nessas miniaturas de filosofia ambulante me é muito cara e sou adepta de seu uso. Li em algum lugar que a prática de meditar sobre aforismos, máximas ou trechos de pensamentos é parte da educação judaica, por sua capacidade de promover a memorização, o insight, a reflexão e a elaboração conceitual – desculpem pela  imprecisão mas é como me recordo. Não por acaso, a meditação zen emprega o koan, a poesia o haikai, a letra de música o refrão, e a publicidade, sempre oportunista, o slogan – aliás, acho que as frases da ministra tem mais essa característica do que as outras, que tentou simular.  

    O site que você citou não é uma fonte confiável e é uma wikipedia muito ruim que reúne frases célebres muitas vezes atribuídas com erro e muita “frase para facebook ou grupo da família”. 

    Para quem aprecia essa forma de condensação do pensamento, sugiro na internet o site Citador, de Portugal, porque além de indicar a fonte das frases citadas, é mais organizado e confiável, ainda que o ideal seja verificar em várias fontes diferentes tanto a forma consagrada quanto a real autoria. 

    Em livros, há inúmeros e mesmo os livros banais, compilações de frase aleatórias ou de gosto duvidoso, podem conter ao menos uma grande frase pouco conhecida. Mas indicarei alguns cuja autoria pode sugerir qualidade na escolha das citações, autorais ou não, e confiabilidade do conteúdo:

    1 – Curativos para a alma, do rabino Nilton Bonder: tem a sabedoria, a brevidade e a fina (auto)ironia característica d@s pensadores/as judeus.

    2 – Máximas e reflexões, de Johann Wolfgang von Goethe: frases de sua autoria; fora de catálogo no Brasil, pode ser encontrado em pdf na Internet ou importado. Folheei em livraria e não comprei na época porque o preço era proibitivo, do que me arrependi depois. Mas tenho vívivas memórias dos trechos que li e da sua capacidade de convidar à reflexão autocrítica sem agressividade (algo parecido com o que virou chavão chamar de “tirar da zona de conforto”). 

    3 – Dicionário Universal Nova Fronteira de Citações, de Paulo Rónai: A capa da 3ª edição traz a frase “O amor é a única paixão que não admite nem passado nem futuro”, Honoré de Balzac. No prefácio, uma citação de Machado de Assis que pode ser aplicada à ministra – e aliás existem livros feitos assumidamente com esta intenção, de povoar discursos vazios, reuniões de trabalho como ferramenta “motivacional”, enfeitar conversa fiada ou apenas repetir algo que ecoa uma percepção coletiva, melhor elaborada… a arte da citação é democrática e hospeda diversas intenções e usos porque fundada na multiplicidade interpretativa que caracteriza a comunicação humana e na necessidade atávica de expressão de pensamento, talvez daí sua popularidade: “Sentenças latinas, ditos históricos, versos célebres, brocados jurídicos, máximas, é de bom aviso trazê-los contigo para os discursos de sobremesa, de felicitação e de agradecimento.”

    Sobre Escravo: “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem sê-lo”, Goethe. 

    De um precursor de outro ministro paródico da Corte Suplícia: “Eu também sou escravo… das minhas obrigações, e elas são muito pesadas.” D. Pedro II (Palavras a um escravo que viera se queixar de maus tratos ao Imperador e a quem este alforriou, citadas em O Brasil anedótico, de Humberto de Campos). 

    Sobre Escrava: “Medo da Senhora –  A escrava pegou a filhinha nascida / Nas costas / E se atirou no Paraíba / Para que a criança não fosse judiada.” Oswald de Andrade, Pau Brasil. 

    “Mãe-Chiquinha nos amava / com seu calor de nascença: / o riso dos dentes sãos / a liberdade em desuso / trazida da escravidão. // Mãe-Chiquinha possuía / no olhar segredos gerais. / À luz do cachimbo aceso / de repente se perdia / na pele dos ancestrais.” Francisco Carvalho, Os Mortos Azuis. 

    A leitura do verbete “escravatura” permite relembrar que o racismo “conceitual” que ainda hoje escandaliza porque citado em salões da oligarquia (não é a TV brasileira como as pantomimas das cortes antigas, suas coreografias ensaiadas para dissimular os conflitos surdos que ela encena para impedir que sejam  enfrentados na vida real?) também afetava controversos personagens da história nacional, como Rui Barbosa, que teria escrito:

    “A ignomínia que barbariza e desumaniza o escravo, conspurca a família livre, escandaliza no lar doméstico a pureza das virgens e a castidade das mães; perverte irreparavelmente a educação de nossos filhos; atrofia a nossa riqueza; explica todos os defeitos do caráter nacional, toda a indolência do nosso progresso, todas as lepras da nossa política, todas as decepções das nossas reformas, todas as sombras do nosso horizonte.”, e que também teria impedido a tentativa de escravocratas de receber indenização do Tesouro com a polêmica queima dos livros de registro, e que assim teria justificado sua decisão: “mais justo seria e melhor se consultaria o sentimento nacional se se pudesse descobrir meio de indenizar os ex-escravos não onerando o tesouro” (citação em https://www.conjur.com.br/2015-set-13/embargos-culturais-rui-barbosa-polemica-queima-arquivos-escravidao). 

    Sobre o Brasil: “O Brasil, por maiores que possam parecer os obstáculos que o separam da perfeição, não está menos destinado por isso a um grande papel no mundo civilizado. Quando a escravatura tiver completamente desaparecido, quando aquela sociedade, que se baseava na servidão, se baser definitivamente na liberdade e na justiça, o Brasil será o país riquíssimo de um grande povo.” Ramalho Ortigão, As farpas 

    “Precisamos descobrir o Brasil!”, Carlos Drummond de Andrade, Brejo das Almas 

    “Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso, / O gosto dos meus descansos, / O balanço das minhas cantigas, amores e dança, / Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada, / Porque é o meu sentimento pachorrento, / Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.” Mario de Andrade, Prisão de luxo. 

    Olha a coincidência de situações e sentimentos com o que vivemos hoje, na mesma ordem em que aparecem no livro:

    “Os ‘donos’ do Brasil se embalam portanto numa falsa segurança. Pois se há um país sem dono, é este. Se há um país desenganado, envergonhado de si mesmo, vencido, faminto, nu, doente, analfabeto, irritado, é este.” Rachel de Queiroz, 100 crônicas escolhidas. 

    “O Brasil contemporâneo prova que a anarquia é possível.” Teotônio Vilela, citado por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil de 13.III.1984 

    “Não sei que caos é este a que se referem nossos articulistas políticos, e que, segundo eles, já se aproxima. Engano: há muito estamos nele. O Brasil é um prodigioso produto do caos, uma rosa parda de insolvência e de confusão. A verdade é que já nos acostumamos com isso, não dói mais, como certas doenças malignas.” Lúcio Cardoso, Diário Completo.

    “Brasil – um belo lugar onde se quer uma nação.” Mário da Silva Brito, Desaforismos

    De outras páginas do mesmo livro 

    “O Brasil é… paradoxalmente, um país novo povoado de ruínas. Feita em saltos, a nossa história desconcerta o investigador. É o regime da inconsequência. É uma série de esforços arquejantes, que não se conjugam, não se integram num conjunto. Não conhecemos a marcha continuada, o lento ascender de passo firme. Vivemos sempre a recomeçar.” Gilberto Amado, A chave de Salomão. Palpite meu, “deve ser o sol em Touro”, hahaha.

    Do mesmo autor, “Quem não gosta do Brasil não me interessa.”, Mocidade no Rio. E “… nenhum povo se achou ainda, em latitudes geográficas idênticas à nossa, com responsabilidade semelhante… O Brasil é a primeira grande experiência que faz na história moderna a espécie humana para criar um grande país independente, dirigindo-se por si mesmo, debaixo dos trópicos.”

    De Djalma Andrade:  “A gente murmura, fala, / Velhos defeitos propala / Em linguagem rude e vil: / – É a terra pior do mundo! /  Mas no fundo, bem no fundo, / Quanto amor pelo Brasil!”

    Do lusitano Eça de Queiroz, um dos preferidos do professor Antonio Candido 

    “O que eu queria (e que constituiria uma força útil no Universo), era um Brasil natural, espontâneo, genuíno, um Brasil nacional, brasileiro, e não esse Brasil que eu vi, feito com velhos pedaços da Europa, levados pelo paquete e arrumados à pressa, como panos de feira, entre uma natureza incongênere, que lhe faz ressaltar mais o bolor e as nódoas.” 

    Sobre problemas brasileiros

    “Aliás, os velhos problemas do Brasil possuem isto em comum: perene atualidade. À falta de uma corajosa solução dos governos, continuam sempre atuais.”  Cassiano Nunes, O patriotismo difícil

    Sobre a liberdade

    “Mas a liberdade como a verdade: quase ninguém a ama por ela mesma, e no entanto, devido à impossibilidade dos extremos, volta-se sempre a ela.” Renan

    “Graças à bondade de Deus nós temos em nosso país estas três coisas de indizível valor: liberdade de falar, liberdade de consciência e a prudência de nunca praticar nem uma nem outra.” Mark Twain

    Sobre citação

    “Uma citação administrada em tempo acalma o erudito mais furioso.” Nelson Geraldo

    Sobre aforismo

    “Muitos julgam cumprir o seu dever pronunciando aforismos abstratos para uso alheio em vez de pregar por meio do exemplo.” Ibsen, A coalizão da Juventude, ato V

    Sobre africano

    “Nas minhas andanças, fui parar na África e lá conversei com aqueles homens da Unesco, os bons, não os burocratas. Um deles me disse: ‘Cada vez que morre um velho africano é uma biblioteca que se incendeia'” Lygia Fagundes Telles, A disciplina do Amor

    Sobre ser e ter

    “Antigamente, a questão era de ‘ser ou não ser’. Hoje é de ‘ter  ou não ter’. Dinheiro, principalmente.” Mário da Silva Brito, Desaforismos

    Sobre jornalista

    “Não há, talvez, gente mais detestada em segredo. Nem gente a quem os outros,  quase sempre, recorram tanto. Força irresistível, dominadora, ostensiva de todo o panorama social, construindo heróis falsos ou verdadeiros, derrubando verdadeiros ou falsos ídolos, o jornal – esta folha de papel que custa um níquel, que interessa durante uma hora – é escrito, na verdade, por uma gente suspeita. Donde vieram esses sujeitos em mangas de camisa, com uma ponta de cigarro no canto da boca, que rabiscam nervosamente no fundo da sala? Que pensamentos e ambições estarão por trás dessas frontes inclinadas sobre a mesa?” Ribeiro Couto, Conversa Inocente

    Sobre música

    “Não há nações sem música. A música é como o pão – elementar e santa, e é de todos.” Tristão da Cunha 

    Sobre silêncio

    “Abençoado o homem que, não tendo nada a dizer, se abstém de demonstrá-lo com palavras.” George Eliot

    “O homem moderno perdeu o prazer do silêncio.” Mário da Silva Brito, Diário Intemporal

    “O resto é silêncio.” Hamlet (Shakespeare)

    Sobre o mundo

    “Lemos o mundo às avessas e dizemos que ele nos engana.” Rabindranath Tagore 

    “O mundo é uma comédia para aqueles que pensam, uma tragédia para aqueles que sentem.” Horace Walpole

    “Deixaremos este mundo tão tolo e malvado como o encontramos ao chegar nele.” Voltaire

    “… O fim do mundo… / Deus vira-se e diz: ‘Tive um sonho.'” Paul Valéry

    Em homenagem ao Dia da Consciência Negra e à arte da citações, como dizem que no Brasil tudo acaba em samba, que é uma das nossas maiores contrubuições à cultura do mundo, “De Bob Dylan a Bob Marley”, de Gilberto Gil, um dos mais lindos livros escritos por Deus. 

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=uRohdOiZ1kI%5D

     

    SP, 20/11/2017 – 16:51

     

    • Fui ao Conjur

      ler o artigo citado sobre o pronunciamento do Rui Barbosa e do episódio da queima de arquivos de registros de propriedade de negros na escravatura.

      Adquiridos como semoventes, objetos de direito e sem alma, aos escravos não se fez outra referência sobre a queima desses arquivos que o dos interesses dos senhores.

      O autor, ou os autores de artigos jurídicos sempre elegeram o Rui como a autoridade política que foi, sem qualquer crítica, entendendo perfeitamente “as razões do estado”. Ninguém nem tinha percebido que negro tinha virado humano.

      Nem mesmo após um século e meio se deu a perceber que a queima desses arquivos serviu, na realidade  para evitar que na remota hipótese em que os negros viessem a virar pessoas tivessem a má idéia de reivindicar indenizações milionárias do estado e se arrogarem cidadãos, como fazem os negros americanos  que, ao menos conseguem reconstituir a própria história, ou os judeus, não nunca perderam qualquer escrita que lhes interessasse.

  17. Acreditar-te?

    “Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te”. De Friedrich Nietzsche

     

    Favor corrigir para que a presidenta do STF não cometa mais um erro de português.

     

    • Lula falando errado é “menas”

      Lula falando errado é “menas” difícil de entender do que pseudo intelectual usando (copiando ?) português castiço. Talvez justamente por esse motivo, Henrique, não entendi onde está o erro de português.

  18. Auto-ajuda

    Típico de quem só lê livros de auto-ajuda, uma subliteratura. É a cara dela.

    Sobre o “çupremo” ainda estou em dúvida se ele baseia sua “jurisprudência” no seu similar de Honduras ou do Paraguai, no capítulo “Como depor um(a) presidente(a)”.

  19. A Carmem Lúcia tem uma linguagem muito confabulatória

    muito filosófica e muito profunda. ‘Cala a boca já morreu’ é um exemplo clássico.

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