10 de junho de 2026

A crise moral e política do Sionismo, por Sayid Marcos Tenório

Um “Estado” que precisa assassinar crianças para proclamar vitória, já está derrotado moralmente.
Wikimedia Commons - Al Jazeera

O governo Netanyahu intensificou violência em Gaza, gerando acusações de genocídio e crimes contra a humanidade. Tribunal Penal Internacional emitiu mandados contra Netanyahu e Israel Katz, mas blindagem política persiste. Resistência palestina cresce; opinião pública mundial e movimentos sociais ampliam boicotes e reconhecimento da Palestina.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

A crise moral e política do Sionismo

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Sayid Marcos Tenório

O governo de Benjamin Netanyahu alcançou um nível de brutalidade que coloca “Israel” e o sionismo diante de seu próprio abismo moral, político e jurídico.

Há décadas o projeto sionista é denunciado por seu caráter colonial, supremacista e violento. Hoje em dia, sob Netanyahu e sua coalizão de extrema-direita, essa violência alcançou patamares que não podem mais ser descritos senão como estruturais e profundamente destrutivos, criando uma realidade de dominação, limpeza étnica e punição coletiva.

O regime sionista acredita que destruir toda a infraestrutura civil, matar famílias inteiras e expulsar um povo originário de sua própria terra, representa uma vitória militar. Mas o que chamam de “êxito” não passa da consagração do genocídio como política de Estado.

Nenhuma pessoa minimamente lúcida considera isso vitória: é crime de guerra, é crime contra a humanidade, é genocídio transmitido ao vivo, com o mundo inteiro como testemunha e cúmplice involuntário.

“Israel” não venceu em Gaza. E não vencerá. A resistência palestina segue existindo justamente porque está ancorada em legitimidade moral, histórica e política, enquanto o projeto sionista só se sustenta por meio da destruição física e simbólica da Palestina.

Um “Estado” que precisa assassinar crianças para proclamar vitória, já está derrotado moralmente. Todo seu poder militar revela, paradoxalmente, sua fragilidade histórica, sua incapacidade de oferecer qualquer horizonte que não seja a violência permanente.

Mas o que permite que esse sistema de terror perdure? Por que, mesmo diante de imagens incontestáveis, as potências globais seguem garantindo imunidade ao regime genocida israelense?

A resposta é simples: o que está em jogo não é justiça, é poder.

O sistema internacional que emergiu da Segunda Guerra Mundial foi vendido ao mundo como guardião da paz, do equilíbrio entre as nações e da dignidade humana. Criaram-se tratados, convenções, cortes e resoluções, numa arquitetura jurídica que deveria impedir massacres e punir tiranias.

Contudo, quando o perpetrador dessas violações é “Israel”, um aliado estratégico do Ocidente, toda essa estrutura se dissolve em discursos vazios e vetos automáticos.

A emissão dos mandados de prisão pelo Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu e seu ministro da Guerra, Israel Katz, é um avanço que rompe parcialmente a blindagem histórica de “Israel”. Mas ainda insuficiente.

Netanyahu e sua coalizão de extrema-direita precisam responder judicialmente pelo que fizeram, não por vingança, mas por um princípio básico: nenhum líder, de nenhuma nação, pode estar acima da lei.

Pelos crimes praticados em Gaza sob sua responsabilidade, a única sentença proporcional à dimensão da barbárie seria a pena de morte para Benjamin Netanyahu e os líderes criminosos do regime sionista.

Se o mundo deseja evitar que atrocidades semelhantes se repitam, é indispensável que crimes cometidos contra o povo palestino recebam o mesmo peso moral e jurídico que crimes cometidos em qualquer outra parte do mundo.

Enquanto isso, Gaza segue sendo bombardeada, hospitais são atacados, universidades são arrasadas e os mortos se contam aos milhares. A devastação mobilizada contra Gaza desde 2023 não pode ser chamada de guerra, mas a tentativa deliberada de apagar uma sociedade inteira.

O uso da fome como arma, a obstrução da ajuda humanitária, o assassinato de jornalistas e trabalhadores humanitários compõem um quadro que ultrapassa qualquer limite ético possível.

E, ainda assim, a resistência persiste e cresce diante de algo ainda mais decisivo: o isolamento internacional de “Israel”. A opinião pública mundial mudou. Multidões tomam as ruas das maiores capitais denunciando o genocídio. Países europeus reconhecem o Estado da Palestina. Universidades, sindicatos, artistas e movimentos sociais rompem o silêncio histórico e aderem ao boicote.

Pela primeira vez em décadas, “Israel” é visto não como vítima eterna, mas como potência ocupante e agressora. Sua imagem global desmorona, e a narrativa sionista — antes dominante — perde credibilidade em todos os continentes.

A arrogância dos setores mais extremistas do sionismo, que acreditaram que reduzir Gaza a escombros produziria vitória, revela sua incapacidade de compreender a natureza das lutas anticoloniais: povos determinados a sobreviver sempre encontram meios de resistir. A violência sionista não é sinal de força, mas de desespero.

A verdadeira vitória não virá da destruição, mas do reconhecimento pleno da humanidade do povo palestino, da restituição de seus direitos e do fim da ocupação. A Palestina sobreviverá. Netanyahu e seus cúmplices, porém, terão de enfrentar a história.

A derrota moral do sionismo já está em curso. Falta apenas que o mundo a transforme também em derrota política e jurídica.

Sayid Marcos Tenório é Historiador e Especialista em Relações Internacionais. É fundador e vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal). Autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência. Instagram/X: @soupalestina

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Aurélio Medina Dubois

    12 de dezembro de 2025 5:27 pm

    No atual conflito genocida em Gaza, ficou-me pela primeira vez desde a Guerra dos Seis Dias (1967) a consciência do caráter pernicioso do projeto sionista na Palestina. Ficou claro ser ele um projeto imperialista, colonialista, racista e genocida. Só sobrevive graças ao apoio e cumplicidade do Tio Sam e seus associados do G7.

    Graças aos esclarecimentos trazidos por vários canais de mídia alternativa, as narrativas veiculadas pela mídia corporativa ocidental, no Brasil, o popular PIG, caíram por terra. Não convencem mais.

    Entre muitos esclarecimentos, merece destaque a informação divulgada por Breno Altmann, da revista Fórum, de que resolução das Nações Unidas autoriza as populações vítimas de práticas coloniais a resistirem pelas armas. É só atentar para o expansionismo sionista na Palestina, desde a criação do estado de Israel em 1948.

    Frente a realidade fática recente, é forçoso trabalhar para a criação de um estado palestino soberano, conforme posição oficial do estado brasileiro.

    “O governo brasileiro tem uma posição histórica de apoio à criação de um Estado palestino viável, independente e em coexistência pacífica com Israel, dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital, defendendo a solução de dois Estados como o único caminho para a paz. O Brasil reconhece o Estado da Palestina desde 2010.”

    Todo apoio ao Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu e seu ministro da Guerra, Israel Katz. Julgamento público e condenação à prisão perpétua para este genocidas.

  2. [email protected]

    7 de março de 2026 4:05 pm

    Sionismo é fascismo genocida….crime monstruoso em Gaza…se os terroristas do HAMAS conseguiram entrar em Israel p falha da defesa de fronteira de um país c maior aparelho de guerra..a resposta matando os palestinos e destruindo suas moradias foi criminosa

Recomendados para você

Recomendados