A queda de John Bolton, por Andre Motta Araujo

Bolton geralmente está sempre errado em seus conselhos de guerra, a única vez em sua carreira que acertou levou Trump a demiti-lo.

Foto Sputnik Brasil

A queda de John Bolton

por Andre Motta Araujo

John Bolton é um ativista político, por profissão advogado, que trabalhou em vários grandes escritórios, intercalando com participação em cargos nomeados em vários governos Republicanos. Sempre foi considerado um “falcão”, um ativista que propõe ação armada como instrumento da diplomacia, apesar de que fez de tudo para escapar de ser enviado ao Vietnam como militar. Bolton por quatro anos foi da Reserva do Exército, sempre dentro dos EUA.

Bolton é bem conhecido do Brasil. Foi ele o causador da demissão, em 2002, do diplomata brasileiro Jose Mauricio Bustani como diretor da Organização para Proibição de Armas Químicas, um órgão da ONU, porque Bustani, após uma inspeção de sua organização, disse que o Iraque não tinha armas químicas, o que tiraria de Bolton o pretexto para invadir o Iraque, era exatamente a existência dessas armas que forneceria o pretexto para a invasão.

Bolton foi escolhido por Trump como Conselheiro de Segurança Nacional, um órgão de assessoria da Casa Branca, propondo a Trump todo tipo de intervenção militar na Coreia do Norte, Síria, Venezuela e especialmente Irã, o que foi irritando Trump, que nunca foi partidário de ações militares EM CONCRETO, embora use a ameaça militar como instrumento de negociação.

Bolton geralmente está sempre errado em seus conselhos de guerra, a única vez em sua carreira que acertou levou Trump a demiti-lo. Bolton foi CONTRA o convite para lideranças TALIBANS se encontrarem com Trump na casa de campo presidencial de CAMP DAVID, no dia 11 de setembro, aniversário do ataque às torres gêmeas de Nova York. Essa reunião serviria a Trump como material de campanha à reeleição, ele queria mostrar que foi ele quem negociou o fim da guerra do Afeganistão, onde os EUA ainda têm 14.000 militares e que já dura 17 anos.

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O convite de Trump tinha sentido EXCLUSIVAMENTE MEDIÁTICO, Bolton achou um completo absurdo e por isso foi demitido. Bolton tinha total razão, os TALIBANS não são um interlocutor para o fim da guerra no Afeganistão, que tem muitos outros elementos além desse grupo, QUE NÃO REPRESENTA UM GOVERNO, UM TERRITÓRIO OU UMA FRENTE COESA, é apenas um grupo terrorista a mais no terreno.

Seria realmente uma aberração um Presidente dos EUA sentar-se em uma mesa com um grupo desse naipe, algo sem nenhum sentido diplomático sério.

Tratava-se do mesmo tipo de ação mediática que Trump operou com três encontros inúteis com o ditador da Coreia do Norte, que também teve oposição de Bolton. Na realidade, Trump não é um estrategista no comando dos EUA, ele é um animador de auditório à procura da melhor foto para se mostrar.

Essas são as ironias da História, um eterno provocador, como Bolton, uma vez na vida esteve certo e foi demitido por isso.

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7 comentários

  1. O maior fracasso militar americano. Depois de quase 20 anos de guerra, mais de 2 trilhões de dólares de custo (e de dívida pública nova), muitos mortos e mutilados, tudo com o objetivo de eliminar os talebans do mapa e agora negociam a saída americana do país entregando-o de volta aos mesmos talebans.

  2. Acho que o convite aos Talibans tem mais a ver com a campanha do ano que vem, que qualquer outra coisa.

    Como estratégia de campanha, visa atender a dois propósitos imediatos, cada qual peça importante para a imagem de Trump: i) atender ao anseio crescente dos americanos – sobretudo mais jovens – de acabar com as ações armadas do EUA pelo mundo; ii) tentar com essa aproximação criar um argumento de paz para assim, alçar-se candidato ao Nobel da Paz.

    Antes que se diga que é uma loucura, lembremos do tamanho do ego do sujeito e, sobretudo, que figuras mais belicistas como Obama, Al Gore e Henry Kissinger foram agraciados com o título.

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  3. Os talibans, foram criados pelos USA tal como o Daesh. Se os primeiros o foram para combater os soviéticos, os segundos para combater Bashar al Assad. Os EU entraram na guerra do Afeganistão para parar a influência dos soviéticos no país, que aí lutavam contra grupos insurgentes a pedido do governo, e não por terem invadido o país, como a mídia ocidental, fez crer. O Afeganistão além de uma localização estratégica relevante, é o maior produtor mundial de ópio, produção essa que tem aumentado fortemente, com a ocupação americana, além de ser um país riquíssimo, em minerais. Como sempre com os EU, uma política externa, mais pensada para propaganda interna, do que realmente focada, tem trazido dissabores e derrotas, às suas administrações. Estas intervenções disfarçadas, em intervenções por motivos humanitários já só enganam os que querem ser enganados, por trás deste “altruísmo” sempre estiveram razões mesquinhas e de ganância, em que os maiores sofredores são as nações atacadas. Esperemos, que estes falcões tipo Bush, Bolton, Kissinger, Dick Cheney, Rumsfeld, e muitos outros do mesmo calibre vivam o suficiente para poderem um dia ser levados ao TPI, para serem julgados por crimes contra a humanidade. Como prova, hoje a situação em países que tiveram “a sorte” de uma intervenção humanitária dos EU, como Iraque, Síria, Líbia, Afeganistão, Ucrânia, países da américa latina, e central, para não falar de África, onde estão muito activos nestes últimos anos, mas que se fala pouco, estão muito pior do que estavam sem essa “ajuda”, e o mundo tb estaria muito mais seguro, e sem a ameaça de atentados.

  4. Os talibãs controlam de fato mais da metade do território do Afeganistão. A informação de que esses fundamentalistas são apenas um grupelho terrorista não é correta. Esses radicais têm muito mais poder político no Afeganistão do que faz supor o artigo.

    • O Afganistão há milenios é um territorio dividido em clans tribais, nunca foi um Estado uno, mesmo
      havendo espaços controlados pelos talibans em certos momentos, esse poder é instavel, como foi o
      controle de grande parte do territorio iraqueano e sirio por esses grupos, dominam por semanas ou
      meses e depois esse poder se evapora, como foi na região de Mossul, portanto um acordo de
      cessar fogo com eles tem escasso valor permanente, é da natureza desse tipo de grupo a instabilidade espacial, eles não tem sequer uma liderança incontestavel e permanente.
      A instabilidade politica no Afganistão venceu no seculo 19 o então poderoso Imperio Britanico, que
      travou 4 guerras no territorio, venceu o Exercito Sovietico e os EUA nunca conseguiram dominio
      continuado nem sobre partes do Afganistão, é um pantano geopolitico completo, o que vale um acordo nessa situação a não ser para tirar uma fato da assinatura?

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    • Tens razão, mas o problema são os eternos rachas entre as varias facções dos “estudantes”, pois após a morte de seus lideres originais, como o Mullah Omar, rivalidades tribais retornaram quebrando a coesão do grupo.

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