As arbitrariedades de um país canalha, por Assis Ribeiro

O canalhismo não pode esconder a verdade dos fatos e o respeito aos processos legais e justos. O canalhismo parece não perceber que ao se permitir excessos das polícias as tornamos arbitrárias; ao se permitir excessos dos juízes formamos uma sociedade injusta.

As arbitrariedades de um país canalha

por Assis Ribeiro

Brasil um país canalha.

Temer, três vezes denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) quando ainda era presidente.

Dilma, nenhuma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) quado era presidente.

Dilma, milhões de pessoas de amarelo nas ruas pedindo seu impeachment. Ela é retirada do poder.

Temer faz todo o seu governo sem manifestações nas ruas, sem ameaças de impeachment.

E o brasileiro, tirando a sua responsabilidade destas contradições.

– Os milhões que vestirem amarelo e forçaram o impeachment disseram, com o fiasco do governo e crimes de Temer, que “não fomos nos que elegemos ele”, esquecendo que a derrubada de Dilma foi o que permitiu a ascensão de Temer ao posto de presidente.

– O STF mesmo “provocado” a se manifestar sobre a ameaça da prática de uma ilegalidade (prevenção) e mesmo depois da ilegalidade praticada sendo mais uma vez “provocado” a se manifestar sobre o tema, endossou, por omissão, a prática da arbitrariedade e ilegalidade do impeachment de Dilma. A falsa tese de que se tratava de uma prerrogativa do congresso, formou algo como um conluio de deposição visto que a constituição do Brasil proíbe a deposição por “voto de confiança/ desconfiança”, permitindo o impeachment apenas em casos bem específicos e listados na Constituição.

– No Congresso, a canalhice foi ainda maior, quando os parlamentares usaram o nome de Deus para justificar o ato demoníaco de tirar do poder uma pessoa de forma injusta.

– O canalhismo da mídia, maior que as anteriores por ser o setor de “formação de opinião”, e que se auto atribui como o setor que fiscaliza os excessos dos poderes, e a deposição de Dilma foi um ato excessivo que visava as modificações da ideologia do poder.

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Queria-se trocar o projeto denominado de desenvolvimentismo utilizado por Dilma pelo projeto neoliberal de Temer, descaradamente prometido, ainda antes do processo de impeachment, no documento de Temer chamado “Ponte para o Futuro”.

Mas, o canalhismo – aceitar a mentira sem reflexão moral –  não pára aí. Toda mentira exige atos contínuos de mentira para continuar escondendo a própria mentira original.

Para que se desse continuação à pretendida modificação da ideologia de poder era preciso não permitir que a plataforma de governo defendida pelo lado de Dilma retornasse ao poder. Aqui entra a atuação do juiz Moro.

Moro conseguiu, isso é uma coisa que a história também vai clarear, puxar o processo judicial de Lula – que deveria tramitar em São Paulo porque a lei impõe que os Processos devem correr no local onde ocorreu o pretenso crime (o apto e o sítio estão em São Paulo) – para isso Moro pratica a sua primeira artimanha; o setor jurídico brasileiro debateu essa forçada de barra do juiz de Curitiba para fazer crer que o dinheiro pago por construtoras para a aquisição dos imóveis foi fruto de favorecimento na Petrobras.

O juiz Moro já vinha conduzindo o processo contra a estatal de forma excessiva – dentro do preconizado em democracias que adotam o liberalismo jurídico que pretende proteger o indivíduo da “mão pesada” do Estado, (poder judiciário está dentro do conceito de Estado), ainda que aceita dentro do direito. Com a entrada de Lula no processo, o que eram até então ações excessivas de Moro – criticadas mas, aceitas pelo mundo jurídico – ultrapassa o liame e se sucede uma série de ilegalidades, todas elas trazidas a público e aos tribunais superiores pela defesa do ex-presidente Lula.

Lula seria o candidato à presidência que defenderia a posição de um governo de cunho desenvolvimentista e todas as projeções o indicavam como o possível vencedor das eleições.

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Se Moro foi o responsável maior por impedir a candidatura de Lula, ele o fez com o massivo apoio da mídia; a mídia fez campanha à favor da condenação de Lula, e isso ficou claro durante todo o processo.

O canalhismo brasileiro continua quando se forma um verdadeiro conluio entre Ministério Público, a quem cabe com exclusividade a acusação,  e o juiz, a quem cabe o julgamento, e como condução de equilíbrio da balança da justiça não se permite relação de conluio entre parte, seja defesa ou acusação,  com o juiz julgador.

Sim, a essa altura – período que antecede ao registro das candidaturas –  todas as ilegalidades de Moro que agora vêm à tona pelas matérias da Folha de São Paulo, BandNews e The Intercept já eram de conhecimento da sociedade pelas várias denúncias feitas pelos advogados de Lula e também juristas nacionais e internacionais.

A falsa verdade se torna tão evidente nos vazamentos das conversas entre o juiz e os procuradores da Lava-Jato que alguns daqueles setores que apoiavam a Lava-Jato passaram a reconhecer a série de ilegalidades praticadas por Moro. Mas, há resistências.

O canalhismo brasileiro está à prova. E ele se torna pretenso à continuidade ao se observar que a gravidade de ilegalidades, cada vez mais claras, dos atos praticados por Moro parece ser menos importante do que a mera disputa partidária. Mas, seria o processo justo, movido pelo juiz respeitando as normas de conduta estabelecidas nas próprias leis que deveria estar à prova e não a torcida por posições.

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– O STF voltará a julgar a matéria,

– A Globo tetando blindar Moro.

– Os militares se intrometendo em assuntos civis e do Poder Judiciário exigindo a permanência da condenação de Lula.

– O Congresso com todas as graves denúncias não abriu CPI.

–  Os camisas amarelas que foram às ruas para pedir a derrubada de Dilma, ameaçando botar fogo no país.

O canalhismo não pode esconder a verdade dos fatos e o respeito aos processos legais e justos. O canalhismo parece não perceber que ao se permitir excessos das polícias as tornamos arbitrárias; ao se permitir excessos dos juízes formamos uma sociedade injusta. O canalhismo não percebe que estes excessos sempre foram o horror das sociedades liberais e democráticas.

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1 comentário

  1. Bezerra da Silva já cantava sobre a canalhice:

    Verdadeiro Canalha
    (Canção de Bezerra da Silva)
    Canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    você vive de trambique,
    deita na sopa
    e se atrapalha,
    olha aí, seu canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    se elegeu com votos da favela,
    depois mandou nela
    metê bala,
    isso é que é ser canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    afinou o dinheiro do povo,
    saiu esbanjando
    e fazendo bandalha,
    veja bem, seu canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um tremendo canalha.
    comprou carrão,
    fazenda e mansão
    e o povo na miséria comendo migalha,
    veja bem, seu canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    está livre a poder de propina,
    porém a justiça divina
    não falha,
    veja bem, seu canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    o truco se acaba
    meio retrocesso,
    verás o reverso da medalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdaderio canalha.
    viver de moleza é muito bom,
    quero ver você
    encarar uma batalha,
    vai trabalhar, canalha!
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    e no dia do judas tu fica na tua,
    se tu for pra rua
    a galera te malha,
    fica em casa, canalha!
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    comeu, bebeu, fumou e cheirou,
    depois caguetou
    o cabeça-de-área,
    olha a bala, canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    nunca vi ninguém dá dois em nada
    e também se ver
    cadeado não fala,
    aprendi isso, canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    e depois daquele par de chifres
    em que altura está
    o meu chapéu de palha,
    já viu isso, canalha?
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    o calado tá errado…
    e falando nem se fala…
    cala a boca, canalha!
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…
    canalha, tu é um verdadeiro canalha.
    de repente o bicho pegou,
    tu se empirulitou
    e jogou a toalha,
    sai correndo, canalha!
    canalha, tu é um verdadeiro canalha…

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