Cloroquina: Bolsonaro aposta num pesquisador rebelde antissistema ou megalomaníaco sem ética?, por Rogério Maestri

Já escrevi alguma coisa sobre o Dr. Raoult e seu método nada convencional de testar a eficiência de um dado tratamento médico.

Cloroquina: Bolsonaro aposta num pesquisador rebelde antissistema ou megalomaníaco sem ética?

por Rogério Maestri

No momento que Bolsonaro começa a agir como um grande conhecedor da ciência e influência nas soluções médicas contra o Covid-19 cabe as pessoas com alguma conhecimento de metodologia científica falar sobre a origem de toda esta grande discussão que ele esta trazendo a baila que foi causada por um conhecido médico e pesquisador francês, Dr. Didier Raoult, que está causando confusão não só deste lado do Atlântico como também no velho continente.

Já escrevi alguma coisa sobre o Dr. Raoult e seu método nada convencional de testar a eficiência de um dado tratamento médico. Para situações de urgência em uma pandemia talvez uma quebra de paradigmas de tratamento médico pode representar a vida de muitas pessoas, porém para se entrar num terreno tão sensível é necessário ter alguma base para fazer humanos de ratos de laboratório, ou seja, ao se querer impor um tratamento único e preferencial a uma população como um todo, que se apresenta neste momento com sua face mais frágil e sensível a apelos mediáticos de tratamentos milagres para uma dada doença que o conhecimento é ainda muito pequeno.

Tanto nos trabalhos do Dr. Raoult como dos médicos chineses que ele cita, há uma certeza de que desde já pode-se dizer: Não existe até o dia de hoje tratamentos milagres para o Covid-19.

Usar determinada substância para uma parte enorme da população é possível como teste num número pequeno de pacientes, mas significativo, fugir da lógica científica usual do teste duplo cego, e passar para testes clínicos ousados verificando se os resultados destes sejam suficientemente sólidos para seguir na vulgarização do tratamento para um grupo muito maior.

Antes de entrar em considerações sobre se o Dr. Didier é pesquisador rebelde antissistema ou megalomaníaco sem ética, vamos ver a partir do que ele recomenda o uso desta substância a um grande número de pacientes.

O Covid-19 tem uma característica singular, em aproximadamente 95% dos pacientes em comorbidades a recuperação ocorre sem nenhum problema só tratando-se os sintomas, ou seja, de cada 20 pacientes 19 se recuperam e um vem a sofrer óbito. Logo se testarmos o tratamento num grupo de 20 pacientes o tratamento estatisticamente 19 tendo melhoras significativas e um vendo a falecer, pode-se considerar como o medicamento não tendo um resultado clínico eficiente. Para evitar isso utiliza-se um número maior de pacientes e compara o resultado com um outro grupo que não recebeu tratamento nenhum.

A pergunta que se pode fazer é se esse método é cruel com aqueles que não tiverem sujeitos a tratamento nenhum e vierem falecer? Há três respostas para essa pergunta conforme os resultados obtidos com os pacientes tratados, se o resultado for favorável realmente, o método é cruel, se o resultado for nulo, também a crueldade será nula, porém se o método tiver mais contraindicações expondo a riscos os pacientes além da doença, o método salvará vidas de quem receber um placebo em relação aos que receberam o tratamento.

Há outro caminho para testar o tratamento? Sim, o uso de uma testagem em um grupo de pessoas sem a necessidade de teste duplo cego, simplesmente aplicando uma dosagem do tratamento conforme o arbítrio de quem chefia a pesquisa, caindo nos ombros do pesquisador que assume todos os riscos os louros da vitória ou o amargo pesadelo para todos.

Aí vem a primeira hipótese da questão original, se o Dr. Didier Raoult for um brilhante pesquisador com uma enorme intuição, mas também um pesquisador rebelde antissistema, todos ficarão felizes, porém se ele for um megalomaníaco sem ética, todos irão perder.

O uso essa quebra de paradigmas já foi feita pelo Dr. Raoult e cabe daí por diante examinar os resultados obtidos nesta experiência não convencional, para verificarmos se ela pode ser transladada para muitas pessoas. Ou seja, deve ser examinado os resultados obtidos para tentar ver se houve ou não um sucesso real.

Leia também:  O dilema da dívida, por Michael Roberts

A grande crítica que sofreu o Dr. Raoult foi que o resultado obtido no grupo que ele escolheu como suas cobaias humanas não foram tão notáveis como ele propagandeia, mas vamos aos fatos.

Primeira coisa, para ficarmos discutindo sobre nada se alguém acha isso ou acha aquilo, não vale nada, logo vou colocar parte dos estudo que esse doutor publicou numa revista em que ele é um dos editores e vamos comentar o estudo e os resultados:

1) O estudo publicado se chama: “Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial.” Que apareceu em 20 de março de 2020, e o mais revelador que o trabalho segundo seus autores havia terminado em 16 de março “French Confirmed COVID-19 patients were included in a single arm protocol from early March to March 16th”, isso quer dizer que esse trabalho não sofreu revisão nenhuma, foi simplesmente uma publicação de um grupo que terminou um estudo e escreveu as pressas um “artigo” técnico.

2) Conforme indica no título o trabalho teve origem num grupo de pacientes não randomizado, isso quer dizer foram escolhidos pelos autores com um viés que mostraremos mais tarde. Isso pode parecer uma frescura de um pesquisador, porém quando sabes que estás fazendo um dado ensaio e “DESEJAS” que ele dê certo, os pacientes que não estão no grupo de ensaio poderão ter cuidados com mais atenção. Utilizei o verbo desejar pois não acredito em complôs nesse caso, o Dr. Didier é alguém extremamente mediatizado e com um ego maior do que um argentino do passado. Ele se acha a estrela e que todos os outros são verdadeiros imbecis (não estou exagerando, é isso mesmo).

3) Já na escolha dos pacientes há algo extremamente intrigante, as faixas etárias dos diversos grupos. Para explicar melhor vou colocar um pedaço da tabela 1.

A média de idades do grupo entre os pacientes que foram tratados e o grupo de controle foram totalmente discrepantes, ou seja, os tratados com a hidroxicloritina tinham uma idade média de 51,2 anos mais um desvio padrão de 18,7 anos enquanto o grupo de controle tinha 37,3 anos mais um desvio padrão de 24,0 anos. Para uma doença que a sua patologia é mais deletéria com a idade é um pouco fora de padrão trabalhar com um grupo de controle tão dispare ao grupo tratado, a consequência disso pode ser mostrada no próximo item.

4) Dos pacientes que começaram o estudo na verdade no início eram 42 pacientes, 26 receberam o tratamento e 16 não receberam nada. O mais interessante é que dos 26 que receberam o tratamento somente 20 chegaram até o fim, pois três pacientes foram transferidos para a unidade de terapia intensiva, um paciente morreu no dia3 e dois mais abandonaram o tratamento, um por motivo ignorado e outro por efeitos colaterais do mesmo. O mais interessante é que do grupo de controle, os que não receberam tratamento nenhum todos os 16 permaneceram nos hospitais durante os dias de tratamento (sem precisar de terapia intensiva). Se olharmos pelos aspectos clínicos e não pelo aspecto de carga viral, o maior sucesso no período considerado foram dos pacientes que não tiveram nenhum tratamento. Porém como definido pelo Dr. Raoult o critério foi a chamada cura virológica. Esta cura virológica, talvez signifique que o paciente não apresenta mais derramamento viral, ou seja, a detecção via retirada de amostra nasal e detecção do vírus via ensaios do tipo PCR (Polymerase chain reaction) um método utilizado em biologia para aumentar em milhões de vezes cópias de uma amostra específica de DNA rapidamente.

5) Apesar desta chamada cura virológica adotada como critério pelo Dr. Raoult como cura, os chineses, no seu trabalho mais conhecido sobre o assunto e pioneiro: “Clinical course and risk factors for mortality of adult in patients with COVID-19 in Wuhan, China: a retrospective cohort study” como constataram que o derramamento viral segue até e 20 dias entre sobreviventes do novo coronavírus (variando de 8 a 37 dias) e até a morte dos pacientes não recuperados (18,5dias em média), logo os médicos chineses estabeleceram o fim do derramamento viral como norma para o isolamento e manter o paciente no hospital, mas não como critério de cura.

Leia também:  Nas buscas por informações sobre cloroquina no Google... Brasil dispara, por Sérgio Guedes Reis

6) Porém, a maior falha do trabalho publicado pelo médico francês está na própria interpretação dos seus resultados finais, que podem ser mostrados na figura 2 do trabalho.

O gráfico mostra a evolução do percentual dos positivos de ensaios baseados em técnica PCR até o sexto dia dos pacientes tratados com hidroxiclorotina e hidroxiclorotina mais azitromicina, o que se vê claramente é que seis dias após o tratamento os que são tratados com os dois medicamentos caem a zero, enquanto os tratados somente com a hidroxiclorotina subsistem após o terceiro dia com 50% ainda com PCR positivo. Se considerarmos os pacientes que foram colocados em reanimação e o que morreu, aproximadamente 70% dos pacientes ficam muito próximos ao grupo de controle, ou seja, daqueles que não tiveram tratamento nenhum.

7) O critério de carga viral induz ao leitor que há uma carga de vírus ativos no corpo da pessoa que realiza o ensaio, porém como o PCR amplifica a sequência de DNA de corpos vivos ou simplesmente DNA de agentes que não são mais ativos e não quantifica a sua quantidade inicial (salvo testes do tipo qPCR) o que se detecta com ensaios PCR são DNA que podem pertencer a coisas que já estão inativa há séculos ou mesmo a milênios (como é feito para pesquisas arqueológicas). Ou seja, a pessoa pode estar expelindo fragmentos de um vírus que perdeu a sua cobertura proteica e estar perfeitamente curado da doença.

Poderia somar outros comentários que foram feitos sobre o trabalho do Dr. Didier Raoult, porém acho mais importante de analisar a partir deste ponto a vida pregressa do pesquisador que é extremamente tortuosa e cheia de conflitos e dados obscuros na sua vida de pesquisador.

Para quem quiser saber em detalhes o lado um pouco obscuro do doutor sugiro que leiam a transcrição do artigo publicado pelo mais confiável site Francês, o Mediapart, que escreveu um longo artigo de pesquisa sobre a confiabilidade dos trabalhos do grupo que é chefiado por este pesquisador que chegou em um ano a publicar uma média de um artigo a cada dois dias, também em 2006 por suspeita de fraude o Dr. Didier Raoult foi proibido de publicar artigos pela Sociedade Americana de Microbiologia. Para ultrapassar este problema foi criado pela editora Elsevier um novo jornal pago New Microbes and New Infections, em que o diretor chefe o editor adjunto e mais três membros do conselho editorial são exatamente de Marseille e outros membros estrangeiros do comitê são ex-alunos ou passaram algum tempo na Urmite, fundação criada pelo professor.

Leia também:  Negros peruanos: das cantigas escravas à Susana Baca, por Luis Gustavo Reis e Eduardo Bonzatto

Além das publicações serem na sua maior parte concentradas em poucos jornais que tem relações carnais e financeiras com a Urmite através de subsídios de empresas privadas que algumas delas utilizam as instalações da Urmite, a partir de dois relatórios em 2017 que conselhos de avaliação de pesquisa e de ensino do governo francês que o Mediapart teve acesso, os selos de qualidade do Conselho de Pesquisa francês (CNRS) e do Institut national de la santé et de la recherche médicale (INSERM) foram retirados do Urmite em 2018. Quem elaborou estes relatórios foram pesquisadores de instituições Inglesas, Alemãs e Francesas.

Para se ter uma ideia da qualidade e do foco do trabalho do Dr. Didier Raoult sugiro que pesquisem no Journal New Microbes and New Infections da Elsevier que abre o seu volume 1 edição 1 em outubro de 2013 (página 1) com um artigo de Michel Drancourt o braço direito do citados Doutor com citações explícitas na segunda linha ao idealizador do Jornal “científico” e a partir desse número até o volume 35 de maio de 2020 há nada menos, nada mais de 245 artigos, comunicações e erratas onde o nome do autor aparece.

O artigo do Mediapart cita explicitamente problemas que foram detectados pelas comissões de avaliação com alunos, estagiários internacionais e profissionais que tiveram atritos sérios por diversos motivos técnicos/científicos com o chefe do Urmite desde a pressão que alunos de doutorado refizessem os mesmos ensaios durante um ano inteiro para provar que dada hipótese do chefe estava correta e na realidade em todo este ano de ensaios o aluno verificou que estava errada.

Quanto ao problema de conflitos éticos misturando público com privado, há no artigo do Mediapart uma série de denúncias que foram devidamente verificadas desde a prática de pagamento de bolsas a alunos fantasmas (uma espécie de rachadinha) e grandes convênios da ordem de milhões de Euros que não tinham objetivos precisos e o Urmite se negou de explicitar alegando cláusulas contratuais.

Uma coisa tem que ficar clara em todo este artigo, quem a primeira vez tentou o uso da hidroxicloritina nos pacientes com Covid-19 foram os chineses e para não perder a primazia ocidental a equipe do Urmite se precipitou rapidamente para ganhar os louros do ineditismo. Porém se olharmos 5ª Revisão “Novo Programa de Diagnóstico e Tratamento de Pneumonia Coronariana (Versão de Estudo Quinta Revisão)” de 8 de fevereiro de 2020, os especialistas chineses prescrevem medicamentos antivirais, glicocorticóides e antibacterianos, nada sobre a cloroquina.

Se a cloroquina e seus derivados vão ter alguma ação sobre a doença, somente estudos que estão sendo levados a termo dirão, mas o que é certo é que a promoção mediática feita pelo Dr. Didier Raoult extrapola de longe a ética médica e se aproveita de uma situação penosa para a humanidade com o objetivo de numa aposta se ganhar ele fica como um dos maiores cientistas da atualidade, mas se perder poderá provocar milhares de mortes.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

7 comentários

  1. Maestri no “La Repubblica” de ontem a noticia que um universo de quarenta mil trabalhadores da saúde no mundo, está usando esta panaceia e faz parte de uma pesquisa com resultados a serem apresentados no fim do ano.

  2. Isto e o cúmulo da desonestidade intelectual. Mas mostra por que o Brasil na sua luta entre doutrinados, construiu uma Nação com a Sociedade Civil ao largo. Bolsonaro não é médico. Ele apenas afirmou que existia um remédio que estava sendo omitido pelos Profissionais e Autoridades Públicas Brasileiras, para fomentarem o caos e histeria para ganhos políticos de alguns Governadores. Aproveitadores e canalhas como Dória, se valendo deste pânico. A cura e posterior tentativa de omitir o uso de tal remédio por David Uip e Kalil, médicos de Lula, Covas e Dória, também suas Autoridades de Saúde, só veio provar tal verdade. Canalhas tentando se aproveitar da histeria e caos. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

  3. Muito se tem discutido sobre a eficácia ou não da cloroquina, uma questão em aberto, mas ao mesmo tempo a imprensa brasileira perde a oportunidade de desmascarar Bolsonaro com um simples exercício aritmético. Resumindo, ainda que funcione, simplesmente não tem cloroquina pra todo mundo. NÃO ABANDONE A QUARENTENA!

    Esmiuçamdo o raciocínio, o guia do ministério da saúde traz o seguinte curso de tratamento:

    “HIDROXICLOROQUINA: 1 comp.400 mg 2x/dia no 1º dia (800 mg dose de ataque), seguido de 1 comp.400 mg 1x/dia no 2º, 3º, 4º e 5º dias (400 mg/dia).”

    Isso corresponde a 2,4g do princípio ativo por paciente (0,8g dose de ataque + 4×0,4g). O Brasil tem cerca de 220.000.000 milhões de pessoas, das quais até 70% podem se infectar em caso de descontrole, antes da “imunidade de rebanho” atuar. Dos infectados, cerca de 5% desenvolvem a forma grave da doença, que sem leito de UTI pode ser fatal. Portanto, só pra tratar pacientes graves, serão necessários:

    200.000.000 x 70% x 5% x 2,4g = 16800000g (16,8 toneladas!).

    Duvido que haja essa quantidade em estoque no Brasil. São Paulo anunciou ter 200.000 comprimidos, que equivalem a apenas 80kg do princípio ativo, supondo comprimidos de 400mg. O exército anunciou que tem suficiente para produzir um milhão de comprimidos de 150mg em 12 dias, o que ainda corresponde a uma quantidade total de cloroquina irrisória – 150kg – frente a uma demanda estimada de mais de 16 toneladas.

    Ainda que seja verdade que conseguiram 6 toneladas com o governo indiano (se os EUA não roubarem a carga), ainda são 2/3 da população descoberta, SE (e um grande se) a cloroquina funcionar. Portanto não dá pra se apegar a isso e abandonar o isolamento, como quer Bolsonaro.

    Cadê a imprensa fazendo pedido pela lei de acesso à informação, pra saber quanta cloroquina temos em estoque no Brasil, e quantos poderiam ser tratados com a quantidade disponível? O silêncio do governo será eloquente.

  4. 09 aprile 2020
    La clorochina previene il coronavirus? Maxi esperimento su 40 mila medici e infermieri
    di ELENA DUSI

    Il trial organizzato a Oxford vuole dimostrare se l’antimalarico riduce i contagi fra il personale sanitario. In alcuni Paesi il farmaco viene già usato in corsia fra gli operatori più a rischio. Ma gli esperti invitano alla cautela in attesa di risultati ufficiali
    La clorochina funziona contro il coronavirus? Politici di dubbia competenza come Trump e Bolsonaro chiamano il farmaco “miracoloso”. I medici avvertono che non ci sono prove sulla sua efficacia e mettono in guardia contro gli effetti collaterali sul ritmo cardiaco. Intanto ai malati, anche italiani, il vecchio antimalarico risalente agli anni ’30 viene somministrato in regime off-label, ovvero al di fuori delle indicazioni ufficiali, sia in ospedale sia fra chi si cura a casa propria.

    Via libera alla produzione del farmaco sperimentale contro il coronavirus
    di MICHELE BOCCI

    Il presidente francese Emmanuel Macron giovedì ha deciso di incontrare l’autore di uno dei due studi che ne promuovono l’uso (l’altro viene dalla Cina), il direttore dell’Institut Hospitalo-Universitaire di Marsiglia Didier Raoult, personaggio molto discusso in Francia. Il suo sostegno al farmaco è stato infatti considerato poco scientifico. La rivista dell’International Society of Antimicrobial Chemotherapy, su cui lo studio di Raoult era stato pubblicato, ne ha preso le distanze denunciando che la pubblicazione “non rispetta gli standard di rigore richiesti”. Il test è infatti basato sull’osservazione di 24 pazienti: decisamente troppo poco per poter trarre conclusioni, con una malattia che – senza farmaci – ha già un tasso di guarigione superiore al 90%.
    Per rispondere alle domande e placare le polemiche, l’università di Oxford sta avviando il più grande trial mai organizzato finora, con 40 mila partecipanti in Asia, Europa e Africa. Il test non cercherà di rispondere solo alla domanda se la clorochina cura il Covid, la malattia da coronavirus. Il suo obiettivo è anche capire se ha un effetto di profilassi. Se diminuisce cioè la probabilità di ammalarsi quando viene assunto prima dell’esposizione al virus. I volontari che si sottoporranno al test non sono scelti a caso: si tratta di personale sanitario che si trova a contatto stretto con i malati contagiosi. Già oggi in alcune corsie italiane dove si tratta il Covid la clorochina viene presa da medici e infermieri nella speranza che prevenga le infezioni o le indebolisca sul nascere. India e Bangladesh la distribuiscono ugualmente al personale sanitario sano ma impegnato nella lotta al coronavirus.

    Lotta al coronavirus, la scienza non può permettersi scorciatoie
    di ENRICO BUCCI*

    I risultati del mega-test non saranno immediati. Si parla di un anno. Ma con tutta probabilità nella primavera del 2021 non avremo ancora un vaccino. La sperimentazione di Oxford ha le carte in regola per darci una parola definitiva o quasi sull’efficacia di questo farmaco che – complici anche i capi di stato di Usa e Brasile – è finito nel frullatore mediatico e ha scatenato una corsa agli accaparramenti. Tanto che i pazienti per i quali è da sempre indicato (malati di artrite reumatoide e lupus) fanno fatica a trovarlo in farmacia. I 40 mila arruolati nel test, distribuiti in 50-100 ospedali dei tre continenti, verranno infatti divisi in due gruppi e – con scelta casuale – riceveranno o una pasticca di clorochina o un placebo per tre mesi. Grazie ai grandi numeri e al confronto diretto sarà più facile evidenziare l’eventuale effetto del farmaco.

    Le scorte dell’antimalarico usato anche contro il coronavirus della Sars (l’idea di provare a utilizzarlo nel 2003 fu di tre medici italiani, Andrea Savarino, Roberto Cauda e Antonio Cassone), si stanno intanto assottigliando. Essendo un farmaco fuori brevetto, con pochi pazienti (almeno prima dell’arrivo del coronavirus) e che costa al massimo una dozzina di euro al mese, un’unica casa produttrice è rimasta a fabbricarlo, la Sanofi, che produce una versione chiamata idrossiclorochina, quasi del tutto simile alla clorochina, con il nome commerciale di Plaquenil. La Bayer aveva deciso di ritirarsi dal mercato solo pochi mesi fa. Il 3 aprile la Sanofi ha notificato all’Agenzia italiana del farmaco il rischio di carenza del farmaco, mentre la Casa Bianca ha accaparrato 30 milioni di dosi nella sua scorta strategica nazionale.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome