Economia brasileira, terra arrasada, por Andre Motta Araujo

No caminho que hoje segue, sem uma política econômica, o Brasil está rumando para o desastre social e financeiro, com ou sem recessão mundial.

Economia brasileira, terra arrasada

por Andre Motta Araujo

Antes das eleições de 2018 o programa CENTRAL DAS ELEIÇÕES da GLOBONEWS entrevistou o então banqueiro de investimentos Paulo Guedes como pré-ministro do candidato Bolsonaro.  O “Posto Ipiranga” disse, aos berros e não aceitando questionamentos, que “nos primeiros seis meses de governo vou privatizar empresas e vender bens da União, arrecadando 2 TRILHÕES DE REAIS”. A afirmação era completamente estapafúrdia, alucinada, maluca, mas Guedes rispidamente NÃO ACEITOU ponderações e questionamentos da equipe de jornalistas do programa, era essa sua verdade impositiva.

MACROECONOMIA

Para gerir a política econômica de um País, especialmente de um País grande e complexo, requer-se um profissional experiente em QUESTÕES DE ESTADO. Se for economista, tem que ser versado em MACROECONOMA, o que é muito diferente de conhecer bolsa, ações, compra e venda de empresas.

No mundo dos “economistas de mercado”, aqueles que seguem o hoje desmoralizado neoliberalismo de Hayek, Thatcher e Reagan, que provocou o empobrecimento do Reino Unido e a mega crise financeira de 2008 nos EUA, mesmo entre o clube da “Casa das Garças”, o fechado círculo do neoliberalismo carioca, há nomes muito mais preparados que Paulo Guedes, elemento do baixo clero do neoliberalismo do Leblon,  de pouco ou nenhum prestígio nesse círculo. Nomes como Armínio Fraga e Gustavo Franco são infinitamente mais experientes que Guedes para pilotar a economia de um País, abstraindo a minha completa discordância com o pensamento neoliberal esgotado da PUC-Rio, escrevi até um livro crítico sobre isso.

A relação entre MACRO E MICROECONOMIA é a mesma que existe entre veterinário, enfermeiro e cardiologista. Todos lidam com sangue, agulhas e termômetros, mas suas funções são completamente diferentes. O MACROECONOMISTA tem a visão do todo, dos conjuntos, dos problemas da produção, é um profundo conhecedor de POLÍTICAS PÚBLICAS, daquelas que dependem das funções de Estado e não de mercado. Este é parte, e não o fim, de uma política econômica, onde há conflito de interesses permanente, e cabe ao Ministro arbitrar o conflito distributivo, com atenção ao social.

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Já o MICROECONOMISTA tem um campo bem mais restrito que não serve para dirigir a política econômica de um grande País. É o caso de Guedes.

A AUSÊNCIA DE POLÍTICA ECONÔMICA

Pela primeira vez, desde 1930, o governo brasileiro não tem nenhuma política econômica para o semestre, para o ano, para o mandato até 1922.

Não há nenhum plano coerente, com medidas que se inter-relacionam, com providências coordenadas, com uma visão de conjunto que tenha um objetivo definido, com meios e metas. Cortar gastos, e muito mal cortados, apenas no lado dos mais fracos e desassistidos, vender todos os bens da União, isso não é um plano econômico, não chega a nenhum lugar que faça alguma lógica para um País com um terço da população desocupada e sem renda.

Reformas por si só não são um plano econômico, mesmo porque seus resultados só emergem no longo prazo e não tem o condão de, isoladamente, promover crescimento. Reformas são, ao fim, reajustes e redistribuição de renda produzida, e não geram renda nova, falta o motor do crescimento.

Acreditar que o mercado, por si só, resolva o problema do desemprego e do crescimento é uma fantasia. TODOS os grandes emergentes têm planos governamentais macroeconômicos através de políticas públicas e a política monetária é parte desse plano macro. Nenhum grande País, mesmo rico, confia cegamente no mercado para puxar a economia, nem os EUA e nem a União Europeia, muito menos China, Índia e Russia.

As políticas monetárias de quantitative easing na Europa, Japão e EUA são a fórmula proativa que se pratica para estimular o crescimento e evitar a recessão.

AUTOMÓVEL NÃO SAI DO LUGAR SEM COMBUSTÍVEL, ECONOMIA NÃO SAI DO LUGAR SEM DINHEIRO

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Criar DEMANDA, algo que Keynes já sabia há 100 anos, é o único caminho para sair da recessão. Reformas não têm essa função.

Há espaço no Brasil para um plano de infraestrutura financiado pela emissão de R$2 trilhões de moeda, sem causar inflação, desde que espaçado em 4 anos, com gestão dia a dia. Há capacidade ociosa em ativos de produção e mão de obra para absorver demanda nova criada por moeda nova.

Mas para operar uma política de estímulos monetários é fundamental o MAESTRO para calibrar gota a gota o estímulo, um processo de ajuste diário entre a moeda estimulante, câmbio, produção e inflação, aquilo que Alan Greenspan fez no FED por duas décadas, não é por acaso que sua maior biografia tem o título de MAESTRO, é o controle do ajuste fino hora a hora entre moeda, produção e emprego, política fiscal e câmbio.

A FORMAÇÃO DO CONSENSO

Nos anos do regime militar de 1964, com poderosos  Ministros da área economia, NUNCA UM SÓ,  havia um mecanismo para gerar consenso e minimizar erros, o CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, com representação da produção, do sistema financeiro e do Governo, para se ter um olhar múltiplo sobre a política econômica, para evitar que um comandante  sozinho  afunde o navio porque ninguém lhe contesta. Nos EUA, igualmente, há um COUNCIL OF ECONOMIC ADVISERS, o Conselho dos Assessores Econômicos da Presidência para ter uma visão ALÉM do Secretário do Tesouro e do banco central, são economistas independentes de primeira linha que não fazem parte do Governo. Mesmo no Sistema da Reserva Federal, seu Conselho (Board) é composto por sete professores de economia de escolas diversas, para um só não errar sozinho, todos sistemas para evitar o comandante maluco afundando o navio por falta de contraponto, exatamente o erro que hoje estamos cometendo no Brasil com APOIO DO MERCADO e da MÍDIA.

Não há nessa não política um fiapo de olhar para os 180 milhões de pobres, miseráveis, desempregados. Ao contrário, todas as medidas levam a deles exigir mais sacrifícios do que já suportam, poupando os 30 milhões que estão razoavelmente bem no rentismo estatal de juros ou supersalários.

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Na CRISE FISCAL HÁ UM MAR DE DESPERDICIOS, título de meu próximo artigo, corta-se para baixo e não para cima.

TERRA ARRASADA

No caminho que hoje segue, sem uma política econômica, o Brasil está rumando para o desastre social e financeiro, com ou sem recessão mundial. O debate econômico está suspenso pelos “economistas de mercado”, cuja bíblia, o BOLETIM FOCUS, é campeão mundial de erros de previsão, sempre erram para cima, na semana seguinte a realidade corrige o erro sem fim, gente correndo às cegas sem achar a porta de saída.

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11 comentários

  1. “Pela primeira vez, desde 1930, o governo brasileiro não tem nenhuma política econômica para o semestre, para o ano, para o mandato até 1922”

    O ano não seria
    …para o mandato até 2022?

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  2. “…Nos anos do regime militar de 1964, com poderosos Ministros da área economia,…” Delfim Neto fez Lula surfar na Economia durante 8 anos, porque o Presidente tinha uma linha direta com o ex-Ministro. A genialidade Empresarial Paulista, deixada novamente de lado e combatida, tem na figura de Paulo Maluf seu exponencial de genialidade. Quando o Estado Brasileiro (ou Sindicatos. Para eles, seria muito proveitoso) olhou para a Eucatex? No manjado AntiCapitalismo de Estado, como da Lava Jato, para denegrir que alguns supostos milhões foram ‘lavados’ em Bilionária Indústria Centenária. Com isto, se joga na sarjeta, os milhares de Profissionais Brasileiros da Vigilância à Engenharia, que construíram a História desta Empresa. Carne Fraca, Lava Jato, coincidência?! Privatarias de FHC que chegam juntamente com os diário Editoriais de Mirian Leitão contra a FIESP. Mas isto é mais do mesmo. É apenas a continuidade do Golpe Civil Militar de 1930, que barra a Democracia, Meritocracia e Competência Paulista em detrimento do Coronelato Estatal. É malhar em ferro frio. Está na genética de nossos problemas. Podem ficar mais outro século sentados embaixo deste abacateiro. Nunca verão brotar uma laranja deste pé.

    • CARTÓRIOS num eterno enxugar de gelo em certidões, procurações, cópias autenticadas e reconhecimentos de firma. O que seria do Brasil sem Reconhecimento de Firma?! E por Autenticidades. E DETRAN’s e sua Indústria Bilionária de Multas? Qual era o ‘caixinha’ do Detran Gaúcho no Governo Tucano de Yeda Crusius? 40 milhões para o Partido?! Seu Chefe de Gabinete suicidando-se. Mas o Trânsito, quanta segurança e vanguarda?!!!! Existe Detran sem Reconhecimento de Firma e Cópia Autenticada? Por que será? Como atestou este Articulista alguns faturam seus 40 milhões de reais !!! PARA QUE VOU TRABALHAR !!!!! EU QUERO UM CARTÓRIO SÓ PRA MIM !!!! Boa parte desta grana indo direto a Desembargadores e Procuradores. E Amantes e Viagens Internacionais. E Amantes em Viagens Internacionais. E as Jóias da patroa. E a Disney das crianças…..Para que serei um Covarde Empresário Tupiniquim que tem medo de investir meu Dinheiro !!!!!! Isto depois de muita multa, fiscalização, fiscais, fiscais, fiscais, alvarás e licenças que NADA servem. Para que serviram na Boate Kiss em Santa Maria/RS?!! Para que vou trabalhar? Quero uma Porcentagem nos radares da Marginal Tiête !!!! Depois pegarei meus Produtos e deixarei grande oarte do meu trabalho nos milhares de Pedágios espalhados pelo Brasil. São Paulo é uma história à parte !!! Quantas Estradas, os tais Pedágios construíram?!! Ou o Estado construiu e depois pedagiou? Para que vou montar uma Empresa, ser Empresário Covarde e trabalhar? Quero apenas uma ínfima parte nos Bilionários Lucros dos Pedágios. Mas também pintar faixa e carpir 2 M de lateral de estrada dá tanto trabalho !! E tanto prejuízo !!!! Não sei como a ECONOMIA BRASILEIRA NÃO ANDA?!! Com JUROS de 350%, pagando em JUROS DE CONSUMO e JUROS DE CAPITAL DE GIRO na ordem de 100% ao ano !!! Quero inventar um Produto que dê 100% de LUCRO ao ano !!! PEDÁGIO, DETRAN, CARTÓRIO,….Como não pensei nisto antes?!!!! Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

    • Só mais uma coisa. Ainda tem o grande exemplo da Argentina de Macri que reformaria o Intervencionismo Nacionalista do Governo Cristina (Dilma?) O NeoLiberalismo, padrão Paulo Guedes (Desgraça Privatarista nos moldes Menen/FHC) , era a estrada certeira que a América do Sul havia abandonado. Tal estrada levou a Argentina ao abismo. Novamente. Mas antes se abastecerá em FMI. Pobre América do Sul rica. Mas de muito fácil explicação.

  3. A culpa não é do tchutchuka……esse não esconde a verdadeira natureza………

    Não sabe nada de economia e nunca disse que iria distribuir renda ou gerar empregos…..

    A culpa é desse congresso mediocre, vendido…….que mesmo contra todos os estudos produzidos pela propria instituição, aprova as medidas genocidas do governo……..

    Essa é a verdade……..

  4. Só mesmo um neófito de muita categoria, o caso deste idiota auxiliado pelos seus tres filhotes, seria capaz de obedecer à banca e instalar um mercadista como PGuedes no ministério da Economia, isto sem esquecermos do presidente do BC, cuja experiência para a função pode ser resumida a uma palavra, zero.
    O país já teve alguns mercadistas pilotando a economia, e nenhum deles conseguiu êxito, ou seja, a lógica não foi contrariada, até mesmo Persio Arida não conseguiu sair do lugar. Sem o conhecimento de gestão pública, qualquer mercadista à frente da economia significa desastre inevitável, e o detalhe não serve apenas para a área econômica, basta imaginar FGabeira ou Romário na pele de prefeito ou governador, funções que demandam conhecimento de gestão pública.
    Até agora PGuedes, não por acaso, tem tido uma enorme boa vontade da grande mídia, ninguém cobra nada do megalomaníaco, é do conhecimento de muitos o caminhar da economia sob o comando do economista e aí, e aí nada, só foi divulgado, e mesmo assim com relativo destaque, os três trimestres consecutivos no vermelho, que é o que caracteriza um estado de recessão ( os marinho tiraram da cartola um termo para amenizar o vexame, a tal da recessão técnica).
    A falta de expediente do dueto ignorante fica amplamente demonstrada quando, agora, na falta do que fazer e na falta de raciocínio equivalente a de um chimpanzé, tem início o ataque às reservas de 400 bi de dólares acumulada no período de Lula/DRousseff. Desta maneira leviana e irresponsável, até mesmo o porteiro do prédio do PGuedes pode ser ministro.
    O ministro mercadista veio com dois objetivos, para fazer a reforma da Previdência, aquela que deixará todos os idosos na lona, e para privatizar tudo aquilo que nenhum país entrega à iniciativa privada, aliás, se puder, o alucinado privatiza até mesmo o jardim do Palácio do Planalto.
    Lula, assim como outros presidentes civis, não é craque em economia mas não é burro, então ouvia opiniões de diversos economistas que conhecem o assunto, o caso de DNetto, Belluzzo e outros, e depois disto conversava com o seu ministro, ou seja, sempre tinha uma base razoável para conversar com qualquer pessoa, nunca foi suficientemente moleque para responder a alguém com um “vai lá e pergunta pro Guedes”, o caso do zero à esquerda que agora resolveu dizer que Macron, filhote de Rotschild, é de esquerda rsrs, dando assim total razão à conclusão de Albert Einstein sobre coisas infinitas, uma delas a estupidez humana.
    Até aqu, eu gostaria de saber, entre as inúmeras medidas adotadas pelo zero à esquerda, quais delas tiveram os brasileiros mais simples como objetivo positivo, já que até cadeirinha de bebê foi motivo de preocupação. O que sei é que o imbecil implodiu com praticamente todos os programas de Educação, deixou 13 milhões de brazucas sem o Mais Médicos, agora “desligou” a água da Transposição do S.Francisco, destruiu a fiscalização do Ibama, nestes poucos meses já demitiu dezenas de pessoas por ele indicadas, e por aí segue o rol de inconsequências do cidadão que tem como meta fazer do filhote que sabe fazer hamburger embaixador nos USA.
    Quanto a PGuedes, empregadinho de luxo da banca, só sairá do posto caso o jenial não seja reeleito, mas até lá ele passará a foice onde até deus duvida, pois ninguém é capaz de desafiar a banca.

  5. Paulo Guedes já falou lá nos States, em privatizar até o palácio presidencial. E eu certa feita assisti uma entrevista com o falecido Antonio Ermírio de Moraes, em que ele dizia, sobre a privatização e ter participado do “leilão da vale” : ” nós participamos do leilão e perdemos. Gostaríamos de ter ganho mas perdemos. Mas eu sou contra essas privtizações, porque uma semana depois, ninguém mais sabe sobre o dinheiro arrecadado e ele jamais será suficiente para cobrir o pagamento da dívida”. FHC e neoliberais se calaram, mas não se aquietaram.

  6. O Brasil é pilhado pela sua elite desde SEMPRE.

    Nada mudou. País exportador de produtos agrícolas acha que vai chegar aonde?

  7. Talvez o erro é achar que Guedes não tem um programa, pois ele tem sim, pode não agradar 99% da população brasileira, mas para mim é claro há mais de quatro anos. O programa é a redução do Estado Brasileiro a total, completa e absurda venda de todo o nosso patrimônio ao Imperialismo Internacional, algo que fizeram com a Grécia sem guerra e com o Iraque e a Líbia com guerra.
    Eu estou ficando cada dia mais chato, pois repito este aparente absurdo enquanto todos não acreditam e pensam que estou delirando.
    Vou só repetir os títulos de dois artigos que escrevi o primeiro em 26/12/2014 “Eles escolheram a barbárie” (https://jornalggn.com.br/negocios/eles-escolheram-a-barbarie/)e o oitavo em 12/03/2018 “O Império não quer mais sócios, quer servos II” (https://jornalggn.com.br/opiniao/o-imperio-nao-quer-mais-socios-quer-servos-ii/).
    Nesta série de artigos, que começa com as razões da escolha do Imperialismo em simplesmente no lugar de comprar tudo e explorar o país é simplesmente comprar tudo, demolir o país e deixa-lo como um simples produtor de matéria prima e de commodities agrícolas.

  8. Pense no Brasil como um campo de batalha, após o combate entre dois exercitos. Infelizmente não existe nenhum cuidado com as consequencias, o objetivo é vencer a qualquer custo. Estamos em meio a interesses de grandes grupos que se tornaram muito poderosos. Não fomos capazes de racionalizar a nosso liberdade de expressão e de escolha, e agora pagamos o preço.

  9. + comentários

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