Estado de terror, DD feliz e Raquel Dodge fazia “chifrinho”, por Armando Coelho Neto

Não há o menor sinal de que se pretende restabelecer a ordem constitucional e democrática. Todo discurso produzido nesse sentido é revestido de farsa e diversionismo.

Raquel Dodge (à esquerda), ao lado de Michelle e Jair Bolsonaro. Foto: Agência Brasil

Estado de terror, DD feliz e Raquel Dodge fazia “chifrinho”

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Meu amigo não entendeu por que iria falar de terror, hoje. Tentei explicar com uma hipótese: – imagine que eu esteja lhe fazendo um grande mal, te provoco todos os dias. Você, cidadão civilizado e cristão, resolve me dar uma chance de rever minhas posições e ora para mim todos os dias, para que Deus aplaque meu ódio. Eu ignoro sua ética, civilidade, orações e sei que logo você vai concluir que ser bonzinho não levará a nada. Mais cedo ou mais tarde você vai perder a paciência, e como quero te liquidar, provoco ainda mais. Entretanto, vou criando mecanismo de defesa, passo a usar arma, contrato capangas e coloco meus comparsas para te vigiar, bisbilhotar sua vida. Eu só quero que você reaja para que eu te liquide.

Vamos aos fatos.

Bozo, Moro, as covardes Forças Armadas (exceções continuam silentes) com Supremo e tudo estão mesmo provocando o povo brasileiro e querem levar o país para o clima de terror.  Na prática, a corja golpista está dando um sinistro recado à Nação: a saída para vocês é a violência, o terror, desobediência civil. Não adianta vocês ficarem com mimi-mi e inheim-inheim de ilegalidade, ética ou o que for. Não há o menor sinal de que se pretende restabelecer a ordem constitucional e democrática. Todo discurso produzido nesse sentido é revestido de farsa e diversionismo. Os golpistas agem como meliantes que após expropriarem suas vítimas, tripudiam e disparam o chavão “perdeu playboy”.

Essas impressões ganharam reforço por alguns fatos, entre eles o editorial do The Intercept Brasil (TIB), sobre os sinais de que o país caminha para o totalitarismo. A propósito, cita reuniões de “sindicatos vigiados por policiais armados, palestra de cientista filmada por soldado do Exército, presidente da República ameaçando prender jornalista, e um ministro da Justiça que não tem medo de transgredir a lei para defender seus interesses e descredibilizar a imprensa”. Em uma democracia, diz o editorial, Sergio Moro já teria sido demitido por desvio de função e pelas sucessivas ilegalidades cometidas.

O TIB trabalha com valores éticos, morais, civilizados absolutamente alheios à corja golpista. A mesma corja responsável pela portaria da Besta do Apocalipse, assinada pelo atual ministro da Justiça e da Segurança Pública. Como tudo é marketing e hipocrisia no governo Bozo, o documento – que pretende estar acima da lei ordinária e da Constituição Federal, recebeu o número 666. É com ela que o golpe quer intimidar o jornalismo do The Intercept, que vem denunciando as “morocutaias” da operação Farsa Jato.

A pretexto de combater a corrupção, a farsa judicialesco-midiática segue o mesmo caminho da Operação Mãos Limpas, na Itália. Não tornou aquele país menos corrupto e ainda levou ao poder o mafioso Berlusconi. O Brasil foi entregue a Michel Temer, e hoje é controlado pela milícia, o PCC e a facção “palestrista” no poder. Não à toa membros do Poder Judiciário foram se encontrar com financistas às vésperas das eleições passadas.

A portaria da Besta aparece num contexto de reedição do tema terrorismo. A propósito, vi no controvertido jornalismo do Duplo Expresso, citação ao projeto de lei nº 2418/2019, que pretende alterar a já polêmica lei sobre terrorismo no Brasil. A ideia é criar obrigação de monitoramento de atividades terroristas e crimes hediondos a provedores de aplicações de Internet. Tudo muito adequado para um país no qual existe “terrorismo amador”, de que falo em nosso texto de 22 de julho de 2016. País de “hackers amadores”, que desviam a atenção da maior vergonha que um Poder Judiciário já enfrentou na sua história. Não é sem razão que terrorista no Brasil dá entrevista à revista de grande circulação informando seus planos.

A volta do tema terrorismo é preocupante, já que, para a dupla Bozo/Moro, o Brasil vivia sob regime comunista, fato que revela o primarismo de seus conceitos. Desse modo, a ideia do que possa ser extremismo político ou ideológico pode expor brasileiros às idiossincrasias e subjetividades absurdas que norteiam o pensamento “morocutaio e ou bozoriano”. A farsa golpista com supremo e tudo (com forças armadas monitorando do MST) está provocando a massa crítica nacional. Ela quer briga e se arma de um arcabouço jurídico não só para intimidar, mas para por em prática, se preciso, com base em suas subjetividades.

De há muito o golpe assumiu seu lado tosco, e todos os dias bate na nossa cara, pedindo que haja reação. Isso é deveras perigoso, quando um general moribundo se transforma em pitaqueiro oficial da subversão da ordem jurídica de um lado, e um astrólogo paranoico pretende impor, por controle remoto, o fascismo no Brasil.

Já não adianta falar de ética, civilidade ou ordem jurídica. As revelações sobre o “palestrismo” de um certo DD, a Fundação Casa de Mãe Joana (dois bilhões) e o leilão de cargos  expõe as feridas do falso moralismo. Entretanto, procuradora da República, Raquel Dodge, como fiscal-mor da lei prefere tirar foto fazendo “chifrinho” ao lado do Bozo.

Reação? Como essa gente vai cair mesmo é de podre, vamos ficar de butuca, na oposição consentida, enquanto urdimos o empurrãozinho fatal.

Armando Rodrigues Coelho Neto – advogado e jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

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