Da guerra cibernética à diplomacia: o Brasil como laboratório do poder digital
Por Reynaldo Aragon
Empresas que constroem sistemas de vigilância, inteligência e guerra autônoma agora orientam o Departamento de Estado sobre liberdade de expressão. Este artigo reconstrói a rede formada por J.D. Vance, Peter Thiel, Palantir, Anduril, Elon Musk, Bitcoin Policy Institute e Victims of Communism e demonstra como diplomacia, tecnologia e coerção econômica passaram a operar dentro de uma mesma doutrina de poder. No Brasil, esse movimento converge com os ataques ao STF, às regras eleitorais, à regulação das plataformas e ao Pix, além da disputa pela governança da inteligência artificial. Ainda não há prova de uma operação coordenada no país. Há algo anterior e igualmente grave: capacidade, doutrina, interesses e alvo objetivamente alinhados.
A liberdade agora tem fornecedores
Os Estados Unidos abriram sua diplomacia digital a organizações construídas para vigiar, identificar e guerrear. Sob o nome de Freedom Tech Excellence Program, o Departamento de Estado reuniu Palantir, Anduril, Bitcoin Policy Institute e Victims of Communism Foundation para que especialistas dessas instituições atuem, por períodos determinados, em temas como liberdade de expressão, privacidade, inteligência artificial e combate à vigilância digital. O movimento não é clandestino. Sua gravidade está justamente na normalidade administrativa com que empresas ligadas à inteligência de dados e à guerra autônoma são convertidas em fontes legítimas de orientação sobre direitos, regulação e soberania.
O próprio Departamento reconhece que as organizações participantes obterão conhecimento direto sobre como essas políticas afetam seus interesses e suas operações. A frase destrói o álibi da neutralidade. Quem ajuda a definir os limites da vigilância, da liberdade e da governança tecnológica também disputa mercados, contratos e padrões internacionais. O conflito não é apenas ético. É material: fornecedores privados passam a participar do espaço estatal em que os Estados Unidos formulam as normas que defenderão no exterior.
Há anos venho chamando atenção para essa mutação. Os dados deixaram de ser simples recursos econômicos, a tecnologia deixou de ser ferramenta e as corporações deixaram de funcionar apenas como prestadoras do Estado. Elas se tornaram infraestruturas de poder, capazes de organizar conhecimento, decisão e coerção. O FTEP oferece forma institucional a esse processo. O complexo digital-militar não abandonou a guerra ao entrar na diplomacia. Ele transformou a diplomacia em uma nova frente. E o Brasil já aparece no ponto de convergência entre a doutrina, os interesses e os instrumentos dessa expansão.
A genealogia da nova diplomacia de guerra
Esse arranjo não nasceu no Departamento de Estado. Ele é o resultado de uma rede construída durante quinze anos entre universidades de elite, fundos de investimento, empresas militares, plataformas e organizações ideológicas. A aproximação entre J.D. Vance e Peter Thiel começou em 2011, após uma conferência do empresário em Yale. Vance passaria pela Mithril Capital, ligada a Thiel, criaria a Narya Capital com recursos do mesmo ecossistema e teria sua ascensão ao Senado impulsionada por aproximadamente US$ 15 milhões do bilionário. Em 2019, ajudaria a fundar a Rockbridge Network, destinada a formar quadros, financiar instituições e disputar a infraestrutura cultural da direita norte-americana. Não foi apenas patrocínio. Foi formação de poder.
Vance converteu essa origem em doutrina de Estado. Na Cúpula de Inteligência Artificial de Paris, em fevereiro de 2025, afirmou que Washington não aceitaria regulações estrangeiras que restringissem suas empresas tecnológicas. A liberdade deixou de significar distribuição democrática de poder e passou a funcionar como princípio de acesso a mercados. Meses depois, Vance convocou publicamente o Bitcoin Policy Institute a contribuir para a estratégia norte-americana diante da competição entre grandes potências.
O universo organizado por Thiel fornece a infraestrutura material dessa doutrina. A Palantir integra bases de dados, identifica relações e transforma informação dispersa em inteligência operacional. A Anduril conecta sensores, comando e sistemas autônomos. Uma de suas figuras centrais, Trae Stephens, passou pela Palantir e tornou-se sócio da Founders Fund, de Thiel. Em 2024, as duas empresas formalizaram uma parceria para transportar dados do campo de batalha até sistemas de inteligência artificial. Elon Musk não integra formalmente o FTEP, mas participou do encerramento do Digital NEXT ao lado de autoridades do governo, representando a camada das plataformas, da infraestrutura orbital e da influência política em escala mundial.
Bitcoin Policy Institute e Victims of Communism completam o desenho com doutrina monetária e legitimação ideológica. Não existe prova pública de um comando único entre esses atores. Existe algo mais concreto: uma divisão objetiva de funções. Vance organiza a frente política; Thiel articula capital e quadros; Palantir fornece o cérebro de dados; Anduril conecta esse cérebro ao mundo físico; Musk controla infraestruturas decisivas de circulação; o BPI disputa o dinheiro; a Victims of Communism fornece a linguagem do inimigo. Não é necessário imaginar uma conspiração quando interesses, capacidades e visão de mundo já marcham na mesma direção.
O complexo entra no Departamento de Estado
O FTEP foi anunciado às margens do Digital NEXT, encontro que levou a São Francisco 47 formuladores de políticas tecnológicas e representantes governamentais de 30 países. A delegação participou de diálogos com empresas norte-americanas apresentados oficialmente como alternativas a modelos regulatórios considerados excessivos. Não era apenas intercâmbio técnico. Era a aproximação de autoridades estrangeiras com a visão de mundo, os interesses comerciais e as soluções tecnológicas dos Estados Unidos. O FTEP acrescentou a esse movimento uma camada mais profunda: especialistas privados passariam a trabalhar dentro da estrutura que transforma essa visão em política externa.
A característica mais reveladora do programa não está nos temas anunciados, mas no vínculo empregatício preservado. A página oficial do FTEP informa que os participantes continuam empregados por suas organizações durante as missões. A genealogia administrativa ajuda a compreender o alcance desse desenho. Até 2025, a mesma sigla designava o Franklin Talent Exchange Program, pelo qual profissionais indicados e financiados por seus empregadores trabalhavam durante um ano como especialistas ou consultores do Departamento de Estado, podiam obter autorização de segurança e depois retornavam às empresas de origem. O novo programa preserva o elemento central desse mecanismo, mas ainda não esclareceu publicamente se todas as regras anteriores continuam válidas.
A transparência é nominal; a opacidade, operacional. Sabemos quais organizações podem enviar funcionários, mas não quem são os participantes, em quais escritórios trabalharão, a quais documentos terão acesso, que países acompanharão, quais autoridades poderão aconselhar ou como serão protegidas informações sensíveis. Também não foram divulgados os instrumentos de cooperação, o orçamento, os critérios de escolha, as obrigações de confidencialidade nem os registros de impedimentos. A legislação norte-americana proíbe que funcionários participem de decisões capazes de afetar diretamente os interesses financeiros de seus empregadores, salvo exceções e autorizações previstas em lei. As regras de ética também exigem avaliação de imparcialidade. Isso impede afirmar antecipadamente que existe uma ilegalidade. Não permite concluir que o risco está controlado.
O Departamento de Estado sustenta que o FTEP supre carências técnicas e não foi criado para ampliar o uso operacional de inteligência artificial dentro da instituição. É uma justificativa plausível, mas insuficiente. O poder de um especialista não depende apenas do sistema que ele opera. Está nas perguntas que formula, nos riscos que prioriza, nos conceitos que legitima e nas soluções que transforma em padrão. Quando fornecedores privados participam da definição do que Washington chamará de liberdade, vigilância e regulação legítima, eles deixam de atuar apenas depois da política pública. Passam a influenciar o terreno em que ela nasce.
A pilha operacional da liberdade
Todo projeto de poder precisa de uma linguagem capaz de esconder sua logística. Na nova estratégia norte-americana, essa linguagem é a liberdade digital. A Ordem Executiva 14320, assinada em julho de 2025, determinou que tecnologias, padrões e modelos de governança dos Estados Unidos fossem adotados mundialmente por meio da exportação de pacotes completos de inteligência artificial. Esses pacotes incluem chips, servidores, nuvem, redes, bases de dados, modelos e aplicações. O Departamento de Estado recebeu a missão de alinhar instrumentos diplomáticos, financeiros e regulatórios para facilitar sua implantação em países e blocos escolhidos. Não é uma interpretação crítica. É política oficial de domínio tecnológico.
A liberdade funciona como a camada normativa dessa expansão. Ela define quais regulações serão classificadas como legítimas, quais serão denunciadas como censura e quais Estados sofrerão pressão por limitar empresas norte-americanas. O Digital NEXT aproxima formuladores estrangeiros da indústria. O FTEP leva especialistas privados para dentro da diplomacia. O Bitcoin Policy Institute apresenta redes monetárias descentralizadas como proteção contra controles estatais. A Victims of Communism fornece uma gramática ideológica capaz de transformar conflitos regulatórios em batalhas entre liberdade e autoritarismo. Cada peça opera em seu próprio campo, mas todas reduzem a soberania nacional a um obstáculo que precisa ser removido, contornado ou disciplinado.
A infraestrutura já começa a acompanhar o discurso. O freedom.gov foi concebido como portal do Departamento de Estado para oferecer ferramentas de acesso e VPNs capazes de contornar restrições nacionais, com atenção explícita à Europa e ao Brasil. O edital do Global Digital Threat Lab prevê cerca de US$ 2,96 milhões para perícia digital, resposta rápida, rastreamento de ameaças e produção de informações que poderão subsidiar sanções e restrições de vistos. Pelo cronograma oficial, o laboratório começará apenas no final de setembro de 2026. Não é uma operação em funcionamento, mas uma capacidade institucional em construção.
É essa combinação que proponho chamar de pilha operacional da liberdade: narrativa para legitimar, diplomacia para abrir mercados, infraestrutura para contornar decisões nacionais, inteligência para identificar redes e instrumentos econômicos para punir resistências. Não há prova de que todas essas iniciativas estejam submetidas a um comando único. A convergência, porém, está documentada nos objetivos, nos métodos e nos beneficiários. Uma arquitetura assim não precisa ser acionada integralmente para produzir efeitos. A simples capacidade de combinar acesso, evasão, vigilância e coerção já modifica as escolhas dos Estados. No Brasil, essas camadas deixaram de ser uma possibilidade distante. Elas começaram a se sobrepor.
Brasil, o laboratório
O Brasil não entra nesta história como conjectura. Entra pelas mãos de Sarah B. Rogers. Em 31 de julho de 2026, a subsecretária de Estado para Diplomacia Pública anunciou o Digital NEXT e o FTEP. Dezesseis dias depois, acusou o Brasil de impor censura porque o X havia adaptado seu sistema de recomendações às regras eleitorais brasileiras. O filtro deixou de oferecer publicações de candidatos a usuários que não os seguiam, mas não removeu contas nem conteúdos. A mesma autoridade que abriu a política externa norte-americana a empresas de tecnologia passou a enquadrar uma decisão soberana da Justiça Eleitoral como violação da liberdade. Isso não comprova uma operação do FTEP no país. Comprova que a doutrina e o alvo já se encontraram dentro da mesma estrutura política.
A pressão não ficou no discurso. Em junho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu sua investigação da Seção 301 acusando o Brasil de prejudicar empresas norte-americanas por meio de decisões judiciais sobre plataformas e de políticas relacionadas a pagamentos eletrônicos. O processo também envolveu tarifas, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Portanto, seria incorreto atribuir toda a retaliação exclusivamente à política digital. Seria igualmente falso esconder que plataformas e Pix apareceram entre os fundamentos expressos da medida. Em julho, Washington impôs tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras. Uma disputa sobre regras digitais e pagamentos públicos foi convertida em punição econômica contra setores que nada tinham a ver com o conflito original.
O Pix ocupa o centro dessa disputa porque não é apenas um meio de pagamento. É infraestrutura pública capaz de reduzir custos, limitar a extração de renda por intermediários privados e ampliar a autonomia monetária brasileira. Com cerca de 170 milhões de usuários e mais da metade das transações realizadas no país, tornou-se referência internacional. Em julho, Flávio Bolsonaro propôs impedir sua conexão com redes de pagamentos não ocidentais como gesto de aproximação com Washington. Ao mesmo tempo, o Banco Central estudava ligações internacionais para o sistema e os BRICS iniciavam discussões sobre a interoperabilidade de pagamentos instantâneos e moedas digitais. O que está em jogo não é a interface de um aplicativo. É quem controlará os trilhos financeiros de um mundo em transição.
A eleição de 2026 torna essa pressão imediata. O TSE ampliou obrigações de transparência, identificação de conteúdo sintético, bibliotecas de anúncios e combate a comportamentos coordenados, além de restringir deepfakes durante a campanha. Para o Estado brasileiro, essas regras protegem a integridade eleitoral. Para a doutrina formulada em Washington, podem ser classificadas como barreiras à operação de empresas norte-americanas ou como censura. A divergência deixa de ser apenas jurídica quando os Estados Unidos já demonstraram disposição para combinar exposição pública, restrições diplomáticas, sanções e tarifas. O perigo não exige que Palantir esteja operando uma plataforma eleitoral brasileira. Basta que capacidades privadas de análise de redes, interesses políticos internos e instrumentos de pressão externa passem a responder à mesma interpretação do conflito.
O terreno tecnológico brasileiro também já foi alcançado. A plataforma Foundry, da Palantir, foi utilizada pelo FNDE a partir de dezembro de 2023 por meio de um contrato com o Serpro e de contratação via AWS Marketplace. Segundo o órgão, o sistema processou apenas informações públicas ou passíveis de divulgação, sem dados pessoais de estudantes. Em julho de 2026, o FNDE anunciou sua descontinuidade, alegando possuir soluções internas capazes de substituí-lo. Não há prova de captura clandestina de dados educacionais. Há a demonstração concreta de como software estratégico estrangeiro pode ingressar na administração pública por camadas contratuais que afastam seu fornecedor do olhar imediato da sociedade.
A próxima fronteira é ainda maior. Em agosto, o Brasil anunciou R$ 2,3 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial, distribuindo projetos entre fornecedores chineses e uma licitação na qual tecnologia norte-americana era esperada, mas ainda não havia sido escolhida. O plano inclui nuvem nacional, capacidade computacional e transparência algorítmica. É exatamente esse ambiente regulatório, tecnológico e de dados que a estratégia de exportação da pilha norte-americana de IA pretende moldar. O risco imediato não é um controle remoto secreto sobre o Brasil. É o condicionamento progressivo de nossas escolhas por meio da combinação entre dependência tecnológica, pressão econômica e intervenção normativa.
É assim que um país se transforma em laboratório. Suas eleições testam os limites impostos às plataformas. Seu sistema judicial testa a força das corporações diante da lei. Seu meio público de pagamento testa a autonomia financeira fora das redes tradicionais. Sua infraestrutura de IA testa até onde a soberania sobre dados e capacidade computacional poderá sobreviver à disputa entre potências. Não existe prova de uma operação coordenada do FTEP no Brasil. Existe algo que o jornalismo estratégico não pode ignorar: capacidade, doutrina, interesses e alvo já ocupam o mesmo mapa.
Soberania não se terceiriza
Os Estados Unidos podem ganhar velocidade ao transformar empresas tecnológicas em braços de sua política externa, mas pagarão por isso com confiança, credibilidade e fragmentação. Quando um fornecedor passa a participar da definição das regras que favorecem sua própria expansão, cada contrato deixa de ser avaliado apenas como decisão técnica. Torna-se questão de segurança nacional. A França iniciou a substituição gradual da Palantir em sua inteligência doméstica. As Forças Armadas da Alemanha recusaram sua adoção por considerarem inaceitável conceder a funcionários de uma empresa acesso a bases nacionais. O Reino Unido passou a revisar contratos e propostas. São decisões distintas, mas atravessadas pela mesma pergunta: quem conserva o poder real quando o Estado depende de uma infraestrutura que não controla?
A crítica precisa enfrentar a defesa mais forte da Palantir. A empresa mantém uma equipe dedicada à privacidade e afirma que seus sistemas oferecem permissões granulares, minimização de dados, justificativas de acesso, criptografia e registros de auditoria. Esses mecanismos são reais e podem reduzir abusos quando submetidos a instituições democráticas. Nenhuma salvaguarda técnica, porém, decide quem estabelece a finalidade da vigilância, quais bases serão combinadas, que grupos serão classificados como ameaça ou qual governo controlará o sistema. O problema nunca esteve apenas no código. Está nas relações de poder que determinam seu uso.
A denúncia termina onde terminam as provas. Está comprovado que empresas de vigilância e defesa foram incorporadas à diplomacia digital norte-americana, que Washington pretende exportar sua arquitetura completa de inteligência artificial e que instrumentos comerciais já foram utilizados contra políticas digitais brasileiras. Há indícios sólidos de uma estrutura complementar de narrativa, acesso institucional, inteligência e coerção. Não há prova pública de uma operação coordenada do FTEP contra o Brasil. Preservar essa fronteira não enfraquece o alerta. É o que separa jornalismo estratégico de fantasia conspiratória.
A resposta brasileira não pode ser censura, autarquia tecnológica nem substituição automática da dependência norte-americana pela chinesa. Precisa começar pelo mapeamento dos sistemas estrangeiros instalados no Estado, pela exposição de contratos e subcontratos, pelo controle nacional sobre dados e chaves criptográficas, pela exigência de auditabilidade e interoperabilidade e pela construção de nuvem pública, capacidade computacional e inteligência próprias. Eleições, pagamentos, comunicações e infraestrutura de IA devem ser tratados como dimensões de uma mesma soberania.
O Brasil não precisa escolher qual potência escreverá seu futuro em nosso lugar. Precisa recuperar a capacidade de escrevê-lo. Soberania não é selecionar de quem dependeremos. É construir as condições materiais para que ninguém possa decidir por nós.
Artigo publicado originalmente em <código aberto> .
Reynaldo Aragon é jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia, com foco nas relações entre tecnologia, cognição e comportamento. Editor do codigoaberto.net É pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação (NEECCC – INCT DSI) e integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberania Informacional (INCT DSI), onde investiga os impactos da tecnopolítica sobre os processos cognitivos e as dinâmicas sociais no Sul Global.
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