Mas como é chique a abstinência gospel, por Cristiane Alves

Toda glória e honra e poder emana do trono divino terceirizado aos homens de boa vontade.

Mas como é chique a abstinência gospel, por Cristiane Alves

Acho tão chique a abstinência gospel. E nem falo só de sexo.

O mundo gospel tem saias longas, cabelos comportados, músicas que louvam. Em contrapartida tem sexo nas coxas, com gravidez santa que não rompe o hímen (muito mais comum do que pensam as “perversas mentes esquerdistas”), perversões que projetam, no outro, tudo que a hipocrisia não os deixa escancarar, sexo oral antes do gargarejo com enxaguante ungido pelo pastor, em causa própria.

Tem roubo, tem incesto, tem sufocamento (aquela morte que se faz com as mãos que se impõem sobre os endemoniados). O universo gospel tem indulgência comprada, vendida por um deus que nunca aparece para cobrar, mas manda matar quem não salda essa dívida santa, afinal “de Deus não se mofa”, quer dizer: “o SENHOR não tá de brincadeira, irmão!”

Tem autoindulgência também, todo erro é culpa do pecado original, da Eva mais que do Adão que estava trabalhando pra ganhar a sabedoria e ser seu próprio patrão, enquanto a “vagabunda” estava nas redes sociais, pegando na cobra e falando com desconhecidos. Fosse hoje era expulsa do paraíso por um Adão micro poderoso a chutes e ponta pés, morria e estava tudo certo. Deus perdoa o arrependido que fala alto sobre SEU martírio. As mulheres só se vitimizam. Fosse mulher valorosa estava agora viva, com marido rico, dono do mundo, com filhos incestuosos, mas abençoados, vivendo da prosperidade e glória dos filhos de Deus.

Leia também:  Nazismo: banalidade do mal ou gozo dos carrascos?

A culpa nem caberia. Culpa é resultado do pecado e crente não peca (mesmo que peque) porque de pecado vive a prosperidade do crente. E prosperidade é prova de glória e benção. É aprovação recompensada.

O mundo gospel tem adultério santo. Porque se houver o pecado seguido de casamento ou arrependimento, pode sim. Amém!

E Deus tem paciência ad perpetuam. Se ele o é, assim seja!

O varão e a mulher valorosa podem pecar, pois que “pagando bem, que mal tem?”.

O dízimo é a paga pelo pecado, que Cristo pagou com seu sangue, mas agora todo cristão precisa restituir. Foi empréstimo consignado.

E reclamar para quem? Os homens de Deus ouvem Sua voz, nós somos o rei desnudo e fingimos que sentimos a vibração de Sua potente palavra.

Quem quer ser pego sem as roupas de baixo? Deus não leva para o céu quem não se veste de ouro e pedras preciosas.

E toda riqueza roubada, desviada, corrompida, estelionatária, tudo, tem uma desculpa plausível: Deus preparou! Era para ser teu e é benção.

Você crê? Então é.

Parece esquizofrenia, e é. Induzida e piorada, baseada em mitos e num ID superalimentado de fé para produzir foie gras de esperança e realidade virtual, e felicidade plena para os que se flagelam e martirizam por um paraíso que pagam todo mês.

Deus sabe que o gospel mente, mas Deus perdoa. Se não perdoar não é o Deus certo, mudar de Deus pode sim, porque ELE toca o coração.

A vida é linda com abstinência baseada em drogas escondidas, sem cheiros voláteis porque maior pecado que se entorpecer é ser descoberto, e pior ainda é não deixar para o dízimo. Mas a fé é boa, agora toda boa fé tem uma colônia de reabilitação baseada em behaviorismo. Muita tortura, muita fome, muita ignorância e exploração. Afinal o dízimo não pago precisa ser recuperado.

Leia também:  Ex-Secretário da cultura e Ministro da educação: “homo cinicum ignorantia”, por Djefferson Amadeus

É lindo demais!

Toda glória e honra e poder emana do trono divino terceirizado aos homens de boa vontade.

Ouvi um amém?!

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

5 comentários

  1. NASSIF você pode perguntar para a autora do texto pq os evangélicos crescem no Brasil? As pessoas são burras, mau caráter,etc Ou tem outra coisa aí?

    NASSIFAO (desculpa as intimidades) os crentes estao fazendo uma revolução. Ganhando setor por setor, não pelo seu discurso, mas pela prática por oferecer saídas que nós inteligentes nao oferecemos. (Discutir na PUC ou federal é mole)

    Pois bem Imagina vc. Uma Mãe chefe de família, que tem que trabalhar na casa da madame que estuda na UFRJ, para sustentar uma filha de 15 anos. Ela não quer que sua filha repita a sua história… Nassif sabe quem dá uma reposta??o maldito do pastor ladrão. Enquanto nós, inteligentes pra caralho, estamos discutindo sexo dos anjos.

    13
    1
    • Muito bem. Eu só acrescentaria que, quanto mais pessoas inteligentes como a autora do texto zombam dos burros, mais estes as consideram desprezíveis e se afastam delas.

      Não que isso seja problema para as pessoas inteligentes. Quando faltar uma semana para a eleição o candidato delas dá uma passadinha rápida numa igreja e os burros todos votam nele.

      2
      1
  2. Nasci e cresci até os 22 anos na Igreja Batista Tradicional. Hj, sei do mal que as igrejas fazem a sociedade. Sou só um ex evangélico com muitas ideias. Mas, penso na falta dos grandes pensadores progressistas, pensadores que nos acalentam a alma. Estamos ôrfãos de Mestres. O espiritual é da vida de cada um já o intelectual. Cadê? Esse texto não é de um intelectual, é de uma pessoal como eu, médio, expondo sua revolta. Válido. Mas, cadê os intelectuais. A mídia progressista tem um fardo, não uma missão prazerosa. Resgatar a intelectualidade progressistas. Cadê o Jesus progressista de há 2 mil anos? Ninguém ressuscitou?

  3. As pessoas são burras e mau caráter, na mosca, exatamente isso, senão porque aceitariam as “soluções” do maldito pastor? Ou você acha que a “madame da UFRJ” também não tem um “maldito pastor” para chamar de seu?

    7
    1
  4. Tenho evangélicos na família… posso dizer que são um pé no saco… inclusive um primo bem instruído que, por conveniência, adentrou os reinos dos céus pela porta dos fundos… tudo por conveniência…

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome