O Brasil Mais Milícias e o desenho do Golpe de 2022, por Paulo Henrique

O que não faltam são evidências que estão devidamente trancafiadas na geladeira fria de Sérgio Moro, do MPF e do STF.

El Pais

O Brasil Mais Milícias e o desenho do Golpe de 2022

por Paulo Henrique

Não é de hoje que se conhece as relações da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro. Em 2005, o então Deputado Estadual Flávio Bolsonaro, condecorou o Capitão do BOPE, Adriano da Nóbrega – morto na Bahia – com a medalha Tiradentes, mais alta honraria da ALERJ. O Deputado Flávio, também “empregou” a esposa de Adriano da Nóbrega e sua sogra em seu gabinete. Também condecorou o Major Ronald Paulo Alves quando ele era investigado pela chacina de 5 jovens na Boate Via Show em 2003. Ambos condecorados foram acusados de integrar o “Escritório do Crime” que funcionava como um grupo de cobrança de propinas e assassinatos, inclusive da ex-vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

Ainda há a pouco explicada relação do 02 com Fabrício Queiroz, apontado com Tesoureiro do “Escritório do Crime” e que movimentou R$ 7 milhões, possivelmente fruto da mal explicada “rachadinha” e que teria envolvido até a atual Primeira Dama, Michelle Bolsonaro.

O que não faltam são evidências que estão devidamente trancafiadas na geladeira fria de Sérgio Moro, do MPF e do STF.

Mas o que essa turma provisionou foi a oportunidade de, em um país decepcionado com a gestão petista a partir de revelações de escândalos devidamente potencializados por uma mídia policialesca de direita, a possibilidade de eleger Jair Bolsonaro presidente. A materialização do projeto se deu com o atentado “Nutella” (comparado ao fuzilamento de Cid Gomes – atentado “raiz”) envolvendo Adélio Bispo em que, o então presidenciável, nos ombros de apoiadores e “seguranças” recebe um golpe que, na verdade, golpeou a democracia.

À partir daí, iniciou-se, de fato, a operação Brasil Mais Milícias. Suas raízes estão fincadas em Curitiba que, através da Lava Jato, empoderou juízes, procurados e candidatos aos mais variados cargos, numa histeria coletiva que promoveu a ascensão de déspotas, nazistas e fascistas aos mais elevados escalões do Brasil.

O clima passou a ser o da beligerância com a defesa de porte e posse de arma, com a proposta de aprovação da excludente de ilicitude, da proposição de difusão da militarização das escolas, da “Generalização” – nomeação de Generais – para os cargos da República, da valorização do discurso de ódio, intolerância e não valorização da educação. A ascensão dos neopentecostais que saíram em defesa do projeto protofascista, terminou por criar uma atmosfera favorável ao Bolsonarismo que se alimenta dos sentimentos mais negativos que podemos imaginar.

Como a resistência tem sido sistematicamente de forma mais visível feita pelos irmãos Gomes, de Sobral – CE, tratou-se de tentar, à partir do “pavio curto” da dupla cearense, eliminar o inimigo ao projeto maior.

Tudo começa com um governo estadual de Direita de um Estado economicamente falido, Minas Gerais, concedendo aumento de 47% a policiais militares. Romeu Zema, do NOVO, na contramão do que apregoava, emplaca um aumento para os miliares mineiros que desencadeia movimentos em 7 outros Estados, incluindo o Ceará. Os Bolsonaro veem, aí, uma oportunidade de iniciar o Plano Brasil Mais Milícias. Infiltrados, Bolsonaristas na PM cearense causam terror em várias cidades cearenses, ameaçando comerciantes, furando pneus de viaturas, cercando colegas da Polícia Civil e se amotinando em quartéis. Um convite ao enfrentamento com os irmãos Gomes. Funcionou! Atraíram o Senador Cid Gomes para o “cheiro do queijo” em Sobral.

Numa atitude imprudente, o Senador foi fuzilado pela tropa e, por obra de um milagre, não foi assassinado. O plano era atingir o coração dos Gomes e balançar a pré-candidatura de Ciro em 2022. O recado: “se até Senador que nos enfrenta matamos, imagine você, cidadão comum”.

Os Bolsonaro, percebendo a queda na aceitação face os escândalos e à não entrega do que prometeram à população, já articulam 2022 naquilo que sabem melhor fazer: criar tensões e se alimentarem delas.

A estratégia é aumentar as crises institucionais nos Estados a tal ponto que, na possibilidade de não levarem o pleito de 2022 no voto, levam na bala. Milicianos empoderados, Generais estrategicamente posicionados, militantes de direita armados, neopentecostais com seus exércitos da fé, criam o cenário de guerra civil que poderia justificar um Golpe de Estado em nome da família, de Deus, da ordem e do patriotismo.

Enquanto isso, a esquerda envelhecida pelas rugas e pelos cabelos brancos, não consegue se articular para falar a linguagem que a população pobre e miserável do país precisa ouvir.

É fundamental que nossos líderes de esquerda falem ao povo onde o povo está. É fundamental que sejam rompidas as amarras municipais que ligam, por interesses locais e pessoais, líderes de esquerda a líderes da direita em uniões espúrias. A dilapidação política no Brasil chegou a um ponto que líderes que apoiaram o Golpe contra Dilma se aliaram a lideranças petistas numa evidência óbvia de que, para essa turma, pelo poder, vale tudo.

O cenário aqui desenhado aponta para uma crise institucional e social crescente até 2022 quando a culminância poderá ser a falência do Estado Democrático de Direito que poderá ser substituído pelo poder absoluto das Milícias Nacionais.

Prof. Paulo Henrique – Universidade Estadual do Piauí 

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1 comentário

  1. “Como a resistência tem sido sistematicamente de forma mais visível feita pelos irmãos Gomes, de Sobral – CE, tratou-se de tentar, à partir do “pavio curto” da dupla cearense, eliminar o inimigo ao projeto maior.”…hehehehehehehe…faz-me rir….um dos irmãos Gomes é aquele que foi para Paris no segundo turno da eleição de 2018 né….?????? ANHAM…pra não render…

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