5 de junho de 2026

O cão de Petrich, por Felipe Bueno

Vai completar um século agora em outubro um capítulo da História em que a Grécia foi invadida pela Bulgária. E o primeiro ator foi um cão.
Banksy

O cão de Petrich

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por Felipe Bueno

Conflitos entre nações têm geralmente suas origens em um conjunto de motivos, ainda que, em geral, a História reserve para um fato específico o papel de estopim. Estando mais ou menos distantes da época escolar, talvez nunca nos esqueceremos, por exemplo, de que o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand – que virou até nome de banda de rock – foi o evento que deu início à Primeira Guerra Mundial, em 1914.

Outros conflitos não são tão célebres, limitam-se a poucos documentos e livros, porém há casos que mereceriam mais divulgação pelos fatos inusitados atribuídos como seus causadores.

Vai completar um século agora em outubro um capítulo da História em que a Grécia foi invadida pela Bulgária. Seu primeiro parágrafo teria sido protagonizado – ou pelo menos testemunhado – por um cachorro.

O contexto era de inimizades entre as duas nações naquele período. Além das feridas ainda abertas das duas guerras balcânicas, em disputa estavam partes da Macedônia, um antigo e complicado conceito geográfico, político, econômico e histórico que nos dias de hoje enlaça seis países, inclusive aquele que usa seu nome (com o acréscimo de “do Norte”).

A versão “fábula” conta que um militar grego passeava com seu cachorro em um ponto específico, inóspito e montanhoso entre as duas nações. Por alguma razão, deixou seu animal escapar e cruzar a fronteira; ao buscá-lo, foi atingido por um oponente búlgaro que lá fazia patrulhamento.

A outra versão, muito menos poética, dá conta de uma invasão de uma unidade búlgara a terras gregas e a subsequente reação dos invadidos. Em comum, os dois enredos culminam com a morte de um militar grego e o início de um conflito que terminou apenas com a intervenção da Liga das Nações (para quem não sabe, a ancestral da ONU que nasceu da Primeira Guerra mas não conseguiu evitar a Segunda).

Trata-se de um episódio curto, de menos de duas semanas de duração, suplantado nos anais da História por outros tantos conflitos muito mais famosos. O tempo passou e, como sabemos, trouxe com ele outros choques, deslocamentos, partilhas e realinhamentos que se seguiram na região e no mundo.

Na nossa vida prosaica, o cachorro do militar grego é também uma alegoria: a de estar no lugar errado no momento errado, pagar por isso e disparar uma guerra.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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