O Tsunami da Previdência
por Marcos A. Ortega
Há pouco tempo foi publicado aqui no GGN um artigo de minha autoria intitulado: “O que farás quando fores retirar a tua aposentadoria no banco e verificar que ela não foi depositada?. Neste artigo fiz umas projeções do que vai acontecer com aqueles que já se aposentaram e dos que ainda vão se aposentar após a entrada da nova lei, porém tendo o seu status ainda definido pelo regime antigo.
O texto teve uma aceitação razoável − 18 comentários. Alguns colegas sugeriram, devido à importância do tema, enviar cópias para deputados, senadores. Só enviei ao Senador Paulo Paim, mas entretanto não obtive até agora nenhuma resposta. O que me faz chamar a atenção para este tema novamente é a premência do tempo. Suponhamos como fiz naquela ocasião que a nova previdência seja publicada no Diário Oficial de 2 de Janeiro de 2020. A partir desta data então, nenhum capital novo será depositado no Fundo do Trabalhador, ou no Fundo do INSS, que paga as aposentadorias e pensões hoje, e que dizem os de direita que tem um rombo imenso. Naquele artigo mostrei que se existe um rombo, os trabalhadores não contribuíram em nada para o mesmo.
Com dados do INSS de 2017 [1] temos que cerca de 29.700.000 trabalhadores da iniciativa privada recebem aposentadorias e pensões, enquanto o número de funcionários públicos a receber os mesmos benefícios correspondem a cerca de 700.000 funcionários. Arredondando para 30.000.000 para facilitar e considerando que cada pagamento, seja aposentadoria, pensão, ou outro benefício qualquer, corresponda a 1000 reais por mês, e descontando 10% de contribuição do beneficiário, o total mensal daria 30.000.000 x 900 = 27 bilhões por mês. Em um ano, considerando o décimo terceiro, teríamos um total de 27 x 13 = 351 bilhões. Em dez anos o total seria de 3,51 trilhões de reais. Comparem com o 1 (um) trilhão que o Guedes diz que vai economizar em 10 anos para verem que a economia que ele prevê não daria para pagar nem um terço da aposentadoria dos que já se aposentaram pela lei antiga em 2007. Mas esta estimativa é baixa, por dois motivos. Primeiro porque é provável que o valor médio dos pagamentos aos aposentados seja maior do que 1.000 reais por mês. Além disso, a partir de 2 de janeiro de 2020 não haverá mais nenhum depósito no fundo que paga as aposentadorias hoje. Além do mais o número de beneficiários vai aumentar após 2/1/2020 devido aos que se aposentarão a partir desta data, mas pela lei antiga.
Se supusermos que o quê ficar no Fundo do Trabalhador, após o dia 2/1/2020, dê para pagar o pessoal durante dois anos, o que acontecerá então? É aí que entra o Tsunami. Seremos todos tragados e morreremos afogados todos. O país vai acabar, e só se salvarão aqueles que têm grana lá fora e que evidentemente pegarão o primeiro avião para fugir do caos instalado. Todos os aposentados, pela lei antiga, até esta data, 2022, ficarão sem receber um tostão. Como nós, aposentados, viveremos?
Até o presente momento reparei que, aparentemente, ninguém está preocupado com isso. A oposição está de retiro. Cadê os caras para nos dar uma satisfação? Aqui, e em outro blogs que leio, não vejo nenhum artigo sobre isso, e, dos leitores, nenhum comentário. Mas alguém que conhece bem este assunto de aposentadoria, algum economista, talvez o Nassif, poderia tentar mostrar ao povão o que vai acontecer a partir de 2022.
Este é um apelo de socorro que faço para que a comunidade que entende da coisa se manifeste de maneira a indicar pelo menos algo a fazer. A única coisa que me vem à mente é sugerir às famílias que se reúnam em células para se ajudarem uns aos outros. Uma interpretação interessante disso é que parece que vai chegar para nós, aposentados brasileiros, aquilo que São João escreveu no Livro do Apocalipse. O anti-Cristo já temos. Os quatro cavaleiros do Apocalipse também. Mas atrás dos cavaleiros virá uma infantaria incontável de demônios para nos trucidar a todos. Uma grande quantidade destes já estão espalhados pelo país, mas outros virão não há dúvida quanto a isso.
Referências
Marcos A. Ortega, Professor Titular aposentado, Departamento de Aerodinâmica, Divisão de Engenharia Aeronáutica, ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos, SP.
Vergetti
10 de junho de 2019 8:20 amConcordo, venho chamando atenção para isso há alguns meses com os amigos. Digo temer que os que correm para se aposentar (na regra atual me faltam 3 anos) talvez fiquem sem um tostão pela falta de arrecadação. Será impossível manter os pagamentos.
Naldo
10 de junho de 2019 8:39 amApelar para economistas que se calam sobrre um.trabalhador que recebe 1900 pagar imposto de RENDA!!!, enquanto banqueiros não pagarem um.tostao de.impostos sobre as dezenas.de.bilhoes que recebem de.lucro?
Não sei o que é pior jornalixos, ou economistas desse.naipe, talvez os Jornalixos economistas…………
Ressalte-se que o Sr. Nassif escapa desse podre grupo……
Rui Ribeiro
10 de junho de 2019 8:41 amOs Reis estão nudérrimos, com suas bundas expostas na janela.
O $érgio Moro foi atropelado por um trem bala. Na sua nota, ele fala em supostas mensagens que o envolvem, dando a entender que não é autor das tais mensagens mas logo em seguida confessa o crime ao afirmar que o conteúdo das mensagens não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da sua atuação enquanto magistrado, reclamando ainda que tais mensagens foram descontextualizadas e reclamando também do sensacionalismo da matéria publicada pelo Intercept.
Toma, seu Trouxa.
A Força-Tarefa da Lava Bosta em vez de se defender das acusações de ajuste de versões e de interferir na corrida eleitoral, inviabilizando o Lula, ataca o suposto hacker que expôs suas entranhas pútridas.
Pimenta nos olhos dos outros é refresco nos olhos desses Vagabundos. Quando o Lula e a Dilma foram hackeados e suas conversas vazadas, o $érgio Moro se justificou da seguinte forma:
“A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras”.
Os Procuradores da Lava Jato não se indignaram. Agora estão indignadérrimos. Indignação seletiva.
As relações entre Judiciário e Ministério Público deveriam ser institucionais, e não pessoais. Essas relações não deveriam ser protegidas pelas sombras. Enquanto os réus buscam se defender, promotores e juízes se conluiam para decidir sua vida. Triste Trópicos!
Marcos A. Ortega
10 de junho de 2019 11:30 amEm tempo. Existe um outro número, provavelmente o mais importante, que eu me esqueci de acrescentar ao artigo. Segundo dados do INSS o número de aposentados no Brasil, contando recebedores do INSS e funcionários públicos era da ordem de 30 milhões em 2017. Vamos agora supor que existam 15 milhões de trabalhadores hoje que irão se aposentar pela lei antiga até a entrada da nova lei. No total então teriamos envolvidos neste imbroglio cerca de 45 milhões de trabalhadores. Mas quantas pessoas estão de fato envolvidas? Normalmente depois de aposentado o trabalhador tem a mulher com ele, ou vice-versa. Então para cada aposentadoria (pensão) temos duas pessoas envolvidas. O número então sobe para 90 milhões de pessoas a serem atingidas. Como atualmente, no caso de casais mais jovens, mas já na idade de se aposentar, ambos trabalham então teríamos que descontar algo a esse número. Descontando, digamos, 10 milhões dos 90, ficariamos no final com 80 milhões de pessoas envolvidas. Esse número evidentemente é uma previsão grosseira, mas, mesmo assim, ele mostra que o número é realmente muito grande. Se, efetivamente, as aposentadorias não forem pagas — vamos torcer para que isso não aconteça, é lógico —, a coisa tomará proporções bíblicas. Muitos certamente terão um certo pé de meia, mas pé de meia não é para cobrir gastos do cotidiano. Mas mesmo assim, o pé de meia vai acabar logo se usado diuturnamente.