4 de junho de 2026

O Tsunami da Previdência, por Marcos A. Ortega

O anti-Cristo já temos. Os quatro cavaleiros do Apocalipse também. Mas atrás dos cavaleiros virá uma infantaria incontável de demônios para nos trucidar a todos.

O Tsunami da Previdência

por Marcos A. Ortega

Há pouco tempo foi publicado aqui no GGN um artigo de minha autoria intitulado: “O que farás quando fores retirar a tua aposentadoria no banco e verificar que ela não foi depositada?. Neste artigo fiz umas projeções do que vai acontecer com aqueles que já se aposentaram e dos que ainda vão se aposentar após a entrada da nova lei, porém tendo o seu status ainda definido pelo regime antigo.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O texto teve uma aceitação razoável 18 comentários. Alguns colegas sugeriram, devido à importância do tema, enviar cópias para deputados, senadores. Só enviei ao Senador Paulo Paim, mas entretanto não obtive até agora nenhuma resposta. O que me faz chamar a atenção para este tema novamente é a premência do tempo. Suponhamos como fiz naquela ocasião que a nova previdência seja publicada no Diário Oficial de 2 de Janeiro de 2020. A partir desta data então, nenhum capital novo será depositado no Fundo do Trabalhador, ou no Fundo do INSS, que paga as aposentadorias e pensões hoje, e que dizem os de direita que tem um rombo imenso. Naquele artigo mostrei que se existe um rombo, os trabalhadores não contribuíram em nada para o mesmo.

Com dados do INSS de 2017 [1] temos que cerca de 29.700.000 trabalhadores da iniciativa privada recebem aposentadorias e pensões, enquanto o número de funcionários públicos a receber os mesmos benefícios correspondem a cerca de 700.000 funcionários. Arredondando para 30.000.000  para facilitar e considerando que cada pagamento, seja aposentadoria, pensão, ou outro benefício qualquer, corresponda a 1000 reais por mês, e descontando 10% de contribuição do beneficiário, o total mensal daria 30.000.000 x 900 = 27 bilhões por mês. Em um ano, considerando o décimo terceiro, teríamos um total de 27 x 13 = 351 bilhões. Em dez anos o total seria de 3,51 trilhões de reais. Comparem com o 1 (um) trilhão que o Guedes diz que vai economizar em 10 anos para verem que a economia que ele prevê não daria para pagar nem um terço da aposentadoria dos que já se aposentaram pela lei antiga em 2007. Mas esta estimativa é baixa, por dois motivos. Primeiro porque é provável que o valor médio dos pagamentos aos aposentados seja maior do que 1.000 reais por mês. Além disso, a partir de 2 de janeiro de 2020 não haverá mais nenhum depósito no fundo que paga as aposentadorias hoje. Além do mais o número de beneficiários vai aumentar após 2/1/2020 devido aos que se aposentarão a partir desta data, mas pela lei antiga.

Se supusermos que o quê ficar no Fundo do Trabalhador, após o dia 2/1/2020,  dê para pagar o pessoal durante dois anos, o que acontecerá então? É aí que entra o Tsunami. Seremos todos tragados e morreremos afogados todos. O país vai acabar, e só se salvarão aqueles que têm grana lá fora e que evidentemente pegarão o primeiro avião para fugir do caos instalado. Todos os aposentados, pela lei antiga, até esta data, 2022, ficarão sem receber um tostão. Como nós, aposentados, viveremos?

Até o presente momento reparei que, aparentemente, ninguém está preocupado com isso. A oposição está de retiro. Cadê os caras para nos dar uma satisfação? Aqui, e em outro blogs que leio, não vejo nenhum artigo sobre isso, e, dos leitores, nenhum comentário. Mas alguém que conhece bem este assunto de aposentadoria, algum economista, talvez o Nassif, poderia tentar mostrar ao povão o que vai acontecer a partir de 2022.

Este é um apelo de socorro que faço para que a comunidade que entende da coisa se manifeste de maneira a indicar pelo menos algo a fazer. A única coisa que me vem à mente é sugerir às famílias que se reúnam em células para se ajudarem uns aos outros. Uma interpretação interessante disso é que parece que vai chegar para nós, aposentados brasileiros, aquilo que São João escreveu no Livro do Apocalipse. O anti-Cristo já temos. Os quatro cavaleiros do Apocalipse também. Mas atrás dos cavaleiros virá uma infantaria incontável de demônios para nos trucidar a todos. Uma grande quantidade destes já estão espalhados pelo país, mas outros virão não há dúvida quanto a isso.

Referências

[1] http://www.previdencia.gov.br/2018/11/secretaria-lanca-anuario-estatistico-da-previdencia-social-2017/

Marcos A. Ortega, Professor Titular aposentado, Departamento de Aerodinâmica, Divisão de Engenharia Aeronáutica, ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos, SP.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Vergetti

    10 de junho de 2019 8:20 am

    Concordo, venho chamando atenção para isso há alguns meses com os amigos. Digo temer que os que correm para se aposentar (na regra atual me faltam 3 anos) talvez fiquem sem um tostão pela falta de arrecadação. Será impossível manter os pagamentos.

  2. Naldo

    10 de junho de 2019 8:39 am

    Apelar para economistas que se calam sobrre um.trabalhador que recebe 1900 pagar imposto de RENDA!!!, enquanto banqueiros não pagarem um.tostao de.impostos sobre as dezenas.de.bilhoes que recebem de.lucro?

    Não sei o que é pior jornalixos, ou economistas desse.naipe, talvez os Jornalixos economistas…………
    Ressalte-se que o Sr. Nassif escapa desse podre grupo……

  3. Rui Ribeiro

    10 de junho de 2019 8:41 am

    Os Reis estão nudérrimos, com suas bundas expostas na janela.

    O $érgio Moro foi atropelado por um trem bala. Na sua nota, ele fala em supostas mensagens que o envolvem, dando a entender que não é autor das tais mensagens mas logo em seguida confessa o crime ao afirmar que o conteúdo das mensagens não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da sua atuação enquanto magistrado, reclamando ainda que tais mensagens foram descontextualizadas e reclamando também do sensacionalismo da matéria publicada pelo Intercept.

    Toma, seu Trouxa.

    A Força-Tarefa da Lava Bosta em vez de se defender das acusações de ajuste de versões e de interferir na corrida eleitoral, inviabilizando o Lula, ataca o suposto hacker que expôs suas entranhas pútridas.

    Pimenta nos olhos dos outros é refresco nos olhos desses Vagabundos. Quando o Lula e a Dilma foram hackeados e suas conversas vazadas, o $érgio Moro se justificou da seguinte forma:

    “A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras”.

    Os Procuradores da Lava Jato não se indignaram. Agora estão indignadérrimos. Indignação seletiva.

    As relações entre Judiciário e Ministério Público deveriam ser institucionais, e não pessoais. Essas relações não deveriam ser protegidas pelas sombras. Enquanto os réus buscam se defender, promotores e juízes se conluiam para decidir sua vida. Triste Trópicos!

  4. Marcos A. Ortega

    10 de junho de 2019 11:30 am

    Em tempo. Existe um outro número, provavelmente o mais importante, que eu me esqueci de acrescentar ao artigo. Segundo dados do INSS o número de aposentados no Brasil, contando recebedores do INSS e funcionários públicos era da ordem de 30 milhões em 2017. Vamos agora supor que existam 15 milhões de trabalhadores hoje que irão se aposentar pela lei antiga até a entrada da nova lei. No total então teriamos envolvidos neste imbroglio cerca de 45 milhões de trabalhadores. Mas quantas pessoas estão de fato envolvidas? Normalmente depois de aposentado o trabalhador tem a mulher com ele, ou vice-versa. Então para cada aposentadoria (pensão) temos duas pessoas envolvidas. O número então sobe para 90 milhões de pessoas a serem atingidas. Como atualmente, no caso de casais mais jovens, mas já na idade de se aposentar, ambos trabalham então teríamos que descontar algo a esse número. Descontando, digamos, 10 milhões dos 90, ficariamos no final com 80 milhões de pessoas envolvidas. Esse número evidentemente é uma previsão grosseira, mas, mesmo assim, ele mostra que o número é realmente muito grande. Se, efetivamente, as aposentadorias não forem pagas — vamos torcer para que isso não aconteça, é lógico —, a coisa tomará proporções bíblicas. Muitos certamente terão um certo pé de meia, mas pé de meia não é para cobrir gastos do cotidiano. Mas mesmo assim, o pé de meia vai acabar logo se usado diuturnamente.

Recomendados para você

Recomendados