5 de junho de 2026

Qual o sentido da renúncia dos comandantes militares antes da posse de Lula? Por Manuel Domingos Neto

Parece que os fujões planejam uma acefalia no castro. Fileiras sem comando viram hordas
Militares do Exército
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fujões

Por Manuel Domingos Neto

Notícias de que comandantes militares renunciariam a seus postos pontilham na imprensa há muitas semanas.

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A vida ensinou-me a duvidar de noticiário desse teor. Através de jornalistas incautos ou de má fé, oficiais vivem plantando informações para formar climas. Dão trabalho aos meus colegas dedicados a acompanhar os lances complexos da guerra híbrida.

Mas desde o início, perguntei-me sobre o que move oficiais a largar o comando dos principais instrumentos de força do Estado em momento tão delicado do jogo internacional, em que a hecatombe nuclear pode ser anunciada a qualquer momento. Os comandantes não pensam nisso?

Perguntei-me também sobre o sentido da renúncia em circunstâncias tão especiais para a democracia brasileira, em que o presidente da República ameaça promover rupturas institucionais.

Por quais princípios éticos se movem os comandantes? Com quais intenções, mesquinhas ou elevadas, se orientam?

Desgosto com a decisão do soberano, que em regimes democráticos é povo? Mais precisamente, desgosto pela vitória de Lula? Mais precisamente ainda, amargura pela derrota de seu candidato?

Passou-me pela cabeça a possibilidade de os comandantes pretenderem simplesmente alimentar o ambiente de insegurança para o cumprimento da vontade popular que lhes aborreceu. Vontade pirracenta de melar a festa agendada para o primeiro dia do ano. Ganhariam, assim, posição de barganha corporativa junto ao próximo Chefe de Estado.

Diante da frustação de um atentado terrorista em Brasília no último final de semana, comecei a pensar que os comandantes estariam fugindo da responsabilidade sobre engrenagens macabras.

Os terroristas se articulam no âmbito de integrantes da família militar acampada nos perímetros de segurança dos quartéis. É difícil dissociá-los da faina dos comandantes.

A notícia de que o Ministro da Defesa renunciaria dois dias antes da posse de Lula deixou-me ainda mais intrigado. Onde se viu abandonar postos de direção em momentos cruciais? Não há discurso ético que resista a essa febre de renúncia de cargos.

Parece que os fujões planejam uma acefalia no castro. Fileiras sem comando viram hordas. Se contaminadas pelo debate político, ensandecem. Esse é o plano, comandantes?

Manuel Domingos Neto é professor aposentado da UFC, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED) e ex-vice-presidente do CNPq.

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Manuel Domingos Neto

Manuel Domingos Neto nasceu em Fortaleza em 1949. Graduou-se em História pela Universidade de Paris VI, mestre pela Universidade de Paris III e Doutor em História pela mesma universidade, em 1979. Professor da Universidade Federal do Ceará e professor associado da Universidade Federal Fluminense

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4 Comentários
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  1. Sivuca

    27 de dezembro de 2022 12:23 pm

    Não, não fuja não Finja que agora eu era o seu brinquedo
    Eu era o seu pião
    O seu bicho preferido
    Vem, me dê a mão
    A gente agora já não tinha medo
    No tempo da maldade
    Acho que a gente nem tinha nascido

    https://youtu.be/i1fbC26m9L0

  2. Benedito João Santos Silva

    27 de dezembro de 2022 3:31 pm

    Caramba, nossas forças armadas são inúteis mesmo. O que fariam em que de invasão estrangeira? Sairiam correndo pra salvar suas latinhas de leite condensado, picanha e uísque importado.

  3. Bruno Cabral

    27 de dezembro de 2022 5:08 pm

    A solução é simples, dia 1/1/2023 demite sumariamente por quebra de hierarquia, por abandono do posto, pelo motivo que for

  4. Alvaro

    28 de dezembro de 2022 9:09 am

    Das duas opções, incompetência não cabe!

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