7 de julho de 2026

O futuro das empresas está em jogo e a sucessão continua fora da agenda, por Julian Tonioli

Não se trata de substituir pessoas, mas de garantir a continuidade da estratégia, da cultura e da capacidade de execução da organização.
Reprodução

A sucessão nas empresas é negligenciada, apesar da preocupação de 78% dos executivos segundo pesquisa da BCG.
Sucessão requer planejamento contínuo, alinhamento cultural e desenvolvimento de lideranças para garantir continuidade.
Empresas familiares enfrentam desafios adicionais na sucessão, envolvendo legado e cultura para evitar conflitos e perdas.

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O futuro das empresas está em jogo e a sucessão continua fora da agenda

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por Julian Tonioli

A transição entre gerações exige mais do que a transferência de poder: requer planejamento, alinhamento cultural e preparação de lideranças. Enquanto as empresas dedicam tempo, recursos e energia para discutir crescimento, inovação, transformação digital e expansão de mercado, um tema fundamental continua sendo negligenciado por grande parte das organizações: a sucessão.

O alerta não vem apenas da prática empresarial. Uma pesquisa recente da Boston Consulting Group revelou que 78% dos executivos de alta liderança estão preocupados com a sucessão, seja em relação às suas próprias posições ou a cargos estratégicos dentro das empresas. O dado evidencia uma preocupação crescente, mas também revela um paradoxo: apesar da relevância do tema, poucas organizações possuem processos estruturados para lidar com ele. A sucessão está entre os desafios mais críticos para a sustentabilidade dos negócios. E, ao mesmo tempo, entre os menos planejados.

O principal equívoco é imaginar que a sucessão acontece quando surge uma necessidade. Na realidade, é um processo contínuo de preparação. Não se trata apenas de substituir pessoas, mas de garantir a continuidade da estratégia, da cultura e da capacidade de execução da organização. Empresas que tratam o tema com seriedade investem na construção de trilhas de desenvolvimento para futuros líderes, identificam talentos internos com potencial para assumir posições-chave e trabalham sistematicamente no fortalecimento das competências que serão necessárias para os próximos ciclos de crescimento. Esse aspecto é ainda mais relevante em um cenário de mudanças aceleradas. O líder que conduziu uma empresa ao sucesso nos últimos dez anos pode não possuir exatamente as mesmas competências exigidas para a próxima década. Por isso, o planejamento sucessório precisa estar conectado à estratégia de longo prazo do negócio.

Nas empresas familiares, o desafio ganha uma camada adicional de complexidade. A transferência de poder não envolve apenas cargos e responsabilidades. Ela envolve história, legado, relacionamentos e valores construídos ao longo de décadas. É comum encontrarmos organizações que realizaram uma transição formal de liderança, mas não conseguiram promover uma transição cultural bem-sucedida. Nesses casos, os conflitos entre gerações acabam comprometendo a governança, a velocidade de decisão e até mesmo os resultados do negócio.

Por isso, um processo sucessório eficiente deve contemplar não apenas a transferência de funções, mas também a preservação dos elementos culturais que sustentam a identidade da empresa. O equilíbrio entre continuidade e renovação é um dos fatores que diferenciam sucessões bem-sucedidas de processos traumáticos. O mercado costuma reagir rapidamente quando uma empresa perde um executivo-chave, um fundador ou um líder estratégico sem que exista um sucessor preparado. A descontinuidade gera insegurança interna, aumenta riscos operacionais e pode comprometer a confiança de clientes, investidores e parceiros.

Por outro lado, organizações que possuem planos de sucessão estruturados demonstram maturidade de gestão, fortalecem sua governança e ampliam significativamente sua capacidade de atravessar ciclos de mudança. A questão, portanto, não é se a sucessão acontecerá. Ela acontecerá inevitavelmente. A única dúvida é se a empresa estará preparada quando esse momento chegar.

A reflexão que fica para empresários, sócios e executivos é simples: sua organização já começou a planejar a sucessão das posições críticas? Existe hoje um pipeline de talentos sendo preparado para assumir responsabilidades estratégicas? Ou a empresa está apenas torcendo para que nenhuma saída inesperada aconteça? Os números mostram que a preocupação já existe. O desafio agora é transformar essa preocupação em planejamento e ação. Porque, no fim das contas, sucessão não é um evento. É uma estratégia de perpetuidade empresarial.

Julian Tonioli é CEO e sócio da Auddas.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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