Fernando Castilho
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
[email protected]

A fuga das galinhas bolsonaristas, por Fernando Castilho

Durante os 4 anos de governo, o capitão tratou de amealhar milhões de corações e mentes para que, na hora H, tivesse apoio popular ao golpe

Foto: Reprodução

A fuga das galinhas bolsonaristas

por Fernando Castilho

Jair Bolsonaro foi o responsável direta e indiretamente pela morte de centenas de milhares de pessoas durante a pandemia de Covid-19. Pior, em nenhum momento sentiu remorso ou arrependimento e, ainda por cima, zombou das pessoas que estavam morrendo asfixiadas.

Para quem perdeu um ente querido, seja ele o provedor da família ou um filho querido, esse é o crime maior cometido pelo ex-presidente, superando, claro a tentativa de golpe de estado.

Para quem, monitorado ou não pela Abin, durante os 4 anos de desgoverno fez o enfrentamento, claro que o segundo crime elencado aqui foi o pior. Não se descarta a possibilidade de prisão, tortura, morte ou exílio, no melhor estilo ditadura.

Bolsonaro poderia estar governando o país pela segunda vez, caso tivesse adotado uma postura de combate à Covid, já que a diferença para Lula nas eleições de 2022 foi muito pequena, mas ele preferiu o outro caminho, já que estava totalmente empenhado desde 2019 em desmoralizar as urnas eletrônicas preparando o golpe que tentaria em 2022.

Durante os 4 anos de governo, o capitão tratou de amealhar milhões de corações e mentes para que, chegada a hora, tivesse o devido apoio popular ao golpe, o que culminou no dia 8 de janeiro.

Depois do vídeo da reunião ministerial golpista e agora com o depoimento de mais de 8 horas do general Freire Gomes, acabou para Bolsonaro. No vídeo fica claríssimo que ele era o maestro da intentona. E no depoimento, certamente seu nome foi citado como o principal idealizador da tentativa de golpe. Por isso, é possível (e deve) que seja preso preventivamente, já que há risco de fuga do país e persiste o incitamento das massas para sua defesa.

Além disso, o ex-chefe do GSI, Augusto Heleno, teve sua agenda apreendida e nela está descrito com sua caligrafia o roteiro do golpe. Ele também pode ser preso preventivamente nos próximos dias.

Após o primeiro turno das eleições, foi noticiado que, enquanto Bolsonaro estava fora do país, a cúpula de seu governo se reunia quase que diariamente numa casa alugada pelo PL em Brasília. Era lá que o golpe era urdido. Foi de lá que Braga Neto saiu para pedir a admiradores que tivessem paciência porque viria coisa boa.

Portanto, a Polícia Federal tem razões para indiciar Valdemar Costa Neto. Já o TSE, uma vez provocado por partidos da situação, deverá iniciar processo de cassação do PL por participação na agenda golpista.

Valdemar é o tipo da pessoa que só enxerga cifras à sua frente. Ele não ficaria nem um pouco abalado caso nossa democracia fosse destruída para que uma ditadura sem prazo para acabar fosse instaurada, afinal, todos os partidos seriam cassados e o PL passaria a ser o único do país com direito a todas as verbas partidárias. Ficaria mais rico ainda, sem se importar com o que aconteceria ao Brasil.

Neste momento os deputados bolsonaristas estão quietinhos com medo do que virá a seguir, já que o projeto de lei que concederia anistia aos golpistas não tem a mínima chance de passar. Já teve até vídeo de Nikolas Ferreira chorando e pedindo uma luz a Deus.

É muito possível que nesta semana haja alguma prisão de peso. Há vários candidatos como Braga Neto, Augusto Heleno, Valdemar e até o próprio Jair.

Se isso acontecer, alguns deputados deixarão suas malas prontas para uma fuga do país, notadamente aqueles que participaram ativamente da intentona golpista como Carla Zambelli, Carlos Jordy e André Fernandes.

Pode ser que o próprio Bolsonaro já esteja preparando sua fuga, pois é o tipo de homem que não aguentaria mais 20 anos preso. Ele anunciou que está indo para o Rio Grande do Sul visitar duas cidades, uma delas com o curioso nome de Não Me Toque. De lá para a Argentina seria fácil seguir para pedir asilo político a Javier Milei e aguardar algum tipo de influência dos EUA, caso Donald Trump seja eleito.

Antes de ir para Não Me Toque seu Jair poderá ouvir em sua porta um toc, toc, toc.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

6 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Bons pontos. Mas não é certo que o patife se elegesse, caso tivesse comportamento humano e de estadista no enfrentamento da pandemia. Ele atendeu a direita, não só a radical mas toda a direita empresarial, que era contra a paralisação da economia. Certamente a perda na economia seria bem menor se governasse de fato, mas ainda assim seria perda grande e a recuperação pós pandemia seria mais lenta. A direita acredita mesmo que “todos vão morrer um dia” e a morte de alguns se justifica para a preservação da maioria. Culpariam o mitológico pelas falências e não agiriam para recuperar a atividade com tanto afinco. Ele teria se revelado o traidor dos seus eleitores e perderia sua máquina de agressões.

    1. Realmente, não é certo, mas como a diferença entre ele e Lula foi muito pequena, podemos imaginar que ele poderia ter vencido. Obrigado por comentar.

  2. Penso que para fazer jus com os já condenados, todos que de alguma forma contestaram as urnas, pediram golpe de estado ou outras ações e associações anti-democráticas deveriam ser presos.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador