Fernando Castilho
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
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Governo e Mercado querem mais uma Reforma da Previdência?, por Fernando Castilho

Há um verdadeiro terrorismo em torno de um tema que é, de acordo com uma entrevista do ministro da Previdência Carlos Lupi, uma falácia.

Foto: Ricardo Stuckert

Governo e Mercado querem mais uma Reforma da Previdência?

por Fernando Castilho

Há uma grande injustiça sendo preparada contra os aposentados do país. Alguns órgãos da grande imprensa têm publicado opiniões de que, para conter os extremamente altos “gastos” com a Previdência Social (diga-se, os segurados), urge que o governo “perdulário” (como disse um editorial do Estadão), desvincule os benefícios do salário-mínimo, o que significa que, enquanto o governo concede reajustes anuais acima da inflação, os aposentados que sobrevivem com parcos recursos passariam a ter, ano a ano, seus proventos reduzidos. O que desejam é uma nova reforma da Previdência para tirar ainda mais do aposentado. Ocorre que, ao contrário das demais pessoas mais jovens, os segurados do INSS são idosos que não mais são aceitos no mercado de trabalho nem tem força para isso, portanto, são obrigados a viver somente com os proventos de sua aposentadoria.

O pior é que o próprio governo se movimenta para isso, haja vista falas recentes da ministra do Planejamento, Simone Tebet e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Há um verdadeiro terrorismo em torno de um tema que é, de acordo com uma entrevista recente do ministro da Previdência Carlos Lupi, uma falácia. De acordo com ele, grandes empresas, devem mais de UM TRILHÃO de reais à instituição!

Há alguns meses, Haddad, afirmou que só para pagar a chamada Revisão da Vida Toda, o governo precisaria desembolsar 480 bilhões. Esse montante foi previsto na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

A Revisão da Vida Toda é um processo que garante aos aposentados que contribuíram e que ganhavam salários mais altos antes de 1994, um aumento no benefício. Essa ação já foi vencida no STF por, pasmem, duas vezes! Mas o tribunal, orientado pela AGU, está tentando anular a decisão, RETIRANDO O DIREITO conquistado pelos segurados e abrindo caminho para uma enorme insegurança jurídica.

Ocorre, que o número de aposentados que seriam contemplados com essa revisão, não passa, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), de 102791. Não é preciso ser expert em Matemática para constatar que o Supremo trabalha com dados falsos fornecidos por quem perdeu a ação, ou seja, o INSS.

O próprio Lupi, em entrevista à Folha, disse se tratar de chutômetro.

É certo que se necessitava conhecer os valores reais do impacto financeiro que a RVT causaria aos cofres públicos. Por isso, o IEPREV (Instituto de Estudos Previdenciários), amicus curiae no STF, encomendou um estudo científico profundo a um grupo de economistas renomados. Esse parecer quantificou os valores em cerca de 3,5 bilhões de reais ao longo de 10 anos, número absurdamente diferente daquele com que o STF trabalha. Seriam desembolsados apenas 350 milhões por mês a esse grupo de 102791 aposentados vencedores da ação.

As perguntas que se fazem são:

1 – Por que o governo não trata de cobrar esse um trilhão de reais das empresas devedoras, entre elas, JBS (Friboi) e Petrobras?

2 – Por que o governo paga sem pestanejar 614 bilhões só de juros da dívida pública e não quer pagar direitos dos idosos?

3 – Por que a corda tem que arrebentar no lado dos coitados dos aposentados, parcela da população incluída na lista de vulneráveis a quem Lula prometeu 3 pratos de comida por dia?

Infelizmente, o que vemos é uma tendência da equipe econômica de exagerar no afago ao mercado em detrimento do combate à desigualdade, num claro abraço ao neoliberalismo.

Será que Lula sabe o que está acontecendo? 

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

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Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

10 Comentários

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  1. Acredito que a razão esteja ligada a depravação que Lula e o PT resolveram se submeter, para de manterem no poder. Quem diria que um dia eu iria dizer tudo isto de Lula e do PT? Estou com os dois desde a sua constituição, mas me sinto traído pelas fraquezas que demonstram contra seus adversário e contra a imensa traição e covardia que fazem com os aposentados. Lula e o PT esquecem das imensas legiões de famílias que estão por trás dos aposentados. Esquecem que essas imensas legiões estão sofrendo e se indignando pelo assalto que continuam defendendo contra os aposentados, com a cassação bruta, burra, estúpida, covarde e traidora de seus direitos previdenciários e constitucionais, através das hediondas manobras rasteiras para aniquilar a Revisão da Vida Toda.
    Cambada de sangue-sugas que não tem coragem de cobrar os trilhões que bancos, televisões e grandes empresas devem a previdências fazem décadas e ninguém honra as calças para fazer a cobrança. Agora querem punir os aposentados, que é a única parte que cumpriu 100% seus deveres e se torna punido pela parte sem palavra, sem moral e sem mais nenhuma credibilidade.
    Se tornam pessoas podres,vergonhosas, sem honra e sem moral para merecer qualquer atenção da população.

    1. Amigo, não é de hoje.

      Nós que, entorpecidos pela falácia da “democracia capitalista”, acreditamos que a vitória nas urnas seria a solução para superação desse modelo periferia-carnificina.

      Lembre, a primeira grande carcada previdenciária foi sancionada por Lula, em. 2003.

      Lula sempre foi que é, nós é que não enxergamos.

    2. Infelizmente, ou fazia uma aliança com setores da direita, ou seria derrotado pelo genocida. Agora fica difícil marcar uma posição.

  2. A RVT é de fato o maior gol contra do governo até agora. Nada explica a má fé com que o assunto foi conduzido pelo Executivo e pelo Judiciário, salvo uma vergonhosa sabujice aos gafanhotos do orçamento público na Faria Lima. Haddad ainda cometeu a traição de dizer que se a reoneração da folha não fosse aprovada, teria que encaminhar uma nova reforma da previdência, o que soou como música para os ouvidos da turma da bufunfa; foi a senha para a grande mídia começar a ventilar a tese canalha do desacoplamento do salário mínimo. O que vem depois? Soylent green?

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