“Meiabomber” e o fator humano do 8 de janeiro, por Letícia Sallorenzo
As piadas e memes estão ótimos – e é isso mesmo que a gente tem que fazer: debochar até que o outro se sinta ridículo por ter agido de forma ridícula.
Mas tem algo muito mais grave no atentado de ontem.
Aquele homem agiu daquela forma porque estava mentalmente doente.
Mas essa doença mental não brotou do nada.
Ela foi estimulada, exacerbada, incentivada, ampli(fi)cada.
O ecossistema de desinformação atuou naquele sistema cognitivo como uma droga.
Aquele cara saiu de “esse ministro é um FDP” – coisa que qualquer um pode falar, e está prevista no art. 5 da Constituição Federal – para “vamo detonar a porra todaaaaa” – e nem sequer ponderou as consequências de seu ato.
Ele estava cognitivamente drogado. Mas, diferentemente de um consumidor de álcool ou psicotrópicos, que faz o primeito uso de forma consciente, as pessoas submetidas a essa drogadição da desinformação não têm consciência de estarem “se drogando”.
Mas os traficantes de desinformação têm consciência do que fazem – e o fazem COM DOLO.
É por isso que:
– anistia é o caralho
– tem que regulamentar rede social, sim!!!!!
Letícia Sallorenzo é Mestra (2018) e doutoranda (2024) em Linguística pela Universidade de Brasília. Estuda e analisa processos cognitivos e discursivos de manipulação, o que inclui processos de disseminação de fake news.
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Agnaldo
14 de novembro de 2024 3:56 pmDoente mental é o caralho.
Ele sabia o que estava fazendo.
Quando você diz doente mental, está tirando a responsabilidade do infeliz, senão absolvendo.
No mais, já estamos cheio de psicólogos, psiquiatras, etc., de plantão…
Anônimo
15 de novembro de 2024 7:13 pmDesculpe-me Sr. Agnaldo, mas o Sr. é plantonista de quê mesmo?…
GalileoGalilei
14 de novembro de 2024 4:09 pmO Tiü-zão da bomba só estava defendendo o direito de explosão.
AMBAR
16 de novembro de 2024 1:21 pmAcho que nem assim, viu Letícia. As pessoas adictas e convictas estão meio que hipnotizadas, envoltas num mundo fechado, particular e confortável para elas. Particular, para quem vê de fora e real para quem participa. Não é só o povo comum de baixa escolaridade, ou o pobre, ou o convencido da classe média. É o rico, o novo rico, o herdeiro, o doutor…O trabalho midiático para formar esse novo mundo de inimizades a autoflagelo tem sido eficaz. Explodem-se com fervor os incautos, beneficiam-se e se fortalecem os instigadores e lamentam-se os lúcidos.