Mulheres se unem contra o PL do aborto e tomam cidades de todo país

Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
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Protestos, em pelo menos 17 cidades, foram marcados por faixa com os dizeres: “Criança não é mãe, estuprador não é pai”

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Num ato de resistência contra o conservadorismo do parlamento brasileiro, mulheres de todo país se uniram e tomaram às ruas de diversas cidades, nesta quinta-feira (13), em protesto contra o Projeto de Lei (PL) 1904/2024, que equipara o aborto a homicídio após 22 semanas de gestação.

A proposta penal, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), prevê que a mulher vítima de estupro que interrompa a gravidez tenha pena maior do que a do próprio estuprador. Hoje, o Código Penal estabelece que a pena de estupro pode variar de 6 a 10 anos de prisão, enquanto a pena para o crime de homicídio simples varia de 6 a 20 anos de prisão.

O tema veio à tona após a Câmara dos Deputados aprovar, em votação relâmpago, a urgência da matéria, que foi usada pelo presidente Casa, Arthur Lira (PP-AL), como moeda de troca. O parlamentar prometeu discutir o tema no plenário a partir do apoio da bancada evangélica à sua reeleição à presidência da Câmara.

Manifestações pelo Brasil

Ontem (13), a Frente Contra a Criminalização das Mulheres e Pela Legalização do Aborto coordenou atos em pelo menos 17 cidades brasileiras. Os protestos foram marcados por faixa com os dizeres: “Criança não é mãe, estuprador não é pai”.

São Paulo foi palco de uma das maiores manifestações e reuniu centenas de mulheres no vão do Masp, na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, a Cinelândia, no centro da capital, ficou lotada em defesa do direito ao aborto legal.

Em Brasília, a mobilização aconteceu no Museu Nacional da República e também reuniu centenas de manifestantes. Os protestos em Florianópolis também chamaram atenção para o centro da cidade, no ato que aconteceu no Terminal Integrado Central.

Foi um momento de revolta das mulheres e das todas as pessoas que gestam com a tramitação e urgência do PL 1904, que foi feita sem nenhuma consulta decente ao parlamento, porque ela não foi sequer anunciada. Em 23 segundos, Lira rifa a vida de milhares de meninas e mulheres que têm no Código Penal,  que é de 1940, um recurso para acessar um direito legal, que é o aborto em casos de violência sexual e risco de vida. Isso de fato é muito revoltante e foi o que colaborou para essa movimentação“, declarou Ana Paula, militante da Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e Pela Legalização do Aborto, segundo o Brasil de Fato.

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4 Comentários

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  1. Só manifestações populares vão demonstrar que estes oportunistas do falso moralismo estão enganados. Deputadas como Zanatta sequer acreditam no que falam, mas tem andado para lá e para cá imaginando que a população brasileira é a favor destes absurdos. Só este ano fizeram o que fizeram com as saidinhas, e castração imaginando que boa parte dos atingidos são de vítimas da discriminação social. Agora falsos moralistas religiosos evocam a religião contra a realidade dura e criminalizando vítimas. A única forma de parar estes movimentos anti civilizatórios e medievais é a manifestação dos despossuídos.

  2. O mais assustador é o completo silêncio do nosso Chefe de Estado, que nesta função resume em si as funções de guardião dos princípios que regem a República e a nossa constituição.

    Não se trata de exigir desse senhor que faça campanha pela descriminalização do aborto, seria pedir muito a esse pequeno presidente e chefe de governo.

    Mas essa proposta de lei é um acinte, um crime.

    E o silêncio dele é omissão cúmplice.

    Grave.

    Muito grave.

    Será que é Lula mesmo que está no planalto?

    Será que não é um avatar dele?

    Não, não … é que a idade revela, enfim, quem sempre fomos.

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