Políticos nomeavam agentes para direcionar licitações para terra yanomami

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Volume orçamentário de distrito sanitário yanomami chamava atenção; senador do Republicanos indicou três últimos gestores

Comunidade na Terra Indígena Yanomami. | | Foto: Junior Hekurari Yanomami/Condisi-YY

Políticos nomeavam agentes de saúde para direcionar as licitações realizadas no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y) por conta do volume de seu orçamento, dizem os procuradores da República Alisson Marugal e Matheus de Andrade Bueno.

Em entrevista para o site Roraima em Tempo, Alisson afirma que a Operação Yoasi – deflagrada em 30 de novembro de 2022 para investigar esquema de desvio de recursos federais do Dsei-Y – conseguiu identificar uma parte dos envolvidos.

“Esses órgãos de saúde, esses distritos sanitários especiais indígenas, por terem um orçamento bastante grande, e o Dsei Yanomami, em três anos, foram mais de R$ 200 milhões […] A nomeação é feita por um político”, diz o procurador, que não citou nomes por conta da investigação.

“Havia políticos que nomeavam esses coordenadores de saúde e que loteavam esses órgãos de saúde em cargos-chave, justamente para conseguir licitações. E também a execução desses contratos milionários”, explicou.

Indicações políticas

Segundo Alisson, a procuradoria possui uma lista de apoio político no Governo Federal em relação ao Congresso – e a moeda de troca usada “é justamente essa nomeação desses órgãos de saúde por indicação de políticos […]”.

Os três últimos gestores do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami foram o senador Mecias de Jesus e o filho, Jhonatan de Jesus, ambos do Republicanos.

De acordo com o site, o mais polêmico deles foi Rômulo Pinheiro de Freitas, indicado por Jhonatan de Jesus e cuja gestão foi marcada por cobranças e manifestações dos indígenas.

Também foi em sua gestão que a crise de saúde no território indígena foi agravada, com o aumento de crianças e adultos desnutridos, assim como o de mortes.

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