Quem será encarcerado primeiro: Bolsonaro ou Trump?
por Francisco Celso Calmon
O prêmio para os que acertarem será levar Damares de volta à goiabeira bichada.
A ex-ministra e atual senadora, que cometeu crime de ameaça, no recinto da casa das leis, que preceitua decoro, e televisado para o público, está sujeita a merecida denúncia e processo.
Há os que não querem o desenvolvimento do país, como outrora havia os que não queriam que o Brasil achasse petróleo.
A questão é ideológica, que se arrasta desde a escravidão!
Não há sedução política que mude convicções ideológicas. Por mais empatia e carisma que tenha o Lula, não vai conseguir fazer com que radicais da direita, como o Roberto Campos e Arthur Lira, mudem de lado.
Mesmo no jogo pragmático da política, a essência escorpiônica deles se manifestará sempre.
Estado acima dos interesses de classes, buscar a conciliação através do meio termo, com ambos os lados ganhando e perdendo, por óbvio as classes dominadas perdendo mais, embora na aparência possa parecer ter ganhado, esse é o truque dos pelegos.
Ninguém poderá cobrar do Lula o desempenho ótimo da economia enquanto o BC, que trata da política monetária e cambial, for dissociado da gestão do governo.
A lei de autonomia do BC divide a gestão econômica do país; de um lado, os interesses do capital financeiro e de outro os compromissos assumidos com o povo pelo governo eleito.
E mais: a substituições de nomes da diretoria dentro do mandato de outro Presidente da República é a maior loucura organizacional, é o samba da branquitude esquizofrênica.
Essa dicotomia, não obstante coloque a contradição fundamental do sistema capitalista, capital X trabalho, burguesia X trabalhadores, às claras, na conjuntura internacional e nacional fica associada a contradição principal democracia X nazifascismo, por que sem democracia não haverá possiblidade de empoderamento dos trabalhadores e alteração na correlação de forças.
O que fazer e como fazer? O alvo é o povo!
Sem mirar na organização, conscientização e mobilização dos trabalhadores, ficaremos nesse perde e ganha no embate institucional com os quadros de convicção ideológico pró capital financeiro, sob um hibridismo do regime político, versus os legítimos interesses populares.
Enfrentar Roberto Campos e Arthur Lira é a batalha imediata para definir para onde o Brasil vai. É o futuro da democracia social que está em jogo.
Nem Boulos, nem Gleisi, nem Dino ou qualquer outra liderança, reúne condições de mobilização do povo. O único com essa capacidade é o Lula!
Bolsonaro, por seus crimes e por representar um perigo à estabilidade institucional do Brasil, bem como, por constranger e ameaçar, por meio de terceiros, testemunhas da intentona fracassada do 8 de janeiro, deverá ser preso cautelarmente e responder ao devido processo legal.
Por tudo, cravo no Bolsonaro ser preso antes do Trump.
Seu encarceramento retrairá o bolsonarismo, porém, não o eliminará. A extrema esquerda no Brasil e no mundo jogou suas âncoras para fincar.
Bolsonaro se vingou do Exército: o corrompeu e reafirmou sua histórica incompetência de gestão e vocação ao golpismo – não de todos os oficiais e subis, mas, de parte considerável.
O Ministro da Defesa tem se mostrado um quinta-coluna no governo, tem sido um porta voz das FFAA e não um representante do governo junto às Forças.
Múcio deveria cantar em outras plagas do verde manchado de sangue dos patriotas.
Lula arrisca a democracia mantendo-o no cargo.
Para além disso, o contraditório artigo 142 da CF deve ser sanado com urgência.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
Como um dos poderes constitucionais pode tomar a iniciativa de acionar a GLO se o comandante supremo, o Presidente, for contrário?
Ademais, essas Forças não são preparadas para o mister policial. O exemplo mais trágico foram os mais de 80 tiros disparados contra o carro de uma família inocente, que resultaram na morte do músico Edvaldo dos Santos e ferimentos de outros.
E isso numa operação de trânsito!
Nesse xadrez, Múcio, Lira e Bob Campos, podem soterrar a esperança do povo brasileiro no governo.
A questão preocupante é se o mundo caminhará para a terceira guerra a fim de resolver essa contradição principal e se as esquerdas trabalham com esses possíveis cenários e com quais estratégias?
Enquanto grande parte da sociedade cantarola para o ladrão de joias, pega o ladrão, pega o ladrão…, Arthur Lira articula para anistiar o larápio
O povo não tem fome só de comida, o povo tem fome de justiça também.
Perdoar Bolsonaro é condenar a democracia à vulnerabilidade.
Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.
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